OMS e UNICEF alertam para um declínio na vacinação durante a pandemia de Covid-19

OMS e UNICEF pedem esforços imediatos para vacinar todas as crianças, pois novos dados mostram que, antes da pandemia de Covid-19, a cobertura vacinal estagnou em 85% durante quase uma década, com 14 milhões de bebês não vacinados anualmente

15 julho 2020
uma mãe usando máscara segura seu bebê enquanto este é vacinado por um profissional de saúde que está usando todos os equipamentos de proteção individual, como luva, avental e máscara
UNICEF/UNI347496/Urdaneta
Marcelo, 1 ano, é vacinado em um centro de saúde localizado no Estado de Bolívar, na Venezuela, onde o UNICEF distribuiu vacinas contra a pólio, a febre amarela, o tétano e a tuberculose, em 2 de julho de 2020.

Genebra/Nova Iorque, 15 de julho de 2020 – A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alertaram hoje sobre um declínio alarmante no número de crianças que recebem vacinas vitais em todo o mundo. Isso ocorre devido a interrupções na entrega e na aceitação dos serviços de imunização causadas pela pandemia de Covid-19. De acordo com novos dados da OMS e da UNICEF, essas interrupções ameaçam reverter o progresso conquistado com muito esforço para alcançar mais crianças e adolescentes com uma gama mais ampla de vacinas, o que já vem sendo dificultado por uma década de cobertura estagnada.

Os dados mais recentes sobre estimativas de cobertura de vacinas da OMS e do UNICEF para 2019 mostram que melhorias como a expansão da vacina contra o HPV para 106 países e maior proteção para crianças contra mais doenças estão em perigo de decair. Por exemplo, dados preliminares para os primeiros quatro meses de 2020 apontam para uma queda substancial no número de crianças que completam três doses da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP3). É a primeira vez em 28 anos que o mundo vê uma redução na cobertura de DTP3 – o marcador da cobertura de imunização dentro e entre países.

"As vacinas são uma das ferramentas mais poderosas da história da saúde pública e agora mais crianças estão sendo imunizadas do que nunca", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. "Mas a pandemia colocou esses ganhos em risco. O sofrimento e a morte evitáveis de crianças que perdem as imunizações de rotina podem ser muito maiores do que a própria Covid-19. Mas não tem que ser assim. As vacinas podem ser entregues com segurança, mesmo durante a pandemia, e estamos pedindo aos países que garantam a continuidade desses programas essenciais para salvar vidas".

Interrupções por cauda da Covid-19
Devido à pandemia de Covid-19, pelo menos 30 campanhas de vacinação contra o sarampo estavam ou estão em risco de ser canceladas, o que poderá resultar em novos surtos em 2020 e além. De acordo com uma nova pesquisa de pulso do UNICEF, da OMS e da Gavi, realizada em colaboração com os Centros de Controle de Doenças dos EUA, o Sabin Vaccine Institute e a Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, três quartos dos 82 países que responderam relataram interrupções relacionadas à Covid-19 em seus programas de imunização em maio de 2020.

Os motivos dos serviços interrompidos variam. Mesmo quando os serviços são oferecidos, as pessoas não podem acessá-los devido a relutância em sair de casa, interrupções de transporte, dificuldades econômicas, restrições de movimento ou medo de ser expostas a pessoas com Covid-19. Muitos profissionais de saúde também estão indisponíveis devido a restrições de viagens ou desdobramento de tarefas de resposta à Covid-19, além da falta de equipamento de proteção.

"A Covid-19 fez da vacinação de rotina um desafio assustador", disse a diretora executiva do UNICEF, Henrietta Fore. "Precisamos evitar uma deterioração adicional na cobertura da vacina e retomar com urgência os programas de vacinação antes que a vida das crianças seja ameaçada por outras doenças. Não podemos trocar uma crise de saúde por outra". 

Taxa de cobertura global estagnada
O progresso na cobertura de imunização estava estagnado antes da chegada da Covid-19, 85% para as vacinas contra DTP3 e sarampo. A probabilidade de uma criança nascida hoje ser totalmente vacinada com todas as vacinas recomendadas globalmente até os 5 anos de idade é inferior a 20%.

Em 2019, quase 14 milhões de crianças perderam vacinas vitais, como sarampo e DTP3. A maioria dessas crianças vive na África e provavelmente não terá acesso a outros serviços de saúde. Dois terços delas estão concentrados em 10 países de renda média e baixa: Angola, Brasil, Etiópia, Filipinas, Índia, Indonésia, México, Nigéria, Paquistão e República Democrática do Congo. As crianças nos países de renda média representam uma parcela crescente do ônus.

Progresso e desafios, por país e região
Houve algum progresso. A cobertura regional da terceira dose de DTP na Ásia Meridional aumentou 12 pontos percentuais nos últimos 10 anos, principalmente na Índia, no Nepal e no Paquistão. No entanto, esse progresso conquistado com dificuldade poderá ser desfeito por interrupções relacionadas à Covid-19. Países que registraram progressos significativos, como Etiópia e Paquistão, agora também correm o risco de retroceder se os serviços de imunização não forem restaurados o mais rápido possível.

A situação é especialmente preocupante para a América Latina e o Caribe, onde a cobertura historicamente alta caiu na última década. No Brasil, na Bolívia, no Haiti e na Venezuela, a cobertura vacinal caiu em pelo menos 14 pontos percentuais desde 2010. Esses países também estão agora enfrentando interrupções moderadas a graves relacionadas à Covid-19.

Enquanto a comunidade global de saúde tenta recuperar o terreno perdido devido a interrupções relacionadas à Covid-19, o UNICEF e a OMS estão apoiando os países em seus esforços para reimaginar a imunização e reconstruir melhor ao:

  • Restaurar serviços para que os países possam prestar serviços de imunização de rotina com segurança durante a pandemia de Covid-19, seguindo as recomendações de higiene e distanciamento físico e fornecendo equipamentos de proteção aos profissionais de saúde;
  • Ajudar os profissionais de saúde para que se comuniquem ativamente com os cuidadores para explicar como os serviços foram reconfigurados para garantir a segurança;
  • Retificar a cobertura e as lacunas de imunidade;
  • Expandir serviços de rotina para alcançar comunidades esquecidas, onde vivem algumas das crianças mais vulneráveis.


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Nota para editores
Download de fotos , do relatório, de arquivos de dados e b-roll do UNICEF aqui e da OMS aqui. Leia a análise dos dados, Are we losing ground? (disponível em inglês)

Sobre os dados
Estimativas sobre a cobertura de imunização 2019
Todos os anos, o UNICEF e a OMS produzem uma nova rodada de estimativas de cobertura de imunização para 195 países, permitindo uma avaliação crítica de como estamos indo para alcançar todas as crianças com vacinas vitais. Além de produzir as estimativas de cobertura de imunização para 2019, o processo de estimativa da OMS e do UNICEF revisa toda a série histórica de dados de imunização com as informações mais recentes disponíveis. A revisão de 2019 abrange 39 anos de estimativas de cobertura, de 1980 a 2019. A cobertura DTP3 é usada como um indicador para avaliar a proporção de crianças vacinadas e é calculada para crianças com menos de 1 ano de idade. O número estimado de crianças vacinadas é calculado usando dados da população fornecidos pelas Perspectivas da População Mundial de 2019 (WPP) da ONU. Fact sheet (disponível em inglês)

Pesquisa de pulso sobre imunização, junho de 2020
A nova pesquisa de pulso do UNICEF, da OMS e da Gavi foi realizada em colaboração com os Centros de Controle de Doenças dos EUA, o Sabin Vaccine Institute e a Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, em junho de 2020. Entrevistados de 82 países, incluindo 14 com menos de 80% taxas de cobertura vacinal em 2019, relataram sobre interrupções nos serviços de imunização devido à Covid-19 em maio de 2020. A pesquisa de pulso de imunização online recebeu respostas de 260 especialistas em imunização, incluindo representantes dos Ministérios da Saúde, de universidades e de organizações globais de saúde em 82 países. Uma pesquisa de pulso anterior, realizada em abril, recebeu 801 respostas de 107 países, mostrou que a interrupção dos programas de imunização de rotina já era generalizada e afetava todas as regiões. 64% dos países representados nessa pesquisa indicaram que as imunizações de rotina foram interrompidas ou mesmo suspensas.

Sobre a OMS
A Organização Mundial da Saúde fornece liderança global em saúde pública dentro do sistema das Nações Unidas. Fundada em 1948, a OMS trabalha com 194 Estados membros, em seis regiões e em mais de 150 escritórios, para promover a saúde, manter o mundo seguro e servir os vulneráveis. Seu objetivo para 2019-2023 é garantir que um bilhão a mais de pessoas tenham cobertura universal de saúde, proteger um bilhão a mais de emergências de saúde e proporcionar a mais um bilhão de pessoas melhor saúde e bem-estar.

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Sobre o UNICEF
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) trabalha em alguns dos lugares mais difíceis do planeta, para alcançar as crianças mais desfavorecidas do mundo. Em 190 países e territórios, o UNICEF trabalha para cada criança, em todos os lugares, para construir um mundo melhor para todos.

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