Por que as políticas voltadas às famílias são fundamentais para aumentar a amamentação

01 Agosto 2019
Mãe amamenta criança na província do Bengo, Angola
UNICEF Angola/2016/Marcos Gonzalez

NOVA YORK, 1 de agosto de 2019 – O apoio ao desenvolvimento saudável do cérebro de bebés e crianças, a protecção contra infecções, a diminuição do risco de obesidade e doenças, a redução dos custos de assistência médica e a protecção das mães contra o câncer de ovário e mama: os benefícios da amamentação para as crianças e mães são amplamente difundidos. No entanto, as políticas que apoiam a amamentação - como licença parental paga e intervalos no trabalho para amamentação - ainda não são realidade para a maioria das mães no mundo.

“Os benefícios sociais, econômicos e para a saúde da amamentação - para a mãe e filho - são bem estabelecidos e aceitos globalmente. No entanto, quase 60% das crianças não tem os seis meses recomendados de amamentação exclusiva”, disse a directora executiva do UNICEF, Henrietta Fore.

“Apesar dos benefícios da amamentação, no mundo todo os locais de trabalho estão a negar o necessário apoio às mães. Precisamos de investir muito mais em licença parental remunerada e apoio à amamentação nos locais de trabalho para aumentar as taxas de amamentação globalmente”, afirma.

  • Apenas 4 em cada 10 bebés são amamentados com exclusividade: Apenas 41% dos bebés tiveram a amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida em 2018, tal como é recomendado. Essas taxas chegam a menos da metade (50,8%) nos países menos desenvolvidos. As maiores taxas foram encontradas em Ruanda (86,9%), Burundi (82,3%), Sri Lanka (82%), Ilhas Salomão (76,2%) e Vanuatu (72,6%). Pesquisas também mostram que bebés em áreas rurais têm níveis mais altos de amamentação exclusiva do que bebés urbanos.
  • Os países de renda média-alta têm as menores taxas de amamentação: Nesses países, as taxas de amamentação exclusiva foram as mais baixas, com 23,9% - contra  28,7% em 2012.
  • O aleitamento materno no trabalho funciona: Pausas regulares durante o horário de trabalho para acomodar a amamentação ou a extração do leite materno e um ambiente de amamentação, incluindo instalações adequadas, permitem que as mães continuem a amamentar por seis meses, seguido pela amamentação complementar adequada à idade.
  • As trabalhadoras não recebem apoio suficiente para continuar a amamentar: Em todo o mundo, apenas 40% das mulheres com recém-nascidos têm os benefícios mais básicos relacionados no seu local de trabalho. Essa disparidade aumenta entre os países da África, onde apenas 15% das mulheres com recém-nascidos têm algum benefício para apoiar a continuidade da amamentação.
  • Poucos países oferecem licença parental remunerada: Os padrões da Convenção sobre Protecção à Maternidade da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de 2000, incluem pelo menos 14 semanas de licença de maternidade remunerada e recomenda que os países trabalhem com pelo menos 18 semanas, assim como forneçam apoio às famílias que estão a amamentar. No entanto, apenas 12% dos países do mundo oferecem uma licença de maternidade remunerada adequada. A mais recente pesquisa do UNICEF sobre políticas favoráveis ​​à família recomenda pelo menos seis meses de licença remunerada para os pais conjuntamente, dos quais 18 semanas devem ser reservadas às mães. Os governos e as empresas devem se esforçar por pelo menos 9 meses de licença remunerada combinada.
  • Uma maior licença de maternidade significa maior possibilidade de amamentar: um estudo recente descobriu que mulheres com seis meses ou mais de licença de maternidade tinham pelo menos 30% mais chance de manter qualquer nível de amamentação nos primeiros seis meses de vida da criança.
  • A amamentação faz sentido para os bebés e as suas mães: O aumento do aleitamento materno pode evitar 823 mil mortes anuais em crianças menores de cinco anos e 20 mil mortes anuais por câncer de mama.
  • Poucos bebés são amamentados na primeira hora: Em 2018, menos da metade dos bebés em todo o mundo – 43% – foram amamentados na primeira hora de vida. O contacto imediato pele a pele e o início precoce da amamentação mantêm o bebé aquecido, constroem o seu sistema imunológico, promovem a união, aumentam a oferta de leite materno e aumentam as chances de que a mãe continue amamentando exclusivamente nos primeiros seis meses. O leite materno é mais do que apenas alimento para bebés - é também um potente medicamento para a prevenção de doenças, adaptado às necessidades de cada criança. O "primeiro leite" - ou colostro - é rico em anticorpos para proteger os bebés de doenças e morte.
  • Razão para investir na amamentação: Se os níveis de amamentação ideais fossem alcançados, haveria uma redução estimada nos custos globais de saúde na ordem dos US$ 300 mil milhões.

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Notas aos Editores:

Sobre a Semana Mundial da Amamentação

A Semana Mundial da Amamentação é marcada anualmente de 1 a 7 de Agosto para destacar a importância fundamental da amamentação para as crianças em todo o mundo. O aleitamento materno proporciona o início mais saudável possível para a vida e é uma das formas mais simples, inteligentes e econômicas de garantir que todas as crianças sobrevivam e prosperem. As informações desse comunicado de imprensa - marcando a Semana Mundial da Amamentação - apresenta os mais novos dados do Global Scorecard 2019 de Aleitamento Materno e as mais recentes evidências disponíveis sobre a cobertura, o acesso a políticas favoráveis à família e os benefícios de saúde e econômicos da amamentação.

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