Migrantes e refugiados recebem itens de higiene para se proteger do coronavírus

A confirmação da Covid-19 entre a população migrante venezuelana acelera a resposta para conter a disseminação da doença. UNICEF distribuiu álcool em gel e sabonetes

28 abril 2020
Foto mostra uma mulher com um bebê no colo parada em frente a uma mesa, onde estão sentadas duas mulheres. Elas estão num pátio.
UNICEF Brasil
Mãe recebe sabonetes na ocupação Criança Feliz, em Boa Vista, Roraima. O acesso a água e o saneamento são precários no local e nas demais ocupações espalhadas pela cidade.

Boa Vista, 28 de abril de 2020 – O UNICEF trabalha com parceiros para evitar a transmissão do novo coronavírus entre a população migrante venezuelana que se concentra hoje na Região Norte do Brasil, principalmente nos Estados de Roraima, do Amazonas e do Pará. Na última semana, 250 potes de álcool em gel foram entregues às famílias de dois abrigos oficiais mantidos em Boa Vista (RR), onde duas crianças – uma de 6 meses e outra de 12 anos – foram confirmadas com a doença no fim da semana anterior.

Em ambos os locais – no abrigo indígena Janokoida, em Pacaraima, fronteira com a Venezuela, e São Vicente, em Boa Vista –, as famílias foram sensibilizadas para manter os mecanismos de prevenção, o distanciamento social e ter especial cuidado com a pessoas do grupo de risco, como os idosos.

Também como reforço às ações de higiene que podem frear o avanço da doença, 27 mil sabonetes foram distribuídos no começo do mês a migrantes e refugiados na capital de Roraima. Eles beneficiam nove mil famílias, sendo que um terço vive nas ruas ou ocupações informais espalhadas pela cidade.

Um exemplo é a ocupação Criança Feliz, a primeira a receber as doações de sabonetes. Lá vivem 360 pessoas, sendo 130 crianças e adolescente com acesso restrito a água potável, saneamento, saúde e itens de higiene – o que torna as famílias particularmente vulneráveis aos impactos imediatos e secundários de doenças infecciosas como a Covid-19.

“Precisamos ter um olhar adaptado a cada contexto em que vivem crianças e adolescentes neste momento, para garantir que o enfrentamento ao coronavírus seja efetivo em cada um deles. Para isso, a população migrante, que está em situação de vulnerabilidade, precisa ter acesso aos recursos básicos de higiene e informação de qualidade”, explica o especialista em Água e Saneamento do Escritório de Emergência do UNICEF em Roraima, Delmo Vilela.

Transferência de Renda – Em Boa Vista, mais de seis mil pessoas vivem nos 11 abrigos oficiais da Operação Acolhida, resposta coordenada pelo governo federal em parceria com agências da ONU e a sociedade civil.

Com essa população, o UNICEF mantém uma intervenção baseada em transferência de renda (CBI, na sigla em inglês) para que, por meio de um cartão eletrônico recarregado mensalmente, a população possa comprar itens de higiene. Desde janeiro, com o apoio do parceiro Adra, o projeto está sendo estendido às famílias das ocupações espontâneas, onde as condições são particularmente precárias.

Na próxima semana, terá início a instalação de estruturas de armazenamento de água e de lavagem de mãos nessas ocupações informais.  

Migração – A disseminação da Covid-19 representa uma ameaça adicional ao futuro de crianças e adolescentes migrantes e refugiados. Com o agravamento da crise econômica e social na Venezuela nos últimos anos, o Brasil registrou mais de 253 mil solicitações de refúgio e de residência temporária de cidadãos venezuelanos entre 2015 e novembro de 2019.

A plataforma R4V (Resposta a Venezuelanos e Venezuelanas) confirma 12 casos de Covid-19 entre refugiados e migrantes da Venezuela, incluindo a morte de um warao em Belém. Além disso, 59 venezuelanos estão isolados com casos suspeitos (três em Pacaraima, 47 em Boa Vista e nove em Manaus).

Para se preparar para o surto de coronavírus, um hospital de campanha – chamado de Área de Proteção e Cuidados – foi erguido para atender a população migrante e local, com capacidade para o atendimento de até 1,2 mil pessoas quando totalmente em operação.

Contatos para a imprensa

Pedro Ivo Alcantara
Especialista em Comunicação
UNICEF Brasil
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Sobre o UNICEF
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