Por que as políticas em prol das famílias são fundamentais para aumentar as taxas de amamentação em todo o mundo

Compilado de informações

01 Agosto 2019
uma mãe, sentada em uma cama, amamenta sua filha; o pai está ao lado e faz um carinho na cabeça da criança
UNICEF/BRZ/Raoni Libório

Nova Iorque, 1º de agosto de 2019 – Seja por ajudar o desenvolvimento saudável do cérebro em bebês e crianças pequenas, proteger crianças contra infecções, diminuir o risco de obesidade e doenças, reduzir custos de assistência médica ou proteger lactantes contra câncer de ovário e câncer de mama, os benefícios da amamentação para crianças e mães são bastante amplos. No entanto, as políticas que apoiam a amamentação – como licença parental remunerada e intervalos para amamentação – ainda não estão disponíveis para a maioria das mães em todo o mundo.

"Os benefícios de saúde, sociais e econômicos da amamentação – tanto para a mãe quanto para a criança – são bem estabelecidos e aceitos em todo o mundo. No entanto, quase 60% das crianças do mundo estão perdendo os seis meses recomendados de amamentação exclusiva", disse a diretora executiva do UNICEF, Henrietta Fore. "Apesar dos benefícios da amamentação, os locais de trabalho em todo o mundo estão negando apoio muito necessário às mães. Precisamos investir muito mais em licença parental remunerada e apoio à amamentação em todos os locais de trabalho para aumentar as taxas de amamentação globalmente".


Amamentação ou aleitamento materno exclusivo: Os bebês até os seis meses de idade devem ser alimentados somente com leite materno. O leite materno tem tudo de que o bebê precisa até o sexto mês de vida. Quando recebe só leite materno, não precisa consumir chá, sucos ou água.


  1. Apenas 4 em cada 10 bebês são exclusivamente amamentados: Apenas 41% dos bebês foram amamentados exclusivamente nos primeiros seis meses de vida em 2018, conforme recomendado. Em comparação, essas taxas eram mais da metade – 50,8% – nos países menos desenvolvidos. As maiores taxas foram encontradas em Ruanda (86,9%), Burundi (82,3%), Sri Lanka (82%), Ilhas Salomão (76,2%) e Vanuatu (72,6%). Pesquisas também mostram que bebês em áreas rurais têm níveis mais altos de amamentação exclusiva do que bebês urbanos.
  2. Os países de renda média-alta têm as menores taxas de amamentação: Nos países de renda média-alta, as taxas de amamentação exclusiva foram as mais baixas, com 23,9%, tendo diminuído de 28,7% em 2012.
  3. Aleitamento materno no trabalho funciona: Pausas regulares durante o horário de trabalho para acomodar a amamentação ou a ordenha do leite materno e um ambiente propício para a amamentação, incluindo instalações adequadas, permitem que as mães continuem aleitando suas crianças exclusivamente por seis meses, seguido de amamentação complementar adequada à idade.
  4. As mulheres que trabalham não recebem apoio suficiente para continuar a amamentação: Em todo o mundo, apenas 40% das mulheres com recém-nascidos têm até mesmo os benefícios básicos de maternidade em seu local de trabalho. Essa disparidade aumenta entre os países da África, onde apenas 15% das mulheres com recém-nascidos têm algum benefício para apoiar a continuidade do aleitamento materno.
  5. Poucos países oferecem licença parental remunerada: Os padrões da Convenção nº 183 de Proteção à Maternidade da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de 2000, incluem pelo menos 14 semanas de licença-maternidade remunerada. Recomenda-se que os países forneçam pelo menos 18 semanas, bem como apoio no local de trabalho, para as mães que amamentam. No entanto, em todo o mundo, apenas 12% dos países oferecem uma licença-maternidade remunerada adequadamente. O mais recente caderno de recomendações do UNICEF sobre políticas em prol das famílias recomenda pelo menos seis meses de licença remunerada combinada para todos os pais, dos quais 18 semanas de licença remunerada devem ser reservadas para as mães. Os governos e as empresas devem se esforçar para conceder, no mínimo, nove meses de licença remunerada combinada.
  6. A disponibilidade de uma licença-maternidade mais longa significa maiores chances de amamentação: Um estudo recente descobriu que mulheres com seis meses ou mais de licença de maternidade tinham pelo menos 30% mais chances de manter qualquer amamentação pelo menos nos primeiros seis meses.
  7. A amamentação faz sentido tanto para os bebês quanto para suas mães: O aumento do aleitamento materno poderia evitar 823 mil mortes anuais em crianças menores de 5 anos e 20 mil mortes anuais em decorrência do câncer de mama.
  8. Não há bebês suficientes amamentados na primeira hora: Em 2018, menos da metade dos bebês em todo o mundo – 43% – foi amamentada na primeira hora de vida. O contato imediato pele a pele e o início precoce da amamentação mantêm o bebê aquecido, constroem seu sistema imunológico, promovem a união, aumentam a produção de leite materno e aumentam as chances de a mãe continuar amamentando exclusivamente. O leite materno é mais do que apenas alimento para bebês – também é um medicamento potente para a prevenção de doenças, adaptado às necessidades de cada criança. O "primeiro leite" – ou colostro – é rico em anticorpos para proteger os bebês de doenças e da morte.
  9. Amamentação como investimento: Se a amamentação ideal for alcançada, haverá uma redução estimada de US$ 300 bilhões nos custos globais de saúde.

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Nota para editores:
Sobre a Semana Mundial da Amamentação

A Semana Mundial da Amamentação é celebrada anualmente de 1 a 7 de agosto para destacar a importância crucial do aleitamento materno para crianças em todo o mundo. A amamentação proporciona às crianças o início mais saudável de vida e é uma das formas mais simples, inteligentes e econômicas de garantir que todas as crianças sobrevivam e prosperem. Os dados apresentados aqui fazem parte do Global Scorecard 2019 de Aleitamento Materno e das mais recentes evidências disponíveis sobre cobertura, acesso a políticas em prol das famílias e os benefícios de saúde e econômicos da amamentação.

Fonte dos dados:
1 e 2 – UNICEF IYCF Global Databases, May 2019; 2019 Global Breastfeeding Scorecard; http://www.fao.org/3/ca5162en/ca5162en.pdf
4 – UNICEF breastfeeding policy brief, July 2019; ILO, World Social Protection Report 2017-19: Universal Social Protection to Achieve the Sustainable Development Goals [Executive summary], November 2017
5 – 2019 Global Breastfeeding Scorecard; UNICEF policy brief on family-friendly policies
6 – UNICEF breastfeeding policy brief, July 2019; Navarro-Rosenblatt, et al, ‘Maternity Land its Impact on Breastfeeding: A review of the literature’, Breastfeeding Medicine, vol. 13, no. 9, November 2018, pp.589–597
7 – 2019 Global Breastfeeding Scorecard; Victora CG, Bahl R, Barros AJ, França GV, Horton S, Krasevec J, Murch S, Sankar MJ, Walker N, Rollins NC, Group TL. Breastfeeding in the 21st century: epidemiology, mechanisms, and lifelong effect. The Lancet. 2016;387(10017):475-90
8 – 2019 Global Breastfeeding Scorecard; https://data.unicef.org/resources/first-hour-life-new-report-breastfeeding-practices/
9 – UNICEF breastfeeding policy brief, July 2019; Rollins, Nigel, et al., ‘Why Invest, and What it Will Take to Improve Breastfeeding Practices?’, The Lancet, vol. 387, no. 10017, January 2016, pp.49). Countries’ investment towards improving breastfeeding practices would result in US $35 of economic return per dollar invested.

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