Crianças vítimas em Gaza: “uma mancha crescente na nossa consciência coletiva”

O UNICEF pede um cessar-fogo imediato e um acesso contínuo e desimpedido à assistência humanitária

24 outubro 2023
Uma menina segura um bebê no colo no meio de uma rua com escombros de construções bombardeadas
UNICEF/UNI456105/Al-Buji

Nova Iorque/Amã, 24 de outubro de 2023 – Nos últimos 18 dias, a Faixa de Gaza testemunhou impactos devastadores para as suas crianças e seus adolescentes, com 2.360 vítimas mortais e 5.364 feridos devido a ataques implacáveis, ou mais de 400 meninas e meninos mortos ou feridos diariamente. Além disso, há relatos de que mais de 30 crianças israelenses perderam a vida e dezenas permanecem em cativeiro na Faixa de Gaza. Esse período de 18 dias é a escalada de hostilidades mais mortífera na Faixa de Gaza e em Israel que a ONU testemunhou desde 2006.

Quase todos os meninos e meninas na Faixa de Gaza foram expostos a acontecimentos e traumas profundamente angustiantes, marcados por destruição generalizada, ataques implacáveis, deslocamentos e grave escassez de bens de primeira necessidade, como alimentos, água e medicamentos.

“O assassinato e a mutilação de crianças e adolescentes, o rapto de meninas e meninos, os ataques a hospitais e escolas e a negativa do acesso humanitário constituem graves violações dos direitos das crianças e dos adolescentes”, afirmou Adele Khodr, diretora regional da UNICEF para o Médio Oriente e o Norte de África. “O UNICEF pede urgentemente a todas as partes para que concordem com um cessar-fogo, permitam o acesso humanitário e libertem todos os reféns. Até as guerras têm regras. Os civis devem ser protegidos – especialmente as crianças e os adolescentes – e todos os esforços devem ser feitos para poupá-los em todas as circunstâncias”.

A Cisjordânia também testemunhou um aumento alarmante no número de vítimas, com o relato de quase uma centena de palestinos perdendo a vida, incluindo 28 crianças e adolescentes, e pelo menos 160 meninas e meninos feridos. Mesmo antes dos trágicos acontecimentos de 7 de outubro de 2023, as crianças e os adolescentes na Cisjordânia já enfrentavam os níveis mais elevados de violência relacionada com o conflito em duas décadas, resultando na perda de 41 crianças e adolescentes palestinos e de seis crianças e adolescentes israelenses até agora neste ano.

“A situação na Faixa de Gaza é uma mancha crescente na nossa consciência coletiva. A taxa de mortalidade e ferimentos de crianças e adolescentes é simplesmente impressionante”, disse Khodr. “Ainda mais assustador é o fato de que, a menos que as tensões sejam aliviadas, e a menos que a ajuda humanitária seja permitida, incluindo alimentos, água, suprimentos médicos e combustível, o número diário de mortes continuará a aumentar”.

O combustível é de extrema importância para o funcionamento de instalações essenciais, como hospitais, usinas de dessalinização e estações de bombeamento de água. As unidades de terapia intensiva neonatal abrigam mais de 100 recém-nascidos, alguns dos quais estão em incubadoras e dependem de ventilação mecânica, tornando o fornecimento ininterrupto de energia uma questão de vida ou morte.

Toda a população da Faixa de Gaza, composta por quase 2,3 milhões de pessoas, enfrenta uma terrível e premente falta de água, que acarreta graves consequências para as crianças e os adolescentes, cerca de 50% da população. A maioria dos sistemas de água foi gravemente afetada ou tornou-se inoperacional devido a uma combinação de fatores, incluindo escassez de combustível e danos em infraestruturas vitais de produção, tratamento e distribuição. Atualmente, a capacidade de produção de água representa apenas 5% da sua produção diária habitual.

Grupos populacionais vulneráveis recorrem a fontes de água não potável, incluindo água de elevada salinidade e qualidade salobra proveniente de poços agrícolas. Para agravar a questão, as cinco estações de tratamento de águas residuais de Gaza cessaram as operações, principalmente devido à escassez de combustível, o que levou à descarga de mais de 120 mil metros cúbicos de águas residuais no mar.

“As imagens de crianças e adolescentes sendo resgatados dos escombros, feridos e em perigo, enquanto tremem nos hospitais à espera de tratamento, retratam o imenso horror que esses meninos e meninas estão suportando. Mas sem acesso humanitário, as mortes causadas por ataques poderão ser a ponta do iceberg”, disse Khodr. “O número de mortes aumentará exponencialmente se as incubadoras começarem a falhar, se os hospitais fecharem, se as crianças e os adolescentes continuarem a beber água imprópria e não tiverem acesso a medicamentos quando ficarem doentes”.

Para responder à terrível situação das crianças na Faixa de Gaza, o UNICEF pede:

  • Um cessar-fogo humanitário imediato.
  • Todas as passagens de acesso a Gaza abertas para um acesso seguro, contínuo e desimpedido à ajuda humanitária, incluindo água, alimentos, suprimentos médicos e combustível.
  • Casos médicos urgentes em Gaza com permissão para sair ou receber serviços de saúde essenciais.
  • Respeito e proteção às infraestruturas civis, tais como abrigos e escolas, e instalações de saúde, eletricidade, água e saneamento, para evitar a perda de vidas de civis e crianças e adolescentes, surtos de doenças, e para prestar cuidados aos doentes e feridos.

Contatos para a imprensa

Elisa Meirelles Reis
Oficial de Comunicação
UNICEF Brasil
Telefone: (61) 98166 1649
Luana Ribeiro Piotto
Oficial de Comunicação
UNICEF Brasil

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