1 milhão de crianças afetadas pelo ciclone Idai e subsequentes inundações em Moçambique – números reais podem ser ainda piores

A diretora executiva do UNICEF encerra visita à área afetada da Beira uma semana após o ciclone

23 março 2019
um menino olha para a câmera, enquanto (à esquerda) a diretora executiva do UNICEF, Henrietta Fore, fala com pessoas deslocadas internamente durante sua visita a uma escola secundária usada para abrigar pessoas desalojadas pelo ciclone Idai.
UNICEF/UN0291720/Prinsloo
Em 22 de março de 2019, na Beira, em Moçambique, um menino olha para a câmera, enquanto (à esquerda) a diretora executiva do UNICEF, Henrietta Fore, fala com pessoas deslocadas internamente durante sua visita a uma escola secundária usada para abrigar pessoas desalojadas pelo ciclone Idai.

O UNICEF está arrecadando doações no Brasil. As contribuições podem ser feitas online – clique aqui para doar – ou pelo telefone 0800-9400404.

Beira/Maputo/Genebra/Nova Iorque, 23 de março de 2019 – "Estamos numa corrida contra o tempo para ajudar e proteger as crianças nas áreas devastadas pelo desastre em Moçambique", afirmou a diretora executiva do UNICEF, Henrietta Fore, no final de uma visita à Beira, uma das áreas mais afetadas pelo ciclone Idai.

De acordo com estimativas iniciais do governo, 1,8 milhão de pessoas em todo o país, incluindo 900 mil crianças, foram afetadas pelo ciclone que atingiu o país na semana passada. No entanto, muitas áreas ainda não são acessíveis e o UNICEF e seus parceiros no país sabem que os números finais serão muito mais elevados.

"A situação vai piorar antes de melhorar", disse Fore. "As agências de ajuda humanitária ainda estão começando a ver a escala do dano. Aldeias inteiras ficaram submersas, prédios desabaram e escolas e centros de saúde foram destruídos. Embora as operações de busca e salvamento continuem, é fundamental que tomemos todas as medidas necessárias para evitar a disseminação de doenças transmitidas pela água, o que pode transformar este desastre em uma catástrofe ainda maior".

O UNICEF está preocupado com o fato de que inundações, combinadas com condições de superlotação nos abrigos, falta de higiene, água estagnada e fontes de água infectadas, coloquem crianças e famílias em risco de doenças como cólera, malária e diarreia.

As avaliações iniciais na Beira indicam que mais de 2.600 salas de aula foram destruídas e 39 centros de saúde impactados de alguma forma. Pelo menos 11 mil casas foram totalmente destruídas. "Isso terá sérias consequências na educação, no acesso aos serviços de saúde e no bem-estar mental das crianças", disse Fore.

Na Beira, Fore visitou uma escola transformada num abrigo para famílias deslocadas. As salas de aula foram convertidas em quartos superlotados com acesso limitado a água e saneamento.

"Estamos particularmente preocupados com a segurança e o bem-estar de mulheres e crianças que ainda estão esperando para ser resgatadas ou estão amontoadas em abrigos temporários e em risco de violência e abuso", disse Fore. "Também estamos preocupados com crianças que ficaram órfãs em decorrência do ciclone ou se separaram de seus pais no caos que se seguiu".

Fore também visitou um armazém do UNICEF que foi severamente danificado no ciclone, causando a perda de suprimentos essenciais que haviam sido preposicionados antes que o ciclone chegasse ao continente.

O ciclone Idai começou como uma depressão tropical no Malawi, onde forçou as famílias a sair de suas casas e procurar abrigo em igrejas, escolas e prédios públicos. Quase meio milhão de crianças foram afetadas. Depois de Moçambique, o ciclone mudou-se para o Zimbábue, onde causou danos significativos às escolas e aos sistemas de água.

"Para as crianças afetadas pelo ciclone Idai, o caminho para a recuperação será longo", disse Fore. "Elas precisarão recuperar o acesso à saúde, à educação, à água e ao saneamento. E elas precisarão se curar do profundo trauma que acabaram de experimentar. Equipes do UNICEF estão no local nos três países, ajudando crianças a aprender, brincar e se curar, mas nossos recursos estão sobrecarregados. Inicialmente, precisaremos de US$ 30 milhões no primeiro estágio da resposta, e estamos confiantes de que nossos doadores públicos e privados serão generosos com os milhares de crianças e famílias que precisam de apoio ”.

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Sobre o ciclone Idai

O ciclone Idai deixou famílias no Malawi, Moçambique e Zimbábue enfrentando devastação. Centenas de milhares de crianças viram sua vida virada de cabeça para baixo pelas enchentes. Muitas perderam suas casas, escolas, hospitais, amigos e entes queridos. O UNICEF está se movimentando rapidamente para responder a esse desastre, fornecendo suprimentos de emergência para os campos e comunidades para ajudar os deslocados pelas enchentes.

O que a UNICEF está fazendo?

Obtendo suprimentos médicos para famílias deslocadas
No Malawi, os suprimentos do UNICEF estão chegando às famílias que vivem em centros de evacuação. Os suprimentos incluem milhares de pacotes de sais de reidratação oral, antibióticos e centenas de mosquiteiros tratados com inseticida. Os parceiros do UNICEF, incluindo as autoridades distritais, estão ajudando na entrega dos suprimentos.

Nas áreas afetadas do Zimbábue que são acessíveis, o UNICEF está fornecendo suprimentos médicos, kits de higiene, combustível e sabão. O UNICEF também está entregando pacotes de cuidados de saúde primários, bem como suprimentos médicos e nutricionais essenciais.

Ajudando com busca e salvamento
Em algumas áreas, o dilúvio foi tão extremo que as pessoas não conseguiram encontrar um lugar mais alto para escapar da inundação e foram forçadas a subir em telhados ou em árvores e ficar lá por horas a fio. Os esforços de busca e salvamento estão em andamento, e as equipes internacionais se uniram ao governo de Moçambique em seus esforços.

Fornecimento de acesso a água potável e saneamento
Sem serviços de água, saneamento e higiene seguros e eficazes, as crianças correm um risco elevado de doenças evitáveis, incluindo diarreia, febre tifoide e cólera, e também cada vez mais de ficar vulneráveis à desnutrição. O UNICEF está distribuindo comprimidos de purificação de água e fornecendo latrinas portáteis para as comunidades nas áreas afetadas.

Estabelecendo Espaços Amigos da Criança
Muitas escolas e hospitais foram destruídos ou danificados ou estão sendo usados como abrigo. Uma vez satisfeitas as necessidades imediatas vitais, é crucial que as crianças possam voltar a aprender o mais rapidamente possível - para lhes proporcionar uma sensação de normalidade num tempo de caos extremo.

Contatos para a imprensa

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Conteúdo multimídia

Em 21 de março de 2019, Manuel José Matapa e o seu irmão Francisco José Matapa estão ao lado dos escombros de sua casa, que foi destruída durante o ciclone Idai na Beira, Moçambique.

Em 21 de março de 2019, Manuel José Matapa e o seu irmão Francisco José Matapa estão ao lado dos escombros de sua casa, que foi destruída durante o ciclone Idai na Beira, Moçambique.

crianças e adultos em frente a uma barraca branca com o logo do unicef
O UNICEF criou um centro médico no terreno de escola técnica para onde pessoas foram trazidas depois da destruição e inundação de suas casas, no Buzi, Moçambique.

Sobre o UNICEF
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) trabalha em alguns dos lugares mais difíceis do planeta, para alcançar as crianças mais desfavorecidas do mundo. Em 190 países e territórios, o UNICEF trabalha para cada criança, em todos os lugares, para construir um mundo melhor para todos.

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