Activistas sociais, uma ponte entre o problema e a solução

Os Activistas Sociais vão trabalhar nas comunidades, onde vão identificar pessoas em situação de vulnerabilidade social e as reencaminhá-las para os serviços de apoio social

Lara Longe, Consultora de Comunicação
27-year old Sebastião and 23-year old Paul will be Social Activists in the municipality of Chinguar, Bié
UNICEF/Angola/2018/Lara Longle

31 Janeiro 2018

Chinguar (Bié), 31 de Janeiro de 2018 – Sebastião e Paula são jovens, têm 27 e 23 anos, respectivamente. O Chinguar é a casa deles e não têm planos de estudar ou trabalhar na capital do país, Luanda. Querem ficar, formar-se o mais próximo possível de casa e ajudar a comunidade deles. São Activistas Sociais. 

Paula, que sonha um dia mais tarde ser enfermeira, já fez trabalho comunitário e é junto às pessoas da sua terra que quer desenvolver o seu percurso profissional, pretendendo, antes de iniciar uma carreira na Saúde, adquirir mais alguma experiência nas relações interpessoais e no tratamento humanizado que acha necessários à profissão. 

“Temos que saber lidar com as pessoas. Muitas vezes achamos que apenas a formação técnica basta para sermos bons profissionais, mas é necessário mais. Temos que saber criar proximidade com o outro, saber como falar-lhe” conta-nos Paula.

Sebastião, que gostaria de ser professor de História, concorda com Paula. “A formação que recebemos tem que ser acompanhada de outras capacidades. Aprender a lidar com as pessoas, que têm temperaturas diferentes a depender do contexto, é muito importante. Saber gerir situações também faz parte de uma boa formação. Aprender a paciência e a resolver conflitos”.

27-year old Sebastião will be a Social Activist in the municipality of Chinguar, Bié
UNICEF/Angola/2018/Lara Longle
Sebastião será activista social no município do Chinguar, Bié

Como Activistas Sociais, Paula e Sebastião identificarão junto à sua comunidade pessoas em situação de vulnerabilidade social e serão os responsáveis pela sinalização desses casos e o reencaminhamento dos mesmos para os serviços de apoio social já existentes. Uma ponte entre o problema e a solução. 

Os Activistas Sociais são uns dos principais actores do modelo da Municipalização da Acção Social, um modelo do projecto APROSOC, de apoio à Protecção Social, que tem como objectivo a descentralização da Acção Social e a criação de uma proximidade com as populações em situação de vulnerabilidade social através de uma relação mais humanizada e eficiente. 

O UNICEF, uma das componentes implementadoras do APROSOC, um projecto do Governo de Angola, com o financiamento da União Europeia, é um dos responsáveis pela formação dos Activistas Sociais nas três províncias-piloto do projecto, Bié, Moxico e Uíge, trabalhando com eles questões de Comunicação Interpessoal e de Mudança de Comportamento. 

Paula e Sebastião sabem ao que vão e não abrem mão das ajudas e métodos de organização social tradicionais que podem vir a ajudá-los no seu trabalho com a comunidade. 

23-year old Paula will be a Social Activist in the municipality of Chinguar in the APROSOC project
UNICEF/Angola/2018/Lara Longle
Paula acredita que as autoridades tradicionais serão uma ajuda preciosa na identificação de casos de pessoas em situação social vulnerável

“No nosso dia-a-dia, teremos que trabalhar com o soba. Aliás, depois da identificação de um caso, ele deve ser a primeira pessoa com quem falar, pois pode ter informação importante sobre o caso que identificamos e ajudar no encaminhamento”, explica Paula, acrescentando ainda que, “a depender da gravidade do caso, devemos encaminhar-nos aos serviços disponibilizados pelo Estado, como os de Saúde ou de Justiça”. 

Sebastião relembra como também as autoridades religiosas podem ser parceiros importantes na identificação de casos de pessoas em situação de vulnerabilidade ou na difusão de mensagens. “Por vezes, podemos ter alguma dificuldade na comunicação, porque as pessoas não estão muito habituadas a falar de determinados assuntos, ou acham que são normais e então acham que podemos estar a exagerar, que ´sempre foi assim´. Os padres ou pastores, que têm mais experiência em falar com as pessoas podem ser aliados importantes, porque as pessoas também confiam muito neles”. 

Em formação para desenvolverem a sua nova profissão, Paula e Sebastião falam já de casos de vulnerabilidade social dos quais têm conhecimento e que gostariam de ajudar a solucionar, de violência doméstica, sexual ou abandono de idosos, entre outros. 

“Quero muito que comecemos logo a trabalhar, é muito importante sinalizar logo esses casos e cuidar deles. Penso muitas vezes, sobretudo em relação aos idosos, que hoje são eles que estão ali, mas um dia mais tarde seremos nós. Eles já cuidaram de nós, temos que cuidar deles e ensinar quem vem um dia a cuidar de nós. Temos que ser unidos e mais próximos do outro”, alerta Sebastião, “ ser Activista Social é isso”.

Social Activists of the Chinguar muncipality during the formation of the Municipalization of Social Action
UNICEF/Angola/2018/Lara Longle
Os Activistas Sociais do Chinguar em formação sobre a Municipalização da Acção Social