Pediatras e UNICEF defendem que escolas tenham condições para promover um hábito simples e essencial ao mundo pós-pandemia: o direito a água e sabão

Nota conjunta da SBP e do UNICEF para o Dia Mundial de Lavagem das Mãos

15 outubro 2020

Brasília/Rio de Janeiro, 15 de outubro de 2020 – O Brasil se prepara para as Eleições Municipais 2020, ocasião em que milhões de brasileiros terão a oportunidade de escolher os gestores que conduzirão as políticas públicas locais pelos próximos anos. Diante dessa possibilidade de renovação de compromissos com os interesses da população, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) vêm, no Dia Mundial de Lavagem das Mãos (Global Handwashing Day), alertar os futuros prefeitos e a população brasileira sobre a importância da lavagem frequente e adequada das mãos com água e sabão.

Considerado um gesto simples e corriqueiro, a lavagem de mãos se tornou nos últimos meses medida essencial para a prevenção e controle da infecção pelo novo coronavírus, com mais de 38 milhões de casos confirmados e já tendo ultrapassado a marca de um milhão de mortes, no mundo. O direito a água, higiene e esgotamento sanitário adequados deve ser objetivo a ser alcançado pelos futuros gestores, sobretudo por conta de sua implicação na saúde de crianças e adolescentes.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o hábito de lavar as mãos pode reduzir em aproximadamente 40% os casos de contaminação por bactérias, parasitas, fungos e vírus, que causam doenças como gripe, conjuntivite e outras viroses. Uma das consequências da má higienização das mãos é a possibilidade de contágio por bactérias multirresistentes. No entanto, segundo o UNICEF, apenas três em cada cinco pessoas em todo o mundo têm instalações básicas para a lavagem das mãos. Além disso, três bilhões de pessoas, ou 40% da população mundial, não têm lavatórios com água e sabão em casa. Nos países menos desenvolvidos, sete em cada dez escolas não têm lugar para as crianças lavarem as mãos com água e sabão.

No Brasil, dados do Programa Conjunto de Monitoramento da OMS e do UNICEF sobre Saneamento e Higiene (JMP) revelam que 15 milhões de brasileiros residentes em áreas urbanas não têm acesso à água tratada. Já em áreas rurais, 25 milhões possuem apenas um nível básico desses serviços, e 2,3 milhões usam fontes de água não seguras para consumo humano e para realizar a higiene pessoal e doméstica.

Essa realidade alarmante se estende, ainda, a escolas públicas do País, tornando fundamental e urgente a mudança nesse cenário para garantir segurança ao retorno das atividades escolares presenciais nessas instituições. Estimativas do JMP indicam que 39% das escolas no Brasil não dispõem de instalações básicas para lavagem das mãos, havendo imensa disparidade entre as diversas regiões do País, bem como entre escolas públicas e privadas. Em relação ao esgotamento sanitário, em alguns estados do Norte, menos de 10% das escolas têm acesso a serviços desse tipo.

Vale destacar que o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), que abrange a prestação de serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem urbana e resíduos sólidos, tem metas nacionais de acesso dos domicílios ao abastecimento de água potável de 99% e de acesso ao esgotamento sanitário de 92%, até 2033. Para tanto, o Plansab estima que o Brasil precisaria de investimentos de cerca de R$ 26 bilhões ao ano (em torno de 0,4% do PIB) nos próximos 13 anos. No entanto, o setor ainda carece de financiamento adequado e, infelizmente, nas últimas duas décadas, o Brasil conseguiu aplicar anualmente menos da metade do necessário (R$ 12 bilhões).

Entende-se, assim, que a construção do futuro não depende unicamente de um acerto de contas com os equívocos do passado. É preciso estender essa esperança às novas gerações, oferecendo-lhes a perspectiva de cidadania, de inclusão, de respeito, de proteção, de educação, de saúde e sob todas as circunstâncias.

Diante dessa agenda, a SBP, o UNICEF e seus parceiros institucionais esperam que os futuros prefeitos (com apoio dos Estados e da União) façam um movimento com foco em consequências positivas para o mundo pós-pandemia, sobretudo no que se refere às crianças e aos adolescentes, garantindo-lhes neste momento o essencial para a volta às aulas: infraestrutura adequada para prevenção de doenças e de promoção à saúde.

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