Bebés e mães em todo o mundo são vítimas da falta de investimento no aleitamento materno

Uma nova análise revela que um investimento de 4,70 dólares por criança recém-nascida pode gerar 300 bilhões de dólares em ganhos económicos até 2025

01 Agosto 2017

GENEBRA/NOVA IORQUE, 1 de Agosto de 2017 - Nenhum país do mundo cumpre plenamente as normas internacionais recomendadas para o aleitamento materno, de acordo com um novo relatório divulgado pelo UNICEF e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em colaboração com o Colectivo Mundial para o Aleitamento Materno, uma nova iniciativa que visa aumentar as taxas globais de amamentação.

O Quadro de Resultados Mundiais do Aleitamento Materno, que avaliou 194 países, revelou que apenas 40 por cento das crianças menores de seis meses são amamentadas exclusivamente com leite materno, e somente 23 países têm taxas de aleitamento materno acima de 60 por cento.

Os dados mostram que o aleitamento materno traz benefícios cognitivos e de saúde para os bebés e as suas mães. O leite materno é particularmente crítico durante os primeiros seis meses de vida, ajudando a prevenir a diarreia e a pneumonia, duas das principais causas de morte de recém-nascidos. As mães que amamentam têm um risco reduzido de cancro de ovário e mama, duas das principais causas de morte entre as mulheres.

"O aleitamento materno fornece aos bebés o melhor começo possível na vida", disse o Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, Director-Geral da OMS. "O leite materno funciona como a primeira vacina de um bebe, protegendo-os de doenças potencialmente mortais, e dando-os todos os nutrientes que necessitam para sobreviver e prosperar."

O Quadro de Resultados foi lançado no início da Semana Mundial do Aleitamento Materno, com uma nova análise que demonstra que é necessário um investimento anual de apenas 4,70 dólares por cada recém-nascido para aumentar para 50 por cento a taxa mundial de aleitamento materno exclusivo entre crianças menores de seis meses até 2025.

A análise denominada Nutrindo a Saúde e a Riqueza das Nações: O Argumento para o Investimento no Aleitamento Materno, propõe que atingir este objectivo pode salvar 520 mil crianças menores de cinco anos e potencialmente gerar ganhos económicos de 300 bilhões de dólares em 10 anos, como resultado da redução de custos devido a doenças e cuidados de saúde, e também ao aumento da produtividade.

"O aleitamento materno é um dos investimentos mais efectivos - e económicos - que os países podem fazer para promover a saúde dos seus membros mais jovens e das suas economias e sociedades", disse o Director Executivo do UNICEF, Anthony Lake. "Ao deixar de investir na amamentação, estamos em falta com as mães e bebés - e pagamos um preço duplo: em vidas e oportunidades perdidas."

O argumento para o investimento demonstra que nas cinco das maiores economias emergentes do mundo — China, Índia, Indonésia, México e Nigéria — a falta de investimento no aleitamento materno resulta em cerca de 236 mil mortes de crianças anualmente e 119 bilhões de dólares em perdas económicas.

Globalmente, o nível de investimento no aleitamento materno é demasiado baixo. Anualmente, os governos dos países de renda baixa e média gastam cerca de 250 milhões de dólares em programas de aleitamento materno, e doadores providenciam somente 85 milhões de dólares adicionais.

O Colectivo Mundial para o Aleitamento Materno apela para que os países:

· Aumentem o financiamento para elevar as taxas de aleitamento materno desde o nascimento até os dois anos de idade.

· Implementem plenamente o Código Internacional de Comercialização dos Substitutos do Leite Materno e as resoluções da Assembleia Mundial da Saúde, através de fortes medidas legais cumpridas e monitorizadas de forma independente por organizações livres de conflitos de interesse.

· Adoptem a licença familiar remunerada e políticas de amamentação no local de trabalho, com base nas directrizes de protecção da maternidade estabelecidos pela Organização Internacional do Trabalho como requisito mínimo, incluindo provisões para o sector informal.

· Implementem os Dez Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno nas maternidades, incluindo o fornecimento de leite materno para recém-nascidos doentes e vulneráveis.

· Melhorem o acesso a aconselhamento qualificado para a amamentação, no quadro das políticas e programas abrangentes de amamentação e unidades de saúde.

· Reforcem as ligações entre as unidades de saúde e as comunidades, e incentivem as redes comunitárias para proteger, promover e apoiar o aleitamento materno.

· Reforcem os sistemas de monitoração que acompanham o progresso das políticas, dos programas e financiamentos a fim de alcançar ambos os objectivos nacionais e mundiais de aleitamento materno.

O aleitamento materno é fundamental para a realização de muitos dos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável. A amamentação melhora a nutrição (ODS 2), previne a mortalidade infantil e diminuí o risco de doenças não transmissíveis (ODS 3), e apoia o desenvolvimento cognitivo e a educação (ODS 4). O aleitamento materno também é um factor essencial para erradicar a pobreza, promover o crescimento económico e reduzir as desigualdades.

Sobre o Quadro de Resultados Mundiais do Aleitamento Materno

O Quadro de Resultados compila dados de diversos países do mundo sobre o status das sete prioridades estabelecidas pelo Colectivo Mundial para o Aleitamento Materno com o objectivo de aumentar as taxas de amamentação.

Os 23 países que atingiram as taxas de amamentação exclusiva acima de 60 por cento são: Bolívia, Burundi, Cabo Verde, Camboja, República Popular Democrática da Coréia, Eritreia, Quênia, Quiribati, Lesoto, Malawi, Micronésia, Estados Federados de Nauru, Nepal, Peru, Ruanda, São Tomé e Príncipe, Ilhas Salomão, Sri Lanka, Suazilândia, Timor-Leste, Uganda, Vanuatu e Zâmbia.

Sobre o Colectivo Mundial para o Aleitamento Materno

Co-liderado pelo UNICEF e pela OMS, o Colectivo Mundial para o Aleitamento Materno tem a missão de mobilizar o apoio político, jurídico, financeiro e público para a amamentação, o que beneficiara as mães, crianças e toda a sociedade.

Contacto para os media

Niko Wieland

Chefe da Secção de Comunicação

UNICEF Angola

Telefone: +244 9494 58132

Sobre o UNICEF

O UNICEF promove os direitos e bem-estar de todas as crianças, em tudo o que fazemos. Juntamente com os nossos parceiros, trabalhamos em 190 países e territórios para traduzir este nosso compromisso em acções concretas, centrando especialmente os nossos esforços em chegar às crianças mais vulneráveis e marginalizadas, para o benefício de todas as crianças, em qualquer parte do mundo.

Para saber mais sobre o UNICEF e o seu trabalho, siga-nos no FacebookTwitter e Instagram.