Mais de 4 milhões de crianças menores de 5 anos têm excesso de peso na América Latina e no Caribe

Na região, a prevalência do excesso de peso infantil, incluindo a sua forma mais grave, a obesidade, está acima da média global, alerta o último relatório regional do UNICEF

31 agosto 2023

Cidade do Panamá, 31 de agosto de 2023 – Um novo relatório do UNICEF mostra que, na América Latina e no Caribe, o excesso de peso afeta mais de 4 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade e quase 50 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos. O relatório “Excesso de peso na infância em ascensão. Será tarde demais para virar a maré na América Latina e no Caribe?” (disponível apenas em espanhol e inglês) apresenta os dados mais recentes e as tendências regionais sobre o excesso de peso infantil e destaca a resposta do UNICEF em toda a região. O relatório também fornece recomendações para políticas públicas e para o setor privado, incluindo ações de sensibilização para diferentes fases da vida e para a prevenção do excesso de peso infantil.

As tendências regionais são alarmantes e representam um grave problema de saúde pública para a América Latina e o Caribe. A prevalência do excesso de peso infantil (incluindo a sua forma grave, a obesidade) está atualmente acima da média global e, nas últimas duas décadas, aumentou a um ritmo contínuo.

Nas crianças com menos de 5 anos de idade, a prevalência de excesso de peso aumentou de 6,8% (3,9 milhões) em 2000 para 8,6% (4,2 milhões) em 2022, com a média global situando-se nos 5,6%. Em crianças e adolescentes dos 5 aos 19 anos, a prevalência de excesso de peso aumentou de 21,5% (35 milhões) em 2000 para 30,6% (49 milhões) em 2016 (com a média global de 18,2%).

As evidências mostram que o excesso de peso impede que crianças e adolescentes se desenvolvam e prosperem de maneira ideal. Crianças com sobrepeso ou obesidade correm maior risco de continuar a ter essas condições na idade adulta, bem como de desenvolver doenças não transmissíveis (como diabetes, doenças cardiovasculares, hipertensão e certos tipos de câncer) e de ter uma expectativa de vida mais curta .

“Todos deveríamos estar preocupados com o aumento das taxas de excesso de peso em crianças e adolescentes na América Latina e no Caribe. Estamos bem conscientes de que, quando a obesidade infantil continua na idade adulta, pode causar doenças crônicas que geram um elevado fardo econômico para as famílias e os países da nossa região. A forma mais econômica de acabar com essa emergência de saúde pública é a prevenção durante a primeira infância e a adolescência”, afirmou Garry Conille, diretor regional do UNICEF para a América Latina e o Caribe.

Um dos principais determinantes do excesso de peso infantil são os ambientes alimentares obesogênicos, que promovem o consumo de produtos não saudáveis e ultraprocessados (ricos em açúcar, gordura e sal) e limitam a atividade física. Esses ambientes estão espalhados por toda a região, especialmente nas áreas urbanas, onde se estima que vivam mais de 165 milhões de crianças e adolescentes. A exposição repetida a ambientes alimentares obesogênicos influencia as preferências pessoais, as escolhas alimentares e os hábitos alimentares pouco saudáveis, bem como a inatividade física em crianças, adolescentes e suas famílias, contribuindo para o excesso de peso infantil.

O UNICEF reconhece que a prevenção do excesso de peso infantil deve ser um esforço coletivo e colabora com governos, organizações da sociedade civil, universidades, setor privado e outras agências das Nações Unidas para prevenir as causas do excesso de peso infantil. O UNICEF apoiou iniciativas em vários países e territórios da região destinadas a gerar provas científicas para a tomada de decisões baseadas nos direitos das crianças, bem como a melhorar os ambientes alimentares e a reforçar os quadros regulamentares, políticas e estratégias para prevenir o excesso de peso infantil. Além disso, o UNICEF tem promovido e apoiado ativamente a amamentação e defendido uma alimentação saudável e atividade física.

“Enfrentamos a tarefa urgente e coletiva de inverter a maré do excesso de peso infantil na América Latina e no Caribe. A partir de agora, devemos acelerar ainda mais a prevenção do excesso de peso nas primeiras fases da vida, colocando o bem-estar e a saúde de nossas crianças e nossos adolescentes acima de tudo”, acrescentou o diretor regional.

O UNICEF apela a todos os setores para que garantam que as crianças e os adolescentes da América Latina e do Caribe tenham acesso a uma nutrição saudável e prosperem. Juntos, devemos:

  1. Declarar a prevenção do excesso de peso infantil como uma prioridade nacional de saúde pública. Promover a contribuição de atores-chave como o setor público, a academia, a sociedade civil, o setor privado, o envolvimento de crianças e adolescentes como agentes de mudança; e promover a colaboração entre setores.
  2. Realizar uma análise nacional sobre o excesso de peso infantil e as suas causas; selecionar e implementar um pacote de intervenções abrangentes, baseadas em evidências e com boa relação custo-benefício, com uma abordagem dos direitos da criança; e promover a participação de adolescentes e jovens.
  3. Aumentar o investimento público e a alocação de recursos para a prevenção do excesso de peso infantil, incluindo sistemas de vigilância, monitorização e avaliação.
  4. Reforçar os quadros regulamentares, as políticas e os programas relacionados com a prevenção do excesso de peso infantil.
  5. Melhorar os ambientes alimentares, por meio da implementação de políticas alimentares para uma nutrição adequada e saúde infantil, e medidas eficazes para garantir o acesso e a acessibilidade a alimentos saudáveis para todas as famílias com crianças, especialmente aquelas com baixos rendimentos.

Contatos para a imprensa

Elisa Meirelles Reis
Oficial de Comunicação
UNICEF Brasil
Telefone: (61) 98166 1649
Fernanda Toyomoto
Oficial de Comunicação
UNICEF Brasil

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