Escola Omufilo um elemento de transformação positiva: Comunidade mobilizada no combate a desnutrição

Dentre as actividades realizadas destaca-se a criação de uma cozinha comunitária no sentido de minimizar o elevado índice de desnutrição na comunidade e reduzir o abandono escolar.

Emanuel Paim
Escola Omufilo um elemento de transformação positiva: Comunidade mobilizada no combate a desnutrição
UNICEF
30 Janeiro 2021

A província do Cunene continua a sofrer com os efeitos da seca. As chuvas chegaram de forma tardia e em quantidade reduzida não sendo suficiente para salvar o cultivo agrícola nem para reservar para os meses de seca.

Em 2020 estimava-se que mais de 56.000 famílias estivessem em situação de insegurança alimentar, derivada da seca vivenciada em 2019. De acordo com o último inquérito nutricional efectuado nas províncias da Huíla e Cunene, a prevalência de desnutrição aguda nas crianças menores de cinco anos é de 13.6 por cento na Huíla e 12.9 por cento no Cunene, estimando-se que 3 por cento dessas crianças na Huíla e 1.7 por cento no Cunene se encontrem em risco de vida devido à desnutrição aguda severa.

O Governo do Japão disponibilizou fundos para as acções de resposta a situação nutricional provocada pelos efeitos climáticos na província do Cunene, apoiando o fornecimento de intervenções integradas a pelo menos 38.000 pessoas, incluindo crianças e mulheres do município de Ombandja, um dos mais afectados pelos efeitos climáticos na província do Cunene.

Desde o início da situação de crise no Cunene, muitas crianças abandonaram a escola por causa da ausência de alimentos e infelizmente a comunidade de Omufilo no município de Ombanja não tem fugido a regra.

A comunidade de Omufilo tem sido mobilizada para reverter a situação. Dentre os esforços implementados destacam-se a criação de uma cozinha comunitária com enfoque na educação nutricional e utilização de produtos locais para distribuição de alimentos a crianças no sentido de minimizar o elevado índice de desnutrição na comunidade.

O envolvimento de agentes comunitários tem sido fundamental na capacitação da comunidade incluindo professores e mães. As mães que preparam as refeições, têm recebido várias formações incluindo formações para identificar  sinais de desnutrição e práticas positivas de alimentação infantil.

As sessões de cozinha comunitária têm sido aproveitadas para passar as mensagens-chave sobre identificação dos sinais de desnutrição e práticas positivas de alimentação infantil, prevenção da violência contra a criança, higiene  e  prevenção da COVID-19.  

A cozinha comunitária foi estrategicamente instalada ao redor da escola, tornando o ambiente escolar um espaço de alimentação e de aprendizado, bem como para o desenvolvimento de acções de promoção da saúde

Desde a implementação das cozinhas comunitárias aumentou o número de alunos e reduziu consideravelmente o abandono a escola.

Cozinha comunitária
UNICEF

No ensino primário dos 197 alunos da escola, cerca de 80 comparecem duas vezes por semana devido ao sistema de aula semi-presencial. Nesse dia, cada aluno recebe uma bolacha BP5. As crianças que frequentam a 6ª classe recebem uma bolacha por dia, pois as aulas são presenciais (5 vezes por semana).  

Face o contexto pandémico, todas as crianças receberam máscaras, no entanto a maioria não usa correctamente.  Até ao momento não há registos da doença na escola, mas houve casos numa comunidade rural do município de Ombanja. Os professores têm usado estratégias de incentivar o uso da máscara, usando a hora de distribuição do BP5 como momento de reflexão sobre a importância do uso da máscara, e promovendo o distanciamento social entre os alunos, para além de realizar palestras e aconselhamento sobre a COVID-19.

Há um grande potencial comunitário e torna-se notável a capacidade de meninas e meninos em transformar a vida de outros meninos na escola ou mesmo na comunidade.  Ao trocar ideias, saber ouvir, se importar com o outro e buscar caminhos colectivos, exercem juntos o seu direito de participar e fazer valer o seus demais direitos.

Em 2020, as actividades desenvolvidas no sul de Angola, têm contado com o financiamento da Central das Nações Unidas para as Emergências (CERF); do Banco de Fomento de Angola, por meio da abordagem Porto Seguro; e do Governo do Japão, cujo apoio para além de servir para comprar suplementos nutricionais prevê garantir que cerca de 16.000 crianças menores de cinco anos tenham acesso à prevenção e rastreio da desnutrição aguda e cerca de 12.000 crianças em idade escolar beneficiem de acções de desparasitação e suplementação com micronutrientes.

As mães fazem mobilização e passam as 5 mensagens-chave durante as sessões e no quotidiano usam o álbum seriado como material de apoio.
UNICEF
As mães fazem mobilização e passam as 5 mensagens-chave durante as sessões e no quotidiano usam o álbum seriado como material de apoio.