Saúde mental infantil

Como podemos cuidar da mente das crianças para garantir um desenvolvimento saudável?

#tmjUNICEF
18 outubro 2023

Nos dias atuais, cada vez mais se discute a importância da saúde mental no nosso cotidiano, seja no contexto familiar, no ambiente escolar ou trabalho. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, “saúde mental” pode ser definida como o bem-estar em níveis ótimos, bem como a capacidade de interpretar o meio que estamos inseridos e manter um bom funcionamento psicossocial. Na infância, 75% dos transtornos mentais apresentam o seu início nessa fase da vida, já metade desses transtornos ocorre até os 14 anos de idade. Você já sabia sobre isso? Estigmas existentes em relação à saúde mental, a vergonha e o medo necessitam ser deixados de lado para que possamos ter zelo com a mente das nossas crianças. Desse modo, é de grande urgência e preocupação discutirmos os fatores relacionados com o tema.

Diante do que foi escrito acima, a situação de pobreza, a violência no ambiente familiar e escolar, a precariedade sanitária e os traumas ambientais são alguns dos fatores que, quando se encontram presentes, causam sofrimento e até mesmo patologias psicossociais. A partir disso, a criança que vivencia qualquer um desses meios apresenta uma forte chance de desenvolver transtornos mentais. Partindo para um exemplo na realidade, o bullying no ambiente escolar quando negligenciado pode ser danoso à vida da criança, em especial para a sua mente, refletindo no rendimento escolar, na atenção plena, na alimentação e até mesmo na formação de um medo de ir à escola.

O impacto da pandemia na saúde mental infantil
O conceito de infância tem passado por transformações que refletem a visão da sociedade e sua compreensão em relação a essa fase da vida. Essas transformações também afetam, consequentemente, a forma como a saúde mental das crianças é compreendida e tratada. Ademais, é necessário que seja realizada uma análise crítica do contexto em que a criança está inserida e compreender as complexidades de seu crescimento para entender as questões que constituem a infância e o processo de desenvolvimento.

Desde a pandemia, as crianças foram algumas das mais afetadas em relação à rotina e dinâmicas sociais que lhes foram impostas. O acesso à escola e socialização com amigos, os passeios e brincadeiras ao ar livre foram coisas que deixaram de fazer parte da vida de diversas crianças em todo o mundo, e o impacto que isso teve e tem no processo de desenvolvimento infantil ainda são imensuráveis e ainda está sendo compreendido em sua totalidade. Pesquisas afirmaram que o isolamento social teve efeitos negativos para a infância uma vez que ocasionou alterações nas dinâmicas sociais e emocionais, além do desempenho motor que é muito importante nessa fase da vida. Estudos revelam ainda que o desenvolvimento infantil iniciado na pandemia pode estar mais propenso a obstáculos psíquicos e sociais que são prejudiciais para uma infância saudável.

Diante deste cenário pós-pandemia, surge uma questão fundamental: como devemos partir disso e contribuir para que possamos cuidar da mente das crianças? Primeiramente, é importante considerar as emoções das nossas crianças, incentivando-as a expressarem sentimentos, e propiciar uma escuta que faça com que elas se sintam acolhidas e protegidas. Logo, quando elas passarem por algo que as façam sentir medo, você poderá ser alguém confiável que terá a chance de ajudar essas crianças.

Outro fator importante é o cuidado com a saúde física das crianças, estimular uma rotina saudável é fundamental para que os pequenos estejam com energia para fazer as atividades diárias. Além disso, para estimular a saúde mental das crianças é extremamente importante considerar o sentido do brincar, uma vez que as atividades lúdicas estimulam a criatividade e a imaginação, permitindo que as crianças expressem seus sentimentos e explorem diferentes papéis e situações. O brincar também é uma forma de aprendizado, pois as crianças adquirem habilidades sociais, emocionais e cognitivas enquanto se divertem.

Como ajudar as crianças
Agora, conseguimos entender a importância de pontuar a saúde mental na infância, como parte adjacente da saúde geral em si. Afinal, como diz a famosa expressão “mente sã, corpo são”. Por isso, nós vamos lhe dar algumas dicas para cuidar da saúde mental das crianças:

  1. Seja presente e previsível – Esse ponto em si faz com que se crie um ambiente caloroso, estável e seguro. O ambiente indica para a criança que ela pode se sentir à vontade e explorar as aventuras infantis de sua faixa etária, além de proporcionar melhores condições para o seu acolhimento e desenvolvimento de relações socioemocionais saudáveis e fortes com as demais pessoas.
  2. Pare, respire, pense, depois aja – Por vezes, quando as crianças presenciam alguma experiência que cause uma resposta negativa – como cair no parquinho e ralar o joelho, ou ficar com medo por causa de um barulho –, o estresse dessa resposta tende, geralmente, a também impactar o adulto responsável por ela. Assim, um dos melhores jeitos para encerrar esse ciclo de estresse é simplesmente acalmar-se. Relaxar e convidar a criança a fazer o mesmo estimula-a a ter uma melhor resposta ao estresse e ansiedade, fazendo-a entender que você também se preocupa e está atento(a) e sensível às suas necessidades e experiências.
  3. Administre os sentimentos “grandes” – Reflita conosco, numa situação entre uma criança e um adulto responsável, com certeza, ele será o exemplo primário para ela. Assim, quando você estiver experienciando “grandes” sentimentos, como os dolorosos, tristes, ansiosos e raivosos, demonstre-os de forma saudável, de modo a ensinar a esses indivíduos em formação como agir diante dos nossos sentimentos e a expressá-los de forma não prejudicial a ninguém – nem de quem sente tampouco daqueles que cercam esse indivíduo.
  4. Se cuide – Do que adianta saber tanto sobre como ajudar as crianças, sendo que nós nos deixamos de lado, esquecemos da nossa saúde mental? Estar saudável é essencial para que nós ajudemos a juventude, por todos os motivos já ditos – serve-se de exemplo, de guia, de apoio, incentivo. Então, durante todo o percurso de cuidado infantil, não exclua a prática do autocuidado e, sempre quando for preciso, busque ajuda – de um grupo de apoio ou uma pessoa especializada, até de um profissional de saúde caso necessário. Afinal, ninguém deve ficar sozinho, nem ser deixado pelo caminho.

Sugestões de filmes
Indicamos quatro filmes infantis que abordam a temática da saúde mental e as emoções no geral durante a infância, que servem para entender o assunto em questão de uma forma mais leve e didática:

  1. Extraordinário – O filme gira em torno de Auggie Pullman, um menino de apenas 10 anos que enfrenta uma série de dificuldades para se relacionar com as outras crianças do seu ambiente escolar, chegando até mesmo a ser alvo de bullying. Tudo isso se deve ao fato de que ele possui, desde o seu nascimento, uma deformidade facial. Nesse sentido, o filme concentra-se em apresentar a trajetória de superação de Auggie em relação aos preconceitos  enfrentados e a aceitação daquele que é “diferente”.
  2. Red – crescer é uma fera – O filme apresenta todas as questões que afligem a personagem Meilin: uma menina de 13 anos que, como muitos adolescentes, está enfrentando uma fase de muitas emoções e descobertas. Dessa forma, a obra é um convite a um mergulho nessa etapa da vida, a fim de explorar questões relacionadas ao amadurecimento, inteligência emocional, entre outros, e tudo isso de uma forma bem divertida.
  3. O Pequeno Príncipe – O filme é baseado em uma obra clássica chamada Le Petit Prince, escrita pelo francês Antoine de Saint-Exupéry. A história narrada desenvolve-se de uma forma bem filosófica e poética, apresentando a amizade entre um piloto e o Pequeno Príncipe, que, no decorrer do filme, ensina várias lições valiosas e reflexões.
  4. Divertida Mente – A obra em questão mostra a importância do equilíbrio emocional de uma forma lúdica e saudável, desenvolvendo-se por meio de cinco emoções que protagonizam o filme, sendo elas: o nojo, a raiva, a alegria, a tristeza e o medo. Nesse contexto, todas essas cinco emoções são as responsáveis pela forma como a menina Riley expressa os seus sentimentos. A personagem citada possui 11 anos e mudou-se recentemente para uma nova cidade e, sendo assim, o filme discorre sobre como essas emoções afetam as atitudes e sobre como Riley, ainda diante disso, tenta lidar com essas emoções com a finalidade de manter tudo sob controle.

Redação: Thalyta Lima; Nathan Felipini Ferreira; Emily Celes Barrozo; Mariana Oliveira Mendes; Raphael Oliveira Sipriano
Revisão: Raphael Oliveira Sipriano; Ian Vitor Freitas

Blog escrito pelas voluntárias e pelos voluntários do #tmjUNICEF, o programa de voluntariado digital do UNICEF. São adolescentes e jovens de todo o Brasil que participam de formações sobre direitos de crianças e adolescentes, mudanças climáticas, saúde mental e combate às fake news e à desinformação.

Explore os tópicos do nosso blog: