2019 encerra dez anos mortais para crianças em conflito, com mais de 170 mil violações graves verificadas desde 2010

Ataques verificados contra crianças aumentaram três vezes desde 2010, uma média de 45 violações por dia

30 dezembro 2019
uma mulher, seu bebê e seu pai olham por um buraco na parede de casa
UNICEF/UN0187717/Sanadiki

Nova Iorque, 30 de dezembro de 2019 – As crianças continuam a pagar um preço mortal, à medida que os conflitos aumentam em todo o mundo, disse o UNICEF hoje. Desde o início de 2010, as Nações Unidas verificaram mais de 170 mil violações graves contra crianças em conflito – o equivalente a mais de 45 violações todos os dias nos últimos 10 anos.

O número de países em conflito é o mais alto desde a adoção da Convenção sobre os Direitos da Criança em 1989, com dezenas de conflitos armados violentos matando e mutilando crianças e forçando-as a partir de suas casas.

"Os conflitos em todo o mundo estão durando mais, causando mais derramamento de sangue e reivindicando mais vidas jovens", disse Henrietta Fore, diretora executiva do UNICEF. "Os ataques às crianças continuam inabaláveis, enquanto as partes em conflito desrespeitam uma das regras mais básicas da guerra: a proteção das crianças. Para cada ato de violência contra crianças que cria manchetes e gritos de indignação, há muitos mais que não são relatados".

Em 2018, a ONU verificou mais de 24 mil violações graves contra crianças, incluindo assassinatos, mutilações, violência sexual, raptos, negação de acesso humanitário, recrutamento de crianças e ataques a escolas e hospitais. Embora os esforços de monitoramento e elaboração de relatórios tenham sido fortalecidos, esse número é duas vezes e meia maior que o registrado em 2010.

Mais de 12 mil crianças foram mortas ou mutiladas em 2018. O uso contínuo e generalizado de ataques aéreos e armas explosivas, como minas terrestres, morteiros, artefatos explosivos improvisados, ataques com foguetes, bombas de fragmentação e projéteis de artilharia, causa a grande maioria dos danos em crianças em conflitos armados.

Os ataques e a violência contra crianças não cessaram ao longo de 2019. Durante a primeira metade do ano, a ONU verificou mais de 10 mil violações contra crianças – embora os números reais provavelmente sejam muito mais altos.

  • Em janeiro, violência, deslocamento e condições de inverno extremamente severas no norte e leste da Síria mataram pelo menos 32 crianças.
  • Em fevereiro, houve vários ataques violentos contra centros de tratamento de ebola no leste da República Democrática do Congo, com ataques continuando ao longo do ano.
  • Em março, mais de 150 pessoas, incluindo 85 crianças, foram mortas em um ataque de um grupo armado na vila de Ogossagou, na região de Mopti, no centro do Mali, com um outro ataque a Sobanou-Kou matando mais 24 crianças.
  • Em abril, 14 crianças foram mortas e 16 gravemente feridas por uma explosão perto de duas escolas em Sanaa, Iêmen, onde uma em cada cinco escolas não pode mais ser usada como resultado direto do conflito.
  • Em maio, o UNICEF pediu aos governos para que repatriassem crianças que fossem cidadãs de seus países ou que fossem filhas de seus cidadãos e estivessem presas em campos e centros de detenção no nordeste da Síria. Quase 28 mil crianças estrangeiras de mais de 60 países diferentes, incluindo quase 20 mil do Iraque, continuam presas no nordeste daquele país. No mesmo mês, houve relatos de crianças mortas e feridas em uma escalada de violência no estado de Rakhine, em Mianmar.
  • Em junho, três crianças foram usadas para detonar explosivos que mataram 30 pessoas e feriram outras 48 em um centro comunitário de observação de futebol em Konduga, Borno, Nigéria. Nas duas primeiras semanas de junho, pelo menos 19 crianças teriam sido mortas em meio a protestos no Sudão, com outras 49 feridas.
  • Em julho, dezenas de crianças foram feridas por uma explosão mortal que danificou uma escola em Cabul, Afeganistão. No final desse mês, 32 crianças foram libertadas de grupos armados da oposição no norte do Sudão do Sul, mas o UNICEF estima que milhares de crianças ainda sejam usadas por forças armadas e grupos armados no país.
  • Em um único final de semana de agosto, 44 civis teriam sido mortos devido a ataques aéreos no noroeste da Síria, incluindo 16 crianças e 12 mulheres.
  • Em setembro, o UNICEF informou que 2 milhões de crianças continuavam fora da escola no Iêmen, incluindo quase meio milhão que abandonaram as aulas desde que o conflito aumentou em março de 2015.
  • Em outubro, uma escalada de violência no nordeste da Síria matou 5 crianças e feriu 26 crianças. Isso elevou o número de crianças mortas na Síria nos primeiros 9 meses do ano para 657 crianças e o número de crianças feridas para 324.
  • Em novembro, o UNICEF disse que três anos de violência e instabilidade nas regiões noroeste e sudoeste dos Camarões deixaram mais de 855 mil crianças fora da escola e deslocaram 59 mil adolescentes.
  • No início de dezembro, cinco crianças foram mortas quando homens armados abriram fogo dentro de um local de culto em Burkina Faso. No leste da Ucrânia, onde quase meio milhão de crianças são afetadas pelo conflito, 36 ataques a escolas foram relatados neste ano, incluindo uma escola sendo danificada 15 vezes.
  • E, em meados de dezembro, o UNICEF disse que uma média de nove crianças foram mortas ou mutiladas no Afeganistão todos os dias nos primeiros nove meses de 2019.

O UNICEF apela a todas as partes em conflitos para que cumpram suas obrigações sob o direito internacional e ponham um fim imediatamente às violações contra crianças e aos ataques à infraestrutura civil, incluindo escolas, hospitais e infraestrutura de água. O UNICEF também pede aos Estados com influência sobre as partes em conflito que usem essa influência para proteger as crianças.

Em todos esses países, o UNICEF trabalha com parceiros para fornecer às crianças mais vulneráveis serviços de saúde, nutrição, educação e proteção infantil.

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Nota para editores
As seis violações graves são: assassinato e mutilação de crianças; recrutamento e uso de crianças por forças armadas e grupos armados; violência sexual contra crianças; ataques contra escolas ou hospitais; rapto de crianças; e negação do acesso humanitário para crianças.

Material multimídia disponível aqui: https://weshare.unicef.org/Package/2AMZIFI7QW8B

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