Covid-19, ‘maior crise global para crianças em nossos 75 anos de história’ – UNICEF

Em seu 75º aniversário, UNICEF avisa que a covid-19 está revertendo praticamente todos os progressos para a infância, incluindo 100 milhões de crianças levadas à pobreza

09 dezembro 2021
Foto mostra o menino Mg Thu Wai Htut, 3 anos, sendo atendido pelo Programa de Alimentação Terapêutica Ambulatorial apoiado pelo UNICEF em Myanmar. Uma profissional de saúde usando máscara mede o braço do menino com uma fita. Ele está olhando para a câmera. Atrás dele estão uma mulher usando máscara e um menino pequeno.
UNICEF/UN0556774/Htet
Em 12 de novembro de 2021, Mg Thu Wai Htut, 3 anos, está sendo atendido pelo Programa de Alimentação Terapêutica Ambulatorial apoiado pelo UNICEF em Myanmar.

Nova Iorque, 9 de dezembro de 2021 – A covid-19 afetou meninas e meninos em uma escala sem precedentes, tornando-se a pior crise para as crianças nos 75 anos de história do UNICEF, disse a agência da ONU para a infância em um relatório divulgado hoje.

O relatório Preventing a lost decade: Urgent action to reverse the devastating impact of COVID-19 on children and young people (Prevenindo uma década perdida: Ação urgente para reverter o impacto devastador da covid-19 sobre crianças e jovens – disponível somente em inglês) destaca as várias maneiras pelas quais a covid-19 está colocando em perigo décadas de progresso em desafios-chave da infância, como pobreza, saúde, acesso à educação, nutrição, proteção infantil e bem-estar mental. Ele adverte que, quase dois anos após o início da pandemia, o impacto generalizado da covid-19 continua a se aprofundar, aumentando a pobreza, consolidando a desigualdade e ameaçando os direitos das crianças em níveis nunca antes vistos.

“Ao longo de nossa história, o UNICEF ajudou a moldar ambientes mais saudáveis e seguros para as crianças em todo o mundo, com ótimos resultados para milhões”, disse a diretora executiva do UNICEF, Henrietta Fore. “Esses ganhos agora estão em risco. A pandemia de covid-19 tem sido a maior ameaça ao progresso das crianças em nossos 75 anos de história. Enquanto o número de crianças famintas, fora da escola, que sofrem abusos, vivendo na pobreza ou forçadas ao casamento está aumentando, o número de crianças com acesso a cuidados de saúde, vacinas, alimentação suficiente e serviços essenciais está diminuindo. Em um ano em que deveríamos estar olhando para frente, estamos retrocedendo”.

Segundo o relatório, estima-se que 100 milhões de crianças a mais estejam agora vivendo em pobreza multidimensional por causa da pandemia, um aumento de 10% desde 2019. Isso corresponde a aproximadamente 1,8 crianças a cada segundo desde meados de março de 2020. Além disso, o relatório adverte sobre um longo caminho para recuperar o terreno perdido – mesmo na melhor das hipóteses, serão necessários de sete a oito anos para a recuperação e o retorno aos níveis de pobreza infantil de antes da pandemia.

Citando mais evidências de retrocesso, o relatório diz que cerca de 60 milhões de crianças adicionais estão agora residindo em domicílios pobres, em comparação com antes da pandemia. Além disso, em 2020, mais de 23 milhões de crianças perderam vacinas essenciais – um aumento de quase 4 milhões em relação a 2019, e o maior número em 11 anos.

Mesmo antes da pandemia, cerca de 1 bilhão de crianças em todo o mundo sofriam pelo menos uma privação grave, sem acesso a educação, saúde, moradia, nutrição, saneamento ou água. Esse número está aumentando agora, à medida que a recuperação desigual acentua as disparidades crescentes entre crianças ricas e pobres, com as mais marginalizadas e vulneráveis sendo as mais afetadas. O relatório observa:

  • Em seu pior momento, mais de 1,6 bilhão de estudantes estiveram fora da escola devido ao fechamento dos estabelecimentos de ensino nos países. As escolas permaneceram fechadas em todo o mundo por quase 80% do ano letivo no primeiro ano da crise.
  • Condições relacionadas à saúde mental afetam mais de 13% de meninas e meninos de 10 a 19 anos em todo o mundo. Em outubro de 2020, a pandemia havia interrompido ou suspendido serviços essenciais de saúde mental em 93% dos países em todo o mundo.
  • Até 10 milhões de casamentos infantis adicionais podem ocorrer antes do final da década como resultado da pandemia de covid-19.
  • O número de crianças em situação de trabalho infantil aumentou para 160 milhões em todo o mundo – um aumento de 8,4 milhões de crianças nos últimos quatro anos. Um adicional de 9 milhões de crianças correm o risco de ser forçadas para o trabalho infantil até o final de 2022 como resultado do aumento da pobreza desencadeado pela pandemia.
  • No auge da pandemia, 1,8 bilhão de crianças viviam nos 104 países onde os serviços de prevenção e resposta à violência foram seriamente interrompidos.
  • 50 milhões de crianças sofrem de desnutrição aguda, a forma mais letal de desnutrição, e esse número pode aumentar em 9 milhões até 2022 devido ao impacto da pandemia na dieta infantil, nos serviços de nutrição e nas práticas alimentares.

Além da pandemia, o relatório alerta para outras ameaças às crianças que representam ameaças extremas aos seus direitos. Em todo o mundo, 426 milhões de crianças – quase uma em cada cinco – vivem em zonas de conflitos que estão se tornando mais intensos e cobrando um preço mais alto dos civis, afetando desproporcionalmente as crianças. Mulheres e meninas correm o maior risco de violência sexual relacionada a conflitos. Oitenta por cento de todas as necessidades humanitárias são motivadas por conflitos. Da mesma forma, aproximadamente 1 bilhão de crianças – quase metade das crianças do mundo – vivem em países que correm um "risco extremamente alto" com os impactos das mudanças climáticas.

Para responder, recuperar e reimaginar o futuro de cada criança, o UNICEF continua a pedir:

  • Investimento em proteção social, capital humano e gastos para uma recuperação inclusiva e resiliente;
  • O fim da pandemia e o reverso do retrocesso alarmante na saúde e nutrição das crianças – inclusive por meio do aproveitamento do papel vital do UNICEF na distribuição da vacina contra a covid-19;
  • Uma reconstrução mais forte, garantindo educação de qualidade, proteção e boa saúde mental para todas as crianças;
  • A construção de resiliência para melhor prevenir, responder e proteger as crianças das crises – incluindo novas abordagens para acabar com a fome, proteger as crianças das mudanças climáticas e reimaginar os gastos com desastres.

“Em uma era de pandemia, conflitos crescentes e mudanças climáticas cada vez piores, nunca uma abordagem que prioriza a criança foi mais crítica do que hoje”, disse Fore. “Nós estamos numa encruzilhada. À medida que trabalhamos com governos, doadores e outras organizações para começar a traçar nosso caminho coletivo para os próximos 75 anos, crianças devem ser as primeiras a receber investimentos e as últimas a sofrer cortes. A promessa do nosso futuro depende das prioridades que definimos no nosso presente”.

###

Notas para editores:

Relatório disponível para download aqui

Conteúdo multimídia disponível para download aqui

Contatos para a imprensa

Elisa Meirelles Reis
Oficial de Comunicação
UNICEF Brasil
Telefone: (61) 98166 1649
Ester Correa Coelho
Oficial de Comunicação
UNICEF Brasil
Telefone: (61) 99122 8671

Sobre o UNICEF
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) trabalha em alguns dos lugares mais difíceis do planeta, para alcançar as crianças mais desfavorecidas do mundo. Em mais de 190 países e territórios, o UNICEF trabalha para cada criança, em todos os lugares, para construir um mundo melhor para todos.

Acompanhe nossas ações no Facebook, Twitter, Instagram, YouTube, LinkedIn e TikTok.

Você também pode ajudar o UNICEF em suas ações. Faça uma doação agora.