A alimentação é um direito de todos

Soberania alimentar e justiça climática

#tmjUNICEF
10 novembro 2023

Antes de lermos o texto, é importante saber os significados de cada termo que vamos tratar ao longo deste artigo. Então, vamos lá?

Soberania alimentar: A soberania alimentar, segundo fontes oficiais do governo, diz respeito ao direito que os povos têm de definir as políticas, com autonomia sobre o que produzir, para quem produzir e em quais condições produzir.

Racismo ambiental: É uma forma de discriminação ambiental que comunidades marginalizadas e minorias étnicas sofrem, devido à degradação ambiental em consequência das mudanças climáticas.

Justiça ambiental: Aborda e expõe as injustiças sofridas por grupos étnicos minoritários e de diferentes classes sociais. Além de acreditar no desenvolvimento sustentável, garantindo uma qualidade de vida para nós e para futuras gerações.

Agora sim! Após a leitura dos termos acima, convidamos vocês para que continuem a leitura do nosso artigo e também para que assistam à nossa live sobre insegurança alimentar e ativismo climático.

O impacto do racismo ambiental no acesso à alimentação em comunidades vulneráveis

O racismo ambiental é um fenômeno que desempenha um papel significativo na desigualdade do acesso à alimentação, afetando desproporcionalmente comunidades vulneráveis em todo o mundo. A seguir, exploraremos como o racismo ambiental impacta o acesso dessas comunidades à subsistência:

Desigualdade geográfica: Comunidades minoritárias frequentemente enfrentam dificuldades de acesso a alimentos in natura, minimamente processados ou com solo improdutivo, o que significa que essas áreas podem ser classificadas como "desertos alimentares". Isso dificulta a oportunidade de populações vulneráveis na obtenção de alimentos saudáveis.

Poluição do solo: Muitas dessas comunidades vivem em áreas contaminadas por poluentes oriundos de grandes indústrias. Isso não apenas prejudica a qualidade dos alimentos cultivados localmente, mas também pode tornar o solo impróprio para o cultivo que serviria para alimentar essas populações de forma benéfica à saúde.

Poluição do ar: Frequentemente, essas localidades estão próximas a fontes de poluição do ar, principalmente originadas de indústrias e automóveis, o que pode impactar na saúde das pessoas em situação de vulnerabilidade, tornando-as mais suscetíveis a doenças relacionadas à alimentação. Além disso, a poluição do ar afeta a qualidade dos alimentos produzidos na região.

Falta de investimento governamental: As comunidades minoritárias também tendem a receber menos investimentos em infraestruturas e programas de segurança alimentar por parte da esfera municipal, estadual e federal. Isso resulta em uma falta de acesso a programas de assistência e educação sobre nutrição.

Salários baixos e desemprego: O racismo ambiental também contribui para a desigualdade econômica, tornando mais difícil para muitas pessoas dessas comunidades adquirir alimentos saudáveis e nutritivos, considerando o valor agregado.

O racismo ambiental é um problema complexo que requer uma abordagem abrangente para ser resolvido. Reconhecer e enfrentar esse fenômeno é o primeiro passo para trabalharmos em direção a uma sociedade mais justa e igualitária, pois esse enorme desafio afeta milhares de vidas em todo o território nacional. Ao tomar consciência da presença desse problema, podemos construir uma sociedade em que todas as comunidades tenham igualdade de acesso à alimentação nutritiva e saudável, tornando uma mesa farta de alimentos uma realidade para todos os brasileiros.

A biodiversidade nacional promovendo uma alimentação nutritiva

O termo "biodiversidade alimentar" pode ser definido como a diversidade de espécies de plantas, animais, fungos e outros organismos que podem ser incorporados na nossa alimentação. A variedade de organismos presentes na nossa alimentação pode conferir uma série de vantagens, como a redução da emissão de gases do efeito estufa liberados durante o processo de produção dos alimentos, estabilidade na oferta de alimentos, a redução da monotonia alimentar (priorização de apenas determinados grupos alimentares) e a preservação do conhecimento dos povos nativos brasileiros.

Moramos em um país megadiverso, mas o que nós comemos?

Vivemos em um país megadiverso, que abriga a maior diversidade de espécies do mundo, com 13% da flora mundial ocorrendo no Brasil. Embora nem todas as espécies sejam comestíveis, muitas delas têm um grande potencial alimentar. Atualmente, apenas cerca de 15 tipos de vegetais são utilizados para suprir as principais necessidades da população mundial, como arroz, milho e trigo, alimentos que, além de possuírem pouco valor nutricional, a maioria nem sequer é nativa do nosso país.

Soberania alimentar e o acesso à terra

A soberania alimentar também é responsável por criar um senso de justiça aos agricultores, o que foi e ainda é um grande passo na defesa de seus direitos. As relações fundiárias, ocupação e utilização das terras em cada país são determinadas pelo Estatuto da Terra, que, no Brasil, foi definido pela Lei 4.504, em 20 de novembro de 1964. No entanto, os estados e os governos não demonstram a devida preocupação com as consequências das mudanças climáticas em áreas empobrecidas, o que afeta a alimentação dessa parcela da população. A qualidade dos alimentos e de vida dessas pessoas deve ser tão bem pensada quanto a de centros urbanos e áreas com melhor estrutura financeira, afinal, o papel do governo é garantir a saúde e segurança alimentar de todos.

Caso você perceba que em sua cidade há comunidades mais afetadas pelas mudanças climáticas do que outras, é hora de fazer barulho por sua região, organizando campanhas ou projetos de lei para que essas pessoas sejam notadas pelo governo e recebam o auxílio necessário. Além disso, o trabalho voluntário em prol da justiça climática é sempre bem-vindo.

Como podemos saber quais alimentos podem ser inseridos na nossa alimentação?

Nosso país oferece uma ampla variedade de alimentos nutritivos e uma riqueza de conhecimento nativo que pode ser compartilhado e disseminado entre a população, garantindo uma alimentação equilibrada e igualitária para todos, isso possibilita a substituição de alimentos menos nutritivos e importados, valorizando nossa biodiversidade local e promovendo a sustentabilidade ambiental.

Os povos indígenas são especialistas no conhecimento de plantas e animais nativos com potencial alimentar, incluindo ervas, grãos, arbustos e peixes. Assim, seus conhecimentos são extremamente valiosos para auxiliar a humanidade, não apenas pela diversidade de espécies presentes em sua alimentação, mas também suas técnicas agrícolas adaptadas a ambientes extremos e práticas que contribuem para a conservação e restauração das florestas. Portanto, os jovens do #tmjUNICEF desempenham um papel importante na missão de disseminar a importância desses temas abordados neste artigo e na defesa da harmonia nutricional.

Referências

Redação: Isabela Marina Alves de Souza, Luana Di Giacomo Levasier, Rayana Guimarães de Oliveira, Vivianne Tomaz Lima, Amanda Lopes Carvalho
Revisão: Nathália Marinho, Camila Rodrigues

Blog escrito pelas voluntárias e pelos voluntários do #tmjUNICEF, o programa de voluntariado digital do UNICEF. São adolescentes e jovens de todo o Brasil que participam de formações sobre direitos de crianças e adolescentes, mudanças climáticas, saúde mental e combate às fake news e à desinformação.

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