O progresso na prevenção e no tratamento do HIV para crianças, adolescentes e mulheres grávidas quase estagnou nos últimos anos

Uma estagnação sem precedentes se soma a uma lacuna existente e crescente no tratamento entre crianças e adultos

28 novembro 2022
Foto mostra os pés de uma criança
UNICEF/UN0742947/Schermbrucker

Nova Iorque, 28 de novembro de 2022 – Cerca de 110 mil meninas e meninos de até 19 anos morreram de causas relacionadas à aids em 2021, de acordo com o mais recente relatório global do UNICEF sobre crianças, HIV e aids. Enquanto isso, outros 310 mil foram infectados recentemente, elevando o número total de jovens vivendo com HIV para 2,7 milhões.

Às vésperas Dia Mundial da Aids, o UNICEF alerta que o progresso na prevenção e no tratamento do HIV para crianças, adolescentes e mulheres grávidas quase estagnou nos últimos três anos, e que muitas regiões ainda não atingiram a cobertura de atendimento que tinham antes da pandemia de covid-19. Isso se soma a uma lacuna existente e crescente no tratamento entre crianças e adultos.

“Embora as crianças tenham ficado muito atrás dos adultos na resposta à aids, a estagnação observada nos últimos três anos é sem precedentes, colocando muitas vidas jovens em risco de doença e morte”, disse Anurita Bains, chefe associada de HIV/aids do UNICEF. “As crianças estão caindo através das rachaduras porque estamos falhando coletivamente em encontrá-las, testá-las e colocá-las em tratamento que salva vidas. A cada dia que passa sem progresso, mais de 300 crianças e adolescentes perdem a luta contra a aids”.

Apesar de representarem apenas 7% do total de pessoas vivendo com HIV, crianças e adolescentes representaram 17% de todas as mortes relacionadas à aids e 21% de novas infecções por HIV em 2021. A menos que os principais fatores das desigualdades sejam abordados, adverte o UNICEF, acabar com a aids em crianças e adolescentes continuará a ser um sonho distante.

No entanto, o relatório aponta que as tendências de longo prazo permanecem positivas. Novas infecções por HIV entre crianças e adolescentes mais novos (até 14 anos) caíram 52% de 2010 a 2021, e novas infecções entre adolescentes e jovens entre 15 e 19 anos de idade também caíram 40%. Da mesma forma, a cobertura do tratamento antirretroviral (Tarv) vitalício entre mulheres grávidas vivendo com HIV aumentou de 46% para 81% em uma única década.

Enquanto o número total de crianças vivendo com HIV está diminuindo, a lacuna de tratamento entre crianças e adultos continua a crescer. Nos países prioritários para HIV do UNICEF, a cobertura de Tarv para crianças ficou em 56% em 2020, mas caiu para 54% em 2021. Esse declínio se deve a vários fatores, incluindo a pandemia de covid-19 e outras crises globais, que aumentaram a marginalização e a pobreza, mas também é um reflexo da diminuição da vontade política e de uma resposta debilitante à aids em crianças. Globalmente, uma porcentagem ainda menor de crianças vivendo com HIV teve acesso ao tratamento (52%), que aumentou apenas marginalmente nos últimos anos.

Enquanto isso, a cobertura entre todos os adultos vivendo com HIV (76%) foi mais de 20 pontos percentuais maior do que entre as crianças. A diferença era ainda maior entre crianças e gestantes vivendo com HIV (81%). De forma alarmante, a porcentagem de crianças de até 4 anos de idade vivendo com HIV e não recebendo Tarv aumentou nos últimos sete anos, subindo para 72% em 2021, tão alto quanto em 2012.

Muitas regiões – Ásia e Pacífico, Caribe, África Oriental e Meridional, América Latina, Oriente Médio e Norte da África e África Ocidental e Central – também experimentaram quedas na cobertura de tratamento para mulheres grávidas e lactantes durante 2020, com a Ásia e o Pacífico, Oriente Médio e Norte da África registrando novos declínios em 2021. Exceto pela África Ocidental e Central, que continua registrando a maior carga de transmissão de mãe para filho, nenhuma das regiões mencionadas recuperou os níveis de cobertura alcançados em 2019. Essas interrupções colocam a vida dos recém-nascidos em maior risco. Em 2021, mais de 75 mil novas infecções infantis ocorreram porque as mulheres grávidas não foram diagnosticadas e não iniciaram o tratamento.

“Com compromisso político renovado para alcançar os mais vulneráveis, parceria estratégica e recursos para ampliar os programas, podemos acabar com a aids em crianças, adolescentes e mulheres grávidas”, disse Bains.

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Notas aos editores:

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