Estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar é utilizada por comunidades quilombolas

No Maranhão, iniciativa ocorre em escolas públicas quilombolas para facilitar um diagnóstico amplo sobre a distorção idade-série e oferecer recomendações para o desenvolvimento de políticas educacionais de acesso, permanência e aprendizagem de estudantes

11 maio 2022

São Luís, 11 de maio de 2022 – Nesta quarta-feira (11/5), iniciam-se os ciclos de oficinas, em três comunidades quilombolas do Maranhão, para a etapa do diagnóstico da estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar. Essa estratégia, elaborada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), tem como objetivo apoiar municípios e estados na definição, implementação e avaliação de políticas e ações de superação do fracasso escolar e enfrentamento da reprovação, distorção idade-série e abandono escolar em alguns estados do País.

“Trajetórias de Sucesso Escolar permite ao poder público realizar um cuidadoso diagnóstico da situação dos efeitos da cultura do fracasso escolar, em especial sobre indicadores de distorção idade-série, reprovação e abandono escolar. Esse diagnóstico é feito analisando tanto os dados do Educacenso de cada escola, como também realizando uma escuta ativa dos gestores da educação, no âmbito do estado, do município e da própria escola, estudantes e professores das escolas, além de lideranças e organizações comunitárias. Esse processo dá condições de engajar toda a comunidade escolar no planejamento de uma escola que promova mais aprendizado, autonomia e bem-viver da comunidade escolar”, explica Matheus Rangel, oficial de Educação do UNICEF no Território Amazônico.

E a partir desse diagnóstico, a estratégia tem a intenção de auxiliar na proposição de políticas e ações de redesenho curricular, preferencialmente, para adolescentes que estão em atraso escolar, a fim de corrigir a distorção idade-série em que se encontram. É o que Socorro Guterres, secretária adjunta extraordinária de Igualdade Racial do Maranhão, explica sobre a promoção de políticas de igualdade racial no estado. “A educação é fundamental, sobretudo, para as comunidades quilombolas porque é uma política que permite, se for bem implementada nos municípios e pelo Estado, garantir que crianças e adolescentes tenham melhores condições de vida, sucesso na escola e na continuidade do seu processo educacional. A iniciativa [Trajetórias do Sucesso Escolar] possibilita não somente que se avalie o caminho dos adolescentes na escola e seus processos de aprendizagens, mas a discussão com os gestores públicos”.

Nesse cenário, no Maranhão, a atenção é direcionada à implementação das Diretrizes Curriculares Estaduais para a Qualidade da Educação Escolar Quilombola na Educação Básica pelas escolas quilombolas, e para aproximar as oficinas das escolas e comunidades, a Secretaria de Educação do Governo do Estado do Maranhão (Seduc), juntamente com o UNICEF, busca uma Educação Escolar Quilombola com atividades contínuas para que a comunidade escolar vivencie um currículo que dialogue com seus interesses e particularidades. “Isso deve ocorrer por meio de políticas que os assegure direitos ao conhecimento de sua própria história e origem, direito à educação que expresse demandas dessa população e contribua para uma inversão positivada do estigma construindo sobre os quilombolas maranhenses e a importância dos marcos normativos, para o fortalecimento do ensino e da aprendizagem dos estudantes quilombolas e da rede, imprimindo qualidade social na oferta e ampliando a frente de combate ao racismo, as discussões sobre as relações étnico-raciais, na formação dos professores, etc.”, esclarece Jocenilson Mendes Costa, supervisor de Modalidades e Diversidades Educacionais da Seduc no Maranhão.

As oficinas ocorrem entre os dias 11 e 12 de maio, em Itapecuru; 18 e 19 de maio, em Pinheiro; e 25 e 26 de maio, em Bacabal; e buscam analisar as condições para a implementação das Diretrizes Estaduais para a Educação Quilombola. “Em Itapecuru, Pinheiro e Bacabal, essas oficinas visam analisar as condições para a chegada em sala de aula das Diretrizes Estaduais para a Educação Quilombola. No Maranhão, esse processo ocorre por meio da estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar, no enfrentamento da cultura de fracasso escolar, combinação da reprovação, distorção idade-série e abandono escolar, com a construção entre escola, comunidade e adolescentes”, informa Ângelo Damas, especialista em Educação e Proteção do UNICEF Brasil.

A superação do fracasso escolar e a consequente promoção de trajetórias de sucesso escolar dependem do esforço coletivo e criativo de cada sujeito, em cada território. “Garantir que cada criança, cada adolescente matriculado na escola tenha uma trajetória de sucesso escolar é um dever social de cada cidadão e, ainda, um esforço coletivo. A participação de todos os sujeitos que estão direta e indiretamente envolvidos com a educação é fundamental para que se possam garantir a aprendizagem e o pleno desenvolvimento dos estudantes. Nesse sentido, destacam-se os gestores municipais e estaduais atuando de forma articulada, as equipes de direção das escolas, os professores, os estudantes, as famílias e a comunidade escolar e tudo o que o território puder oferecer. Juntos, esses sujeitos podem atuar para enfrentar o desafio da distorção idade-série e da construção de trajetórias de sucesso escolar”, reforça Ofelia Silva, chefe do escritório do UNICEF no Maranhão.

As etapas da estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar
Trajetórias de Sucesso Escolar é parte da Campanha Fora da Escola Não Pode, juntamente com a Busca Ativa Escolar, essa estratégia considera que a complexidade do problema do fracasso escolar e da distorção idade-série exige ações integradas em três níveis de gestão: das redes, da escola e da sala de aula. Nessa iniciativa, existem quatro etapas do processo de criação de uma proposta que atenda esses sujeitos (crianças e adolescentes em distorção idade-série). Apesar de descritas individualmente, essas etapas são complementares e interligadas, como também são interdependentes da atuação de todos os segmentos. Assim, definem-se como etapas: 1) Diagnóstico: etapa inicial do processo que busca visualizar e compreender a situação da rede em relação à distorção idade-série; 2) Planejamento: tem como foco organizar as ações que serão implementadas para realizar a etapa; 3) Adesão: etapa de convencimento em que os atores do processo são sensibilizados e mobilizados para a efetivação da proposta; e 4) Desenvolvimento: etapa em que se finaliza a elaboração e se implementam as propostas.

Além das taxas de distorção e índices de abandono e reprovação, o site Trajetórias de Sucesso Escolar disponibiliza recortes por gênero, raça e localidade que mostram as relações entre o atraso escolar e as desigualdades brasileiras.

Contatos para a imprensa

Ida Pietricovsky de Oliveira
Especialista em Comunicação
UNICEF Brasil
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Elizabeth da Costa Cavalcante
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Sobre o UNICEF
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) trabalha em alguns dos lugares mais difíceis do planeta, para alcançar as crianças mais desfavorecidas do mundo. Em mais de 190 países e territórios, o UNICEF trabalha para cada criança, em todos os lugares, para construir um mundo melhor para todos.

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