Chefes globais do UNICEF e do PMA concluem visita de dois dias à Síria e observam impacto do conflito em crianças e famílias

Autoridades da ONU pedem a cessação das hostilidades e a proteção das crianças, pois o conflito está prestes a entrar no seu décimo ano

05 março 2020
A foto mostra crianças em uma sala de aula, ao lado delas estão um homem agachado e uma mulher meio curvada falando com as crianças
UNICEF/UNI308322/Sanadiki
Em 3 de março de 2020 na Síria, o diretor executivo do PMA, David Beasley (sentado, no centro), e a diretora executiva do UNICEF, Henrietta H. Fore (em pé, segundo da direita), visitam crianças da terceira série na escola Tal-Amara no sul rural de Idlib. Os estudantes de 9 anos não testemunharam nada além de conflito em sua vida, pois têm a mesma idade da crise. Muitos não foram capazes de se matricular na educação formal antes. Essa escola é a única escola primária na vila de Tal-Amara. Com o apoio do UNICEF, a escola está oferecendo educação formal a 130 crianças e um programa de aprendizado acelerado para crianças que perderam anos de educação. A escola também faz parte do Programa de Alimentação Escolar do PMA no subdistrito de Sinjar.

Damasco/Cairo/Amã/Nova Iorque/Roma, 5 de março de 2020 – Agora é mais urgente do que nunca acabar com a violência na Síria e melhorar o acesso em todo o país, disseram hoje a diretora executiva da UNICEF, Henrietta Fore, e o diretor executivo do Programa Mundial de Alimentos (PMA), David Beasley. Ao encerrar uma visita de dois dias ao país, os dois chefes das agências também enfatizaram a necessidade de fornecer às famílias serviços básicos e melhorar suas condições econômicas.

Sua viagem ocorre em meio a uma escalada perigosa no noroeste da Síria e, quando o conflito está prestes a entrar no seu décimo ano, deixando um terço do povo sírio com insegurança alimentar, uma em cada três crianças fora da escola e mais da metade de todas as instalações de saúde não funcionais.

"As crianças na Síria estão sofrendo o impacto de uma guerra impiedosa e continuarão sofrendo muito depois que as armas ficarem em silêncio", disse Henrietta Fore, diretora executiva do UNICEF. "Nos últimos nove anos, escolas e hospitais foram bombardeados, famílias foram destruídas e vidas jovens foram perdidas. Mesmo em áreas distantes da linha de frente, as famílias estão lutando para alimentar suas crianças e reconstruir sua vida. Para os responsáveis por esse fracasso coletivo na Síria: a História vai julgá-los severamente".

Nove anos de guerra deixaram a economia da Síria quase em colapso, levando milhões de pessoas à fome e à insegurança alimentar. Entre 2018 e 2019, o número de pessoas com insegurança alimentar aumentou de 6,5 milhões para 7,9 milhões, e os preços dos alimentos aumentaram 60%.

"Os milhões de pessoas cuja vida foi destruída pela guerra não podem mais pôr comida na mesa, já que a economia síria sofreu uma queda nos últimos meses", disse David Beasley, diretor executivo do Programa Mundial de Alimentos. "O PMA está fornecendo assistência alimentar a mais de 7,5 milhões de pessoas na Síria e nos países vizinhos que, de outra forma, estariam por conta própria. A guerra deixou a Síria um país destruído e, acima de tudo, o povo precisa desesperadamente de paz".

Durante a viagem, Fore e Beasley visitaram uma escola, um centro de distribuição de alimentos e uma clínica de saúde em Sinjar, no sul de Idlib, a 30 quilômetros da linha de frente. Eles conheceram crianças de 9 anos que nasceram no ano em que a guerra começou e estão recuperando o aprendizado depois de anos perdidos. Eles também visitaram uma mulher que perdeu sua pequena empresa quando a guerra a forçou a deixar sua casa e agora depende da assistência do PMA para alimentar seus três irmãos mais novos que vivem com deficiência.

Mais ao norte em Idlib, a situação das crianças e das famílias se tornou ainda mais crítica: mais de meio milhão de crianças foram deslocadas nos últimos três meses, uma média de 6 mil. Cerca de 180 escolas estão fora de operação porque foram destruídas, danificadas ou estão sendo usadas como abrigo para famílias deslocadas. Os preços dos alimentos aumentaram 120% desde o ano passado.

Enquanto isso, no nordeste, dezenas de milhares de crianças continuam definhando em campos de desabrigados, privados dos serviços mais básicos, apesar dos esforços significativos dos parceiros humanitários. Cerca de 28 mil crianças de mais de 60 países, incluindo 20 mil do Iraque, permanecem presas no campo de Al Hol, rejeitadas por seus governos e evitadas por suas comunidades.

Em suas reuniões com funcionários do governo, Fore e Beasley renovaram o compromisso de suas agências de ajudar as crianças e famílias mais vulneráveis da Síria e fornecer educação, nutrição, saúde, serviços de proteção e alimentação.

Eles enfatizaram que a capacidade de deslocar funcionários e suprimentos através de linhas de conflito e além-fronteiras é fundamental para alcançar as populações mais necessitadas, principalmente porque 11 milhões de pessoas no país – 5 milhões delas crianças – precisam de assistência humanitária.

Os dois chefes das agências também pediram a proteção de crianças e da infraestrutura civil e a cessação das hostilidades no noroeste.

Fore falou ainda da necessidade de abordar a situação das crianças estrangeiras no nordeste, em consonância com a Convenção sobre os Direitos da Criança e os melhores interesses das crianças.

O UNICEF e o PMA estão trabalhando em conjunto na Síria para ajudar a prevenir e tratar a desnutrição, fortalecer a coleta de dados e fornecer alimentação escolar para manter as crianças na escola.

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