Fake News e vacinas

Como identificar informações falsas e o papel das autoridades de saúde pública na prevenção de doenças

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Fake news e vacina como identificar e o papel das autoridades de saúde pública na prevenção de doenças
UNICEF
30 abril 2024

A vacinação tem o objetivo de gerar imunidade contra vírus e bactérias, colaborando para o controle e extinção de doenças. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que a vacinação evita de dois a três milhões de mortes por ano. Assim, a vacinação é essencial para a manutenção da saúde, sendo indicada desde o nascimento, e devendo ser feita regularmente.

Além disso, a vacinação protege não apenas o indivíduo, mas também a sociedade, reduzindo riscos para aqueles que não podem se vacinar – por fatores específicos, como alergias –, pois haverá menor circulação da doença. Vale ressaltar, também, que a segurança e eficácia das vacinas são avaliadas antes da liberação para o uso, passando por rígidos testes e institutos, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Por isso, fique tranquilo: vacinas são seguras!

A importância da vacinação é tão significativa que é um direito assegurado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que estabelece que os tutores e a comunidade têm o dever de garantir que a criança receba as vacinas indicadas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde. Ademais, essas vacinas são disponibilizadas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Entretanto, nas últimas décadas, os índices de imunização entre crianças e adolescentes no Brasil reduziram drasticamente. Isso causa diversos problemas, como o retorno de doenças já erradicadas e criação de novas epidemias. Um dos motivos para isso são as fake news, ou as notícias falsas.

Fake News

As fake news são informações falsas ou enganosas apresentadas como verdadeiras. Muitas vezes, elas têm a intenção de desinformar ou enganar os leitores, podendo ser criadas para ganhos financeiros, políticos ou até mesmo como uma brincadeira que acaba sendo levada a sério. Devido à facilidade de compartilhamento e à tendência das pessoas confirmarem suas próprias crenças, esses conteúdos se espalham rapidamente através das redes sociais e outros meios digitais.

O impacto das fake news no acesso à vacinação é significativo e preocupante. Informações incorretas sobre vacinas podem levar ao medo e à hesitação vacinal, o que resulta em uma menor taxa de imunização na população. Isso é especialmente perigoso em momentos de surtos de doenças evitáveis por vacina, onde uma cobertura vacinal alta é crucial para a proteção coletiva.

Além disso, as fake news podem minar a confiança nas autoridades de saúde pública e nos profissionais de saúde, dificultando os esforços para combater epidemias e pandemias. Quando as pessoas estão mal informadas, elas podem tomar decisões que não apenas colocam em risco a própria saúde, mas também a saúde da comunidade como um todo.

Para combater as fake news e seus efeitos negativos na vacinação, é essencial promover a literacia midiática e digital, incentivando as pessoas a verificarem as fontes das informações e a confiarem em dados provenientes de organizações de saúde respeitáveis. A educação sobre como identificar e desconfiar de notícias falsas é uma ferramenta poderosa na luta contra a desinformação.

Sendo assim, a colaboração entre governos, organizações de saúde, plataformas de mídia social e a sociedade civil é fundamental para criar estratégias eficazes de comunicação e educação em saúde. Isso pode ajudar a garantir que informações precisas e baseadas em evidências sejam disseminadas, promovendo assim uma maior adesão à vacinação e protegendo a saúde pública.

 

COMO POSSO IDENTIFICAR FAKE NEWS SOBRE VACINAS?

Identificar fake news sobre vacinas é crucial para garantir que você esteja bem informado e possa tomar decisões baseadas em fatos. Aqui vai um passo a passo para ajudar na hora de verificar se uma informação ou notícia é falsa ou verdadeira:

1. Verifique a fonte: Procure informações de fontes confiáveis e reconhecidas, como órgãos de saúde pública e instituições científicas. Desconfie de notícias que não mencionam suas fontes ou que vêm de sites desconhecidos ou com reputação duvidosa.

2. Confira a autenticidade: Use serviços de checagem de fatos. Muitos sites e organizações se dedicam a desmentir informações falsas, especialmente sobre temas de saúde.

3. Analise o conteúdo: Notícias falsas muitas vezes contêm erros gramaticais, exageros ou alegações sem base científica. Se algo soa muito bom para ser verdade ou muito alarmante, é possível que seja falso.

4. Pesquise outras fontes: Se você encontrar uma notícia suspeita, procure por outras publicações sobre o mesmo assunto. Se a informação for verdadeira, é provável que ela apareça em outras fontes confiáveis.

5. Consulte especialistas: Em caso de dúvida, consulte profissionais de saúde ou autoridades sanitárias. Eles podem fornecer informações atualizadas e baseadas em evidências científicas.

 

 

Impacto das fake news sobre a vacinação no Brasil

O compartilhamento de conteúdo é capaz tanto de informar a população, quanto de trazer desinformação. Por isso, a troca de informações na internet pode ter vários efeitos na sociedade.

Na área da saúde, por exemplo, a divulgação de fake news ocasionou a queda na procura por vacinas e, consequentemente, favoreceu o aumento de casos de doenças que já haviam deixado de ser um problema. 

As notícias falsas sobre os imunizantes são alimentadas pelo movimento antivacina, grupo que cresceu nos anos 1990, quando o médico britânico Andrew Wakefield publicou um estudo apontando uma possível relação entre a vacina tríplice viral e o desenvolvimento de autismo.

Rapidamente, o medo das vacinas aumentou no Reino Unido e se espalhou por todo o mundo. Apesar de a publicação já ter sido desmentida várias vezes e muitos estudos comprovarem que a teoria apresentada por Wakefield foi fraudada para exibir o resultado que ele pretendia, o movimento antivacina segue ganhando adeptos até hoje e crescendo cada dia mais. As redes sociais, que são fonte de informações para a maioria dos brasileiros, dão ainda mais força para o movimento, uma vez que facilitam o compartilhamento de conteúdos fraudulentos que deixam a população desorientada.

O combate às fake news sobre vacinas

O Ministério da Saúde garante, com respaldo técnico de equipes especializadas, que as vacinas são seguras e que o resultado obtido não só evita doenças, mas salva vidas. Por isso, é recomendado que as pessoas não deem atenção para fake news de qualquer natureza, principalmente da área da saúde.

Para tentar combater o problema, o órgão criou o programa Saúde Sem Fake News, que recebe conteúdos suspeitos pelo número de WhatsApp (61) 99289-4640, checa a veracidade das informações, responde ao leitor que entrou em contato e publica o resultado no site: http://www.saude.gov.br/fakenews.

Nesse espaço, qualquer cidadão pode tirar dúvidas antes de compartilhar conteúdos que podem ser falsos.

A Importância da Educação em Saúde

Imagine só: alguém te fala sobre a importância da vacinação, porém, você nem ao menos sabe o que é vacinação. A educação em saúde é essencial porque, apenas assim, a população compreende verdadeiramente os motivos para se vacinar. Quando a população recebe conhecimento básico em saúde, torna-se capaz de observar criticamente, não acreditando facilmente em qualquer informação, além de buscar evidências para as informações divulgadas por supostos profissionais, evitando argumentos como: “Mas tal pessoa disse isso! Eu confio nela”.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê o direito à educação para as crianças e adolescentes no artigo 53. Ademais, há o artigo 205 da Constituição Federal do Brasil, onde esse aspecto é citado como fator essencial para o desenvolvimento humano. Sabendo que o direito à vacinação também é responsável por contribuir diretamente para o desenvolvimento seguro e saudável, reconhecer a abordagem da imunização no currículo escolar das instituições de ensino de nível fundamental e/ou médio nas disciplinas de ciências ou biologia, por exemplo, é uma maneira de promover educação em saúde de maneira segura. Dessa forma, muitas crianças e jovens aprendem desde cedo o que é a vacinação e qual sua importância para nós. Assim fica muito mais difícil cair em fake news, né?

E claro, educar as crianças e adolescentes deve ser um compromisso de todos, sabia? Médicos, cientistas, agentes comunitários de saúde, políticos e professores são exemplos de pessoas que possuem contato com a população e têm grande influência sobre ela. Também podemos citar a criação de programas ou campanhas capazes de desmistificar as mentiras sobre a vacinação. Impossível ter medo de se imunizar tendo o Zé Gotinha para nos incentivar!

Conheça algumas ações que podem ser realizadas de forma individual ou coletiva para incentivar a vacinação:

  1. Colaboração social: a colaboração dos profissionais de saúde, líderes comunitários, educadores e outros em prol da educação sobre saúde e vacinação é uma ferramenta de mobilização extremamente eficaz.
  2. Informação de qualidade: utilizar os veículos de comunicação como meio de divulgação científica e educação básica sobre saúde, incluindo estratégias para alcançar crianças e adolescentes, por exemplo, as famosas “trends” nas redes sociais ou então, animações e desenhos animados educativos, capazes de explicar de maneira didática o processo de imunização.
  3. Instituições pela educação em saúde: o canal no YouTube da FioCruz, por exemplo, apresenta vídeos públicos gratuitos acerca de temas sobre saúde, incluindo animações como “Akira e a Vacina” com o intuito de incentivar a vacinação no período pandêmico de COVID-19.
  4. Serviços de atendimento: serviços governamentais como “Disque Saúde”, “Coronavírus - SUS” ou “Dengue 100 Dúvidas” foram e são serviços essenciais para informar à população sobre doenças, imunização e saúde, garantindo informações seguras de maneira gratuita e prática, combatendo a desinformação.

A educação em saúde é essencial para todos os indivíduos, o letramento básico sobre vacinação, por exemplo, pode salvar diversas vidas que por falta de educação, acabam não se imunizando e ficando expostas a diversas doenças.

 

COMO MÉDICOS E PROFISSIONAIS DE SAÚDE AJUDAM NO COMBATE A FAKE NEWS E CONSCIENTIZAM PACIENTES?

Essa é uma pergunta simples de responder.

A Associação Médica Brasileira (AMB), em parceria com a Associação Paulista de Medicina (APM), realizou uma pesquisa online com médicos de todo o Brasil e apurou que 85% dos médicos brasileiros dizem que notícias falsas interferem na adesão à vacinação. Sendo assim, cabe a esses profissionais compartilhar informações verdadeiras.

Veja como a comunidade da saúde pode ajudar a combater a desinformação sobre as vacinas:

1 - Sempre que for compartilhar algo com seus pacientes ou audiência, cheque as fontes e referências.

2 - Utilize as redes sociais e diferentes canais para informar e disseminar informações efetivas.

3 - Aproveite para esclarecer dúvidas que estão em alta no momento, combatendo assim as fake news e atraindo mais pacientes para seu consultório.

4 - Utilize uma linguagem clara e objetiva para que não seja tirada de contexto e todos entendam da melhor maneira possível o que está sendo falado.

5 - Se presenciar um amigo médico ou profissional da saúde compartilhando notícias falsas, apresente os fatos concretos por meio de pesquisas científicas.

 

 

Ações do governo em defesa da vacinação e combate à desinformação

Como resposta às fake news, o governo federal lançou o programa “Saúde com Ciência” em outubro de 2023. O programa busca restaurar a confiança e adesão popular às campanhas de vacinação e propagar notícias confiáveis sobre vacinação e saúde.

Ainda, a iniciativa analisa e reúne as narrativas mais atingidas pela desinformação nas redes sociais e quantos usuários foram impactados pelas fake news. Os dados levantados são utilizados para movimentar o programa utilizando seus 5 pilares: comunicação estratégica (com a população); capacitação e treinamento (voltados a profissionais de saúde); cooperação institucional (parcerias com instituições variadas); acompanhamento, análise e pesquisa (monitoramento de políticas públicas e notificação dos órgãos responsáveis no caso de disseminação de desinformação); e responsabilização (investigação e responsabilização judicial).

Outras ferramentas também são disponibilizadas no site do programa! Quer saber se já foi vítima de uma fake news ou viu uma notícia que não parece ser verdade? Faça o teste ou utilize as ferramentas de denúncia disponíveis no site.

 

Pesquisa: Paloma Alkmim, Amanda Pereira Santos, Laiz Macieira Dantas, Debora de Melo Xavier, Nathalia Dias, Beatriz de Santiago, Vitor França Araújo Pereira.

Apuração: Arthur Ananias e Nicolly de Alvarenga Lemos.

Redação: Ingrid Rozado Bezerra, Beatriz Queiroz Loengo, Amanda Mascarenha, Nat, Lia Maia Tahim, Deborah Vitoria, Ana Clara Leal, Estefany Costa, Sthefany Fortes Vianna.

Revisão: Gleisla Thais Mendes; Mariana Oliveira de Sá, Mariana Oliveira Costa, Miriã Léa Pereira Serra Belo, Paula Frony de Oliveira Macedo, Roberta Truta, Maria Rita Schwinden P., Maria Clara Nascimento.

Coordenadoras do texto: Heloísa Gomes, Maria Luiza Azevedo.

 


 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (FONTES)

https://portal.al.go.leg.br/noticias/138193/a-importancia-da-vacinacao#:~:text=Conforme%20a%20Sociedade%20Brasileira%20de,provocadas%20por%20v%C3%ADrus%20ou%20bact%C3%A9rias.

https://www.pfizer.com.br/noticias/ultimas-noticias/importancia-da-vacinacao

https://www.tre-se.jus.br/comunicacao/noticias/2021/Julho/importancia-e-beneficios-da-vacinacao

https://www.unicef.org/brazil/blog/vacinacao-e-fake-news

https://www.medplus.com.br/saiba-como-o-medico-pode-combater-as-fake-news-na-area-da-saude/

 

Blog escrito pelas voluntárias e pelos voluntários do #tmjUNICEF, o programa de voluntariado digital do UNICEF. São adolescentes e jovens de todo o Brasil que participam de formações sobre direitos de crianças e adolescentes, mudanças climáticas, saúde mental e combate às fake news e à desinformação.

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