População aproveita última fase da vacinação contra a febre-amarela em Angola

O Governo de Angola deu início a última fase da campanha de vacinação contra a febre-amarela prevendo vacinar cerca de dois milhões e quatrocentas pessoas

Heitor Lourenço, Oficial de Comunicação
Armanda and her son while waiting for vaccination in the final phase of the yellow fever campaign in the municipality of Samba Cajú, Kwanza Norte
UNICEF/Angola/2017/Heitor Lourenço

04 Novembro 2017

Kwanza Norte – No município do Samba Cajú, encontrámos Armanda Caiango de 32 anos de idade. Ela vive no bairro Kilamba que fica a 20 minutos da sede do município. Deixou os seus afazeres porque o seu marido ligou, a partir de Luanda, dizendo que haveria vacinação contra a febre-amarela. E ela não hesitou. Com o seu filho ao colo aguardava pelo início da vacinação, no posto criado defronte a igreja. O início da vacinação seria antecedido por um acto de lançamento presidido pela Ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta.

O Governo de Angola deu início a última fase da campanha de vacinação contra a febre-amarela prevendo vacinar cerca de dois milhões e quatrocentas pessoas adicionando às vinte e uma mil pessoas já vacinadas desde Março de 2016.

O município do Samba Cajú faz parte de um grupo de 43 municípios, que não haviam sido beneficiados pela vacinação ou que tinham verificado baixas coberturas nas campanhas anteriores.

“A febre-amarela é uma doença perigosa e pode ser prevenida pela vacina, por isso estamos aqui”, disse Armanda, demonstrando estar atenta às informações sobre o combate à doença.

Enquanto aguardava pelo momento da vacinação, a jovem mãe prestava bastante atenção aos discursos proferidos no acto de lançamento. Um dos convidados ao evento, o Coordenador Residente das Nações Unidas em Angola, Dr. Paolo Baladeli, disse na sua intervenção que “Angola tem a necessidade de mobilizar recursos nacionais e internacionais para um financiamento sustentável da saúde”. 

O coordenador do Sistema das Nações Unidas em Angola justificou esta afirmação dizendo que “a saúde é indispensável para erradicar a pobreza, diminuir a mortalidade e acelerar a economia do país para o desenvolvimento sustentável e atingir as metas da agenda 2030 dos ODS e da graduação a pais de renda média”. 

Compendium of pictures of the launch ceremony of yellow fever's campaign in Samba Caju, Kwanza Norte, November 2017
UNICEF/Angola/2017/Heitor Lourenço
Momentos que marcaram o acto de lançamento da fase final da campanha contra a febre amarela em novembro de 2017

Paulo Baladeli recordou que através do Grupo Internacional de Coordenação para o Fornecimento de Vacinas, o sistema logístico internacional do UNICEF garantiu o fornecimento de 24,4 milhões de doses de vacinas, com 6,5 milhões pagas directamente pela organização.

Por sua vez, o Embaixador da Federação Russa Vladmir Tararov ao tomar a palavra felicitou Angola pelos feitos alcançados a todos os níveis e destacou que o apoio da Rússia às acções de vacinação “faz parte do forte compromisso do Governo Russo com a ajuda humanitária e internacional em especial com o desenvolvimento em Angola”. O apoio da Federação Russa assegurou em 2016 a disponibilização de um adicional de 3.4 milhões de doses de vacina da febre-amarela, através do UNICEF, para Angola. 

Seguramente, Armanda não sabia destes detalhes mencionados pelos intervenientes, mas estava certa que a vacina seria a melhor protecção para ela e os seus filhos, por isso não arredava o pé dos primeiros lugares da fila. 

Após a abertura do evento, marcada pelo discurso da Ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, era chegado o tão esperado momento da vacinação. Armanda e o seu filho de 2 anos de idade tiveram o privilégio de serem os primeiros vacinados do município. Depois de receberem a vacina administrada pela Ministra da Saúde, os dois foram incluídos na lista das pessoas vacinadas e receberam o cartão de vacina. Este é o processo seguido pelas várias equipas espalhadas pelos 43 municípios alvo da campanha. Vacinação, registo e depois entrega do comprovativo, o cartão de vacina.

Ministry of Health, Sílvia Lutukuta, vaccinates a boy during the yellow fever's campaign launch in Kwanza Norte province in November 2017
UNICEF/Angola/2017/Heitor Lourenço
Ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, administra a vacina de febre amarela em novembro de 2017, durante lançamento da fase final da campanha

O país sofreu com uma epidemia de febre-amarela em Dezembro de 2015. Desde esta altura e como parte do plano de combate a doença foram realizadas campanhas massivas em todo o país abrangindo toda a população a partir dos 6 meses de idade. Fruto deste esforço “Angola não regista novos casos desde Junho de 2016”, como fez referência a Ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta. 

Armanda Caiango e o seu filho agora estão protegidos contra a febre-amarela. Com o cartão de vacina em mãos a senhora de 32 anos de idade disse que vai fazer o mesmo com os outros quatro filhos, pois o que levava ao colo era somente o cassule. 

Armanda tinha pelo menos 10 dias para o fazer, pois a campanha que teve início no dia 4 de Novembro decorrerá até ao dia 15 do mesmo mês.