A crise global da fome está levando uma criança à desnutrição grave a cada minuto em 15 países

Antes da cúpula do G7, o UNICEF pede US$ 1,2 bilhão para atender às necessidades urgentes de 8 milhões de crianças em risco de morte por desnutrição aguda grave

23 junho 2022
Foto mostra o braço de um bebê sendo medido.
UNICEF/UN0660065/Cisse
Em 21 de junho de 2022, Abdoul Razack, de 6 meses, que sofre de desnutrição aguda grave, tem sua circunferência do braço medida em Kaya, Burkina Faso.

Nova Iorque, 23 de junho de 2022 – Quase 8 milhões de crianças menores de 5 anos em 15 países atingidos pela crise correm o risco de morte por desnutrição aguda grave, a menos que recebam alimentos e cuidados terapêuticos imediatos – e o número aumenta a cada minuto –, alertou o UNICEF hoje, enquanto os líderes mundiais se preparam para se reunir na cúpula do G7 .

Desde o início do ano, a escalada da crise alimentar global levou 260 mil crianças a mais – ou uma criança a cada 60 segundos – à desnutrição aguda grave em 15 países que sofrem o impacto da crise, inclusive no Chifre da África e no Sahel Central. Esse aumento na desnutrição aguda grave soma-se aos níveis existentes de desnutrição infantil que, segundo alerta do UNICEF no mês passado, constituem um “potencial barril de pólvora”.

“Estamos vendo agora o barril de pólvora que criou as condições para níveis extremos de desnutrição infantil aguda começar a pegar fogo”, disse a diretora executiva do UNICEF, Catherine Russell. “A ajuda alimentar é fundamental, mas não podemos salvar crianças famintas com sacos de trigo. Precisamos alcançar essas crianças agora com tratamento terapêutico antes que seja tarde demais”.

O aumento dos preços dos alimentos impulsionado pela guerra na Ucrânia, a seca persistente devido às mudanças climáticas em alguns países, às vezes combinadas com conflitos, e o impacto econômico contínuo da covid-19 continuam a aumentar a insegurança alimentar e nutricional das crianças em todo o mundo, resultando em níveis catastróficos de desnutrição grave em crianças menores de 5 anos. Em resposta, o UNICEF está intensificando seus esforços nos 15 países mais afetados. Afeganistão, Burkina Faso, Chade, Etiópia, Haiti, Iêmen, Madagascar, Mali, Níger, Nigéria, Quênia, República Democrática do Congo, Somália, Sudão e Sudão do Sul serão incluídos em um plano de aceleração para ajudar a evitar uma explosão de mortes na infância e mitigar os danos a longo prazo da desnutrição aguda grave.

Desnutrição aguda grave – quando crianças são muito magras para sua altura – é a forma mais visível e letal de desnutrição. O sistema imunológico enfraquecido aumenta o risco de morte entre crianças menores de 5 anos em até 11 vezes em comparação com crianças bem nutridas.

Nos 15 países, o UNICEF estima que pelo menos 40 milhões de crianças sofrem de insegurança nutricional grave, o que significa que não estão recebendo a dieta diversificada mínima necessária para crescer e se desenvolver na primeira infância. Além disso, 21 milhões de crianças sofrem de insegurança alimentar grave, o que significa que não têm acesso a alimentos suficientes para atender às necessidades alimentares mínimas, deixando-as em alto risco de desnutrição aguda grave.

Em paralelo, o preço dos alimentos terapêuticos prontos para uso para tratar a desnutrição aguda grave aumentou 16% nas últimas semanas devido a um aumento acentuado no custo da matéria-prima, deixando até 600 mil crianças adicionais sem acesso a tratamentos que salvam vidas e em risco de morte.

Enquanto os líderes mundiais se preparam para se reunir na cúpula do G7, o UNICEF está pedindo US$ 1,2 bilhão para:

  • Fornecer um pacote essencial de serviços e cuidados de nutrição para evitar o que poderia ser milhões de mortes infantis nos 15 países mais afetados, incluindo programas de prevenção para proteger a nutrição materna e infantil entre mulheres grávidas e crianças pequenas, detecção precoce e programas de tratamento para crianças com desnutrição aguda grave, e aquisição e distribuição de alimentos terapêuticos prontos para uso.
  • Priorizar a prevenção e o tratamento da desnutrição aguda grave em todos os planos globais de resposta à crise alimentar, garantindo que as alocações orçamentárias incluam intervenções nutricionais preventivas, bem como alimentos terapêuticos para atender às necessidades imediatas das crianças que sofrem de desnutrição aguda grave.

“É difícil descrever o que significa para uma criança estar com desnutrição aguda grave, mas, quando você conhece uma criança que sofre dessa forma mais letal de desnutrição, você entende – e nunca esquece”, disse Russell. “Os líderes mundiais reunidos na Alemanha para a Reunião Ministerial do G7 têm uma pequena janela de oportunidade para agir para salvar a vida dessas crianças. Não há tempo a perder. Esperar que a fome seja declarada é esperar que as crianças morram”.

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Notas para editores

A taxa de aumento da desnutrição infantil aguda é baseada em estimativas publicamente disponíveis para janeiro e junho de 2022, conforme encontrado nas estimativas do Grupo Nacional de Nutrição (Burkina Faso, Chade, Mali, Níger, Nigéria e República Democrática do Congo), Análises de Desnutrição Aguda de Classificação Integrada de Fase (Haiti, Iêmen, Madagascar, Quênia, Somália e Sudão do Sul), Apelos Humanitários para Crianças (Afeganistão, Etiópia) e Visão Geral das Necessidades Humanitárias (Sudão). O número total de crianças projetadas para sofrer de desnutrição aguda grave em janeiro e junho de 2022 foi estimado em 7.674.098 e 7.934.357, respectivamente, um aumento de 260.259 crianças a mais.

Como resultado da crise alimentar global, o UNICEF também estima que o custo do tratamento da desnutrição infantil aguda já aumentou cerca de 16%, impulsionado em grande parte pelos aumentos no preço dos produtos nutricionais essenciais e suas matérias-primas.

Contatos para a imprensa

Elisa Meirelles Reis
Oficial de Comunicação
UNICEF Brasil
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