UNICEF apresenta análise das desigualdades na infância e adolescência no Recife

Monitoramento indica que territórios mais vulneráveis apresentaram melhoras

28 dezembro 2020
duas crianças pequenas brincam numa brinquedoteca
Marcos Pastich/Prefeitura da Cidade do Recife

Recife, 28 de dezembro de 2020 – Entre 2016 e 2019, o Recife apresentou uma diminuição significativa das desigualdades relacionadas à infância e à adolescência. Houve redução de homicídios de adolescentes, de abandono escolar e no número de meninas grávidas. As taxas de mortalidade neonatal também evoluíram positivamente em três dos quatro distritos com os maiores índices, embora a prevenção à sífilis congênita continue sendo um desafio, revelando oportunidades de ações focalizadas nas regiões mais críticas da cidade. Um ponto fundamental é que a melhora generalizada foi provocada pelo desempenho dos bairros mais vulneráveis.

Os dados fazem parte do monitoramento de indicadores que o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) realiza nas 10 capitais brasileiras que participaram da Plataforma dos Centros Urbanos (PCU) 2017-2020: Recife, Belém, Fortaleza, Maceió, Manaus, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, São Paulo e Vitória. Nesta terça-feira (29/12), os resultados da capital pernambucana serão apresentados, oficialmente, pelo coordenador do UNICEF para o Semiárido e chefe do escritório do UNICEF no Recife, Dennis Larsen, ao prefeito Geraldo Júlio e secretários municipais.

“O monitoramento por regiões contribui com a priorização de políticas públicas. A análise mostra avanços importantes, mas ainda são necessárias políticas mais integradas e direcionadas às comunidades, com foco na melhoria de vida de cada criança e cada adolescente”, diz Larsen. Ele ressalta ainda os avanços significativos em ações de prevenção de homicídios de adolescentes e mortalidade neonatal. “Em algumas regiões, tivemos uma redução quase pela metade. É importante manter os esforços para garantir cada vez mais a proteção de todas as crianças”, destaca.

Enfrentamento da exclusão escolar
A taxa de abandono escolar no ensino fundamental no Recife, entre 2016 e 2019, diminuiu em duas das três regiões político-administrativas que tinham as maiores taxas. Juntas, as áreas que apresentaram melhora somam 27 bairros. Na região 1, que inclui 11 bairros, entre eles Santo Amaro e Boa Vista, houve redução de 1,9% para 1,2%. Na região 2, com 17 bairros, incluindo Peixinhos e Beberibe, a queda foi de 1,0% para 0,7%. Já a região 3, que reúne 29 bairros da cidade, sofreu um leve aumento no índice de abandono escolar de 1,12% para 1,16%. Em relação ao direito de aprender de cada menina e cada menino, a cidade contou com dois outros avanços. O número de estudantes com distorção idade-série caiu 14%. E houve ampliação na proporção de crianças de 4 e 5 anos matriculadas na pré-escola: de 81,06% para 83,3% entre 2016 e 2019.

Promoção dos direitos da primeira infância
Dos quatro distritos da cidade com as maiores taxas de mortalidade neonatal, três apresentaram melhora. Juntos, eles reúnem 42 bairros cujas taxas de morte de recém-nascidos eram altas e foram reduzidas. No Distrito Sanitário I, que inclui os bairros de Santo Amaro e Boa Vista, esse índice caiu de 11,55 para 6,61 mortes por 1.000 nascidos vivos. A queda no Distrito Sanitário II, que conta com 18 bairros, entre eles Peixinho e Água Fria, foi de 10,10 para 6,79 mortes. E no Distrito Sanitário VII, com 13 bairros, incluindo Pau Ferro, Brejo do Beberibe e Macaxeira, a mortalidade neonatal passou de 9,15 para 5,02. No quarto distrito monitorado (Distrito Sanitário VIII), que reúne os bairros de Cohab, Ibura e Jordão, não foi registrada evolução. A taxa, que já era alta – 12,08 mortes por 1.000 nascidos vivos – teve um aumento para 12,29 mortes por 1.000 nascidos vivos, mantendo essa região no foco prioritário de atenção.

Outro progresso foi o número de crianças de menos de 5 anos com sobrepeso: diminuiu de 18,32% para 14,19% entre as crianças dessa faixa etária acompanhadas na cidade. E a incidência de sífilis congênita segue como ponto de atenção, com aumento de 22,26 para 26,40 casos por 1.000 nascidos vivos. Esses números indicam que, em 2019, mais 94 bebês foram diagnosticados com a doença em relação ao que haveria se a taxa de 2016 tivesse se mantido.

Gravidez na adolescência
A gravidez na adolescência caiu nas quatro áreas da cidade que apresentavam os piores indicadores em 2016. De 2016 a 2019, os Distritos Sanitários I, II, VII e VIII — que, juntos, somam 45 bairros — registraram queda na proporção de bebês nascidos de mães adolescentes de 10 a 19 anos de idade. No Distrito Sanitário I, a queda foi de 17,8% para 15,8%; no Distrito Sanitário II, de 18% para 15,1%; no Distrito Sanitário VII, de 18,6% para 15,6%; e no Distrito Sanitário VIII, de 19,5% para 15,3%. Essas regiões continuam, entretanto, a concentrar a maior parte dos casos de adolescentes de 10 a 19 anos que se tornam mães. Na capital pernambucana como um todo, a queda na proporção de bebês de mães adolescentes foi de 19% no período entre 2016 e 2019. Esse percentual significa que 630 meninas a menos se tornaram mães em 2019 em relação ao que haveria se a taxa de 2016 tivesse se mantido.

Homicídios de adolescentes
Houve evolução positiva no Recife na prevenção de homicídios de adolescentes, fortalecida pela melhora dos indicadores nas regiões da cidade com maior violência contra essa parcela da população. Em média, o número de homicídios de adolescentes de 10 a 19 anos caiu quase pela metade, considerando dados preliminares de 2019 nas quatro áreas com taxas mais altas em 2016. Os Distritos Sanitários I, V, VI e VII, que juntos reúnem 45 bairros do Recife, registraram queda de quase 50% no número de homicídios de adolescentes. Considerando os grupos mais vulneráveis à violência letal – adolescentes homens e negros –, a redução alcançada também ultrapassou os 40%.

A análise dos indicadores do Recife está disponível aqui.

Os dados das 10 cidades que participaram da PCU estão disponíveis aqui.

Sobre a Plataforma dos Centros Urbanos – Uma iniciativa do UNICEF, em cooperação com governos e parceiros, a Plataforma dos Centros Urbanos busca promover os direitos das crianças e dos adolescentes mais afetados pelas desigualdades existentes dentro de cada cidade.

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Especialista em Comunicação
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Sobre o UNICEF
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) trabalha em alguns dos lugares mais difíceis do planeta, para alcançar as crianças mais desfavorecidas do mundo. Em 190 países e territórios, o UNICEF trabalha para cada criança, em todos os lugares, para construir um mundo melhor para todos.

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