Maioria dos venezuelanos no Brasil usa celular e acessa internet

30 janeiro 2020

Brasília, 30 de janeiro de 2020 – Cerca de 65% dos venezuelanos que estão no Brasil têm acesso a um telefone celular e 80% acessam a internet por diferentes dispositivos. Esse é um dos dados revelados pela pesquisa Análise Regional de Necessidades de Informação e Comunicação, feita pela Plataforma R4V em 15 países da América Latina e Caribe, incluindo o Brasil.

O documento visa identificar a melhor maneira de alcançar refugiados e migrantes da Venezuela na região e informá-los sobre seus direitos e assistência disponível.

Realizada com mais de 3 mil venezuelanas e venezuelanos no segundo semestre de 2019, a pesquisa mostrou que as fontes de informação mais acessadas são televisão, WhatsApp e Facebook. No entanto, essas mesmas fontes são apontadas como as menos confiáveis para se informar. A maioria confia, principalmente, nas informações de amigos, familiares e organizações humanitárias.

Entre a população venezuelana no Brasil, dois terços têm celular. Para a resposta humanitária, o desafio é alcançar o terço restante que não possui o aparelho. Aqueles que não têm celular disseram ter sido roubados, perdido o telefone durante o deslocamento, não ter dinheiro para comprá-lo ou ter quebrado o aparelho.

A pesquisa revelou ainda que, no geral, as mulheres venezuelanas em território brasileiro se sentem mais informadas do que os homens sobre direitos, serviços e assistência disponíveis. Elas também têm mais conhecimento sobre canais de queixas e denúncias do que os homens.

Diferentemente do cenário regional da América Latina e do Caribe, os venezuelanos no Brasil têm mais acesso a rádio e TV. Regionalmente, 30% dos venezuelanos disseram escutar rádio, enquanto no Brasil esse percentual é de 41%. Em relação à televisão, 67% dos entrevistados no Brasil assistem à TV, contra 45% da região latino-americana e caribenha.

Além de traçar os hábitos de comunicação, a pesquisa fez recomendações para aprimorar o acesso à informação da população entrevistada.

Uma das recomendações é aumentar o acesso a materiais atualizados e confiáveis, utilizando canais adequados de acordo com o perfil da população e às necessidades de informação. O objetivo é possibilitar o acesso por canais de comunicação de sua escolha, como WhatsApp e Facebook.

Realizada entre 5 de agosto e 15 de setembro de 2019, a pesquisa foi liderada pela Agência da ONU para Refugiados (Acnur) e pela Federação Internacional da Cruz Vermelha (IFRC) e contou com o apoio de 30 organizações da sociedade civil. O Brasil foi o segundo país com o maior número de pesquisas respondidas, somando 243.

A Plataforma Regional de Coordenação Interagencial para Refugiados e Migrantes da Venezuela (Plataforma R4V) é formada por 137 parceiros, entre eles, organizações da sociedade civil e agências do Sistema ONU. É liderada pelo Acnur e pela Organização Internacional para as Migrações (OIM). O intuito é responder, de maneira coordenada, ao fluxo de venezuelanos na América Latina e no Caribe. No Brasil, a Plataforma R4V é composta de 13 agências da ONU e 27 organizações da sociedade civil. A plataforma pode ser acessada pelo link www.r4v.info.

Confira mais detalhes sobre os dados do Brasil:

  • Cerca de 42% dos venezuelanos buscam informação na televisão, 34% no WhatsApp e 28% no Facebook.
  • 79% dos entrevistados identificam como fonte mais confiável de informação amigos e familiares e outros 33% confiam mais em agentes de organismos humanitários.
  • 60% dos entrevistados tiveram contato direto com trabalhadores humanitários. Desse total, 53% se sentem satisfeitos com o atendimento.
  • Segundo 52% dos venezuelanos entrevistados, a maior necessidade de informação é em relação a trabalho, inclusive para jovens entre 14 e 17 anos.
  • Cerca de 70% das mulheres e 52% dos homens afirmaram saber sobre direitos, serviços e assistência disponíveis.
  • Aproximadamente 52% das mulheres têm acesso a canais de queixas e denúncias, contra apenas 20% dos homens.
  • Cerca de 49% dos entrevistados recebem informação de sua comunidade ou bairro, contra 48% que não recebem e 3% que não quiseram responder. Em outros países, apenas 41% afirmaram receber informações da comunidade ou bairro onde estão morando.

Resultados regionais: América Latina e Caribe

  • De acordo com os dados coletados nos 15 países, os principais canais de comunicação e fontes de informação para refugiados e migrantes da Venezuela são Facebook e WhatsApp – semelhante aos resultados brasileiros.
  • A comunicação presencial com familiares, amigos e atores humanitários está igualmente entre as fontes mais confiáveis de informações, especialmente para quem está em deslocamento.
  • Regionalmente, cerca de 70% dos entrevistados têm acesso a um telefone celular, seja pessoal ou compartilhado. Assim como no Brasil, o fato traz o desafio de como alcançar as pessoas que não estão incluídas nesse grupo e não conseguem se comunicar por esse meio com amigos e familiares ou procurar e receber informações necessárias para sua inserção nas comunidades de acolhida.
  • As necessidades de comunicação permanecem consideráveis quando se nota que apenas uma em cada duas pessoas sente que está informada sobre seus direitos e onde encontrar assistência disponível.
  • Os países da América Latina e do Caribe acolhem cerca de 4,7 milhões de refugiados e migrantes da Venezuela. No Brasil, esse número passa de 250 mil venezuelanos.

Mais informações
Alan Azevedo – Acnur
Telefone: (11) 99650 1475

Contatos para a imprensa

Pedro Ivo Alcantara

Especialista em Comunicação

UNICEF Brasil

Telefone: (61) 3035 1947

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