Adolescentes e jovens da periferia trazem propostas para secretários municipais do Rio

Numa iniciativa do UNICEF e Agência de Redes para Juventude, participantes do projeto Geração que Move discutem com gestores municipais da capital fluminense o direito à cidade em meio à pandemia

30 março 2021
print de tela de computador com videochamada com várias pessoas


Rio de Janeiro, 30 de março de 2021 – No último sábado (27/3), 30 adolescentes e jovens de diferentes favelas da Zona Norte e Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro se reuniram virtualmente com Renan Ferreirinha, secretário municipal de Educação, Laura Carneiro, secretária municipal de Assistência Social, Marcus Faustini, secretário municipal de Cultura, e Douglas Almeida, subsecretário municipal da Juventude, numa iniciativa do UNICEF e da Agência de Redes para Juventude. Participantes do projeto Geração que Move, o grupo apresentou ações protagonizadas por eles em suas comunidades nos últimos meses e trouxe perguntas e propostas para fortalecer a participação dos adolescentes e jovens na gestão municipal.

A garantia de oportunidades para adolescentes e jovens mais vulneráveis foi o ponto central da discussão. “Muito se fala de jovens e adolescentes ‘nem-nem’, que ‘não estudam, nem trabalham’, como se a decisão fosse deles. Propomos mudar essa visão para: ‘nem educação, nem trabalho’. É a realidade que fecha as portas”, explica Cesar Varella, 22, morador do complexo do Chapadão, na Pavuna.

“Com o projeto Geração que Move, buscamos exatamente fortalecer jovens e adolescentes mais vulneráveis no seu poder de participação. É uma geração que quer exercer o direito de se mover pela cidade com segurança e também ser reconhecida como protagonista de sua cidade”, aponta Luciana Phebo, chefe do escritório do UNICEF no Rio de Janeiro.

“Jovens e adolescentes são uma potência para seu território e para a cidade”, completa Veruska Delfino, da coordenação da Agência de Redes para Juventude. “Fizemos questão de encerrar um ciclo de 11 meses de trabalho com 40 jovens e adolescentes com este encontro com os gestores municipais para que possamos ter novos desdobramentos”.

Diálogo com os secretários – Para iniciar o diálogo, foi convidado a falar o subsecretário da Juventude da Cidade do Rio de Janeiro, Douglas Almeida. “No meio dos desafios da pandemia, as várias juventudes têm sonhos, mas também medos. Medo de morrer, de ficar desconectada, de ficar de fora. Queremos combater as causas desses medos”, resumiu Douglas. Ele anunciou que serão inauguradas cinco Casas da Juventude e a primeira delas será na Pavuna – notícia recebida com animação pelos jovens e adolescentes participantes do encontro.

Junto com Cesar, a jovem Moana Couto, 20 anos, trouxe propostas em nome do grupo. Entre elas, sugeriram que as novas Casas da Juventude dialoguem e trabalhem junto com os Centros de Referência da Juventude (do governo estadual) já existentes e muitos inativos.

Para Laura Carneiro, secretaria municipal de Assistência Social, o grupo perguntou como melhorar o acesso e a relação do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) com os jovens dos territórios das zonas Norte e Oeste. “Temos muito para fazer juntos”, afirmou a secretária. “É importante lembrar que cada um dos 47 Cras existentes na cidade tem um orientador voltado a adolescentes”. Ela destacou também o projeto Resenha contra a Covid-19 em que estão dialogando com as lideranças comunitárias para ajudar a enfrentar as fake news que se espalham pela comunidade.

Renan Ferreirinha, secretário municipal de Educação, por sua vez, recebeu uma pergunta sobre qual a estratégia da secretaria para atender estudantes que estão saindo do ensino fundamental para o ensino médio, ampliando a conectividade. Ferreirinha destacou o contexto da pandemia: “Temos o compromisso de que as escolas sejam as primeiras a reabrir – uma reabertura gradual e segura. Mas precisamos assumir que vamos ter uma realidade híbrida. Precisamos dos recursos digitais. 2020 foi um fracasso em democratizar o ensino remoto”. Ele concluiu pedindo ajuda dos jovens e adolescentes para pensar a escola do amanhã: “Precisamos de uma escuta ativa dos estudantes para termos políticas que façam sentido e tragam resultados”.

Nesse sentido, uma proposta concreta já foi trazida pelo grupo: fortalecer a conexão entre educação e cultura e criar, em uma escola da Zona Norte e outra da Zona Oeste, uma iniciativa piloto de formação e tutoria nas áreas técnicas da produção cultural.

O encontro se encerrou com a participação do secretário municipal de Cultura do Rio de Janeiro, Marcus Faustini, que foi perguntado sobre o programa do primeiro emprego para juventude na área da cultura. “Não temos neste momento uma cidade próspera, mas em reconstrução – o que abre uma grande chance de participação. Precisamos da juventude dando novo significado aos espaços culturais, como espaço de convivência e também de ajuda a resolver os problemas da comunidade”, explicou Faustini. Assim, ele destacou a proposta de promover a oportunidade de os jovens terem seu primeiro emprego na área da cultura, com isso começando a acontecer dentro da própria secretaria.

Sobre o Geração que Move – O Geração que Move é uma iniciativa do UNICEF em parceria global com a Fundação Abertis e Arteris e parceria técnica com a Agência de Redes para Juventude, no Rio de Janeiro. Durante os últimos 11 meses, um grupo de 10 jovens e 40 adolescentes participaram de mais 40 encontros virtuais de formação e criação de conteúdos e ações em suas comunidades. Entre outras ações, produziram vídeos e cards para falar com outros jovens e adolescentes sobre como se prevenir em relação ao novo coronavírus. Também alcançaram mais de 1.000 famílias vulneráveis em suas comunidades com doações de produtos de higiene, limpeza, cestas básicas, livros, além de produzir e distribuir informação confiável de como se prevenir contra a Covid-19. No início de 2021, o grupo se dedicou a organizar a ação “Direito Não é Favor”, com produção de lambes (cartazes) espalhados em pontos-chave de suas comunidades, fizeram seis murais e uma ativação digital para falar de sua dificuldade de acesso a direitos. Mais informações no @direitonaoefavor_rj

Sobre a Agência de Redes para Juventude – A Agência de Redes para Juventude é uma metodologia em ação desde 2011 pela organização da sociedade civil Avenida Brasil. Promove a possibilidade de criação de um novo espaço-tempo para os jovens que vivem em comunidades populares do Rio de Janeiro, estimulando-os para a invenção de um novo lugar na cidade, onde esses jovens sejam potentes e sujeitos criadores.

Contatos para a imprensa

Immaculada Prieto
Especialista em Comunicação
UNICEF Brasil
Telefone: (21) 98237 0856

Sobre o UNICEF
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) trabalha em alguns dos lugares mais difíceis do planeta, para alcançar as crianças mais desfavorecidas do mundo. Em 190 países e territórios, o UNICEF trabalha para cada criança, em todos os lugares, para construir um mundo melhor para todos.

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