Vidas reais

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Mulher responsável por cinco irmãos órfãos

Mulher responsável por cinco irmãos órfãos
© UNICEF Mozambique/2012/Mark Lehn
Financiado pelo Governo e parceiros de cooperação, o PASP abrange indivíduos em situação de pobreza extrema, mas com capacidade de trabalho, enquadrandoos em actividades de trabalhos públicos e facilitando o acesso a apoio à geração de rendimentos.

Há cerca de nove meses, Angelina, com 34 anos, viu-se a braços com cinco crianças órfãs. Com o falecimento do pai, em Janeiro de 2012, teve que assumir a responsabilidade de cuidar dos irmãos mais novos, com idades compreendidas entre os 4 e os 17 anos.

Na altura, não tinha nenhuma fonte de rendimento formal e vivia com os irmãos numa habitação precária. Hoje, Angelina está integrada no Programa Acção Social Produtiva (PASP), recentemente criado pelo Governo para promover a inclusão socioeconómica dos beneficiários e suas famílias.

«Antes fazia biscate para conseguir comprar lata de milho. Agora deixei, porque já estou a receber», conta Angelina.

A nova abordagem de combate à vulnerabilidade, desenhada pelo Ministério da Mulher e da Acção Social e implementada pelo INAS, foi lançada em 2012 em quatro províncias (Inhambane, Manica, Sofala e Gaza), abrangendo um universo populacional de 9.592 agregados familiares. Financiado pelo Governo e parceiros de cooperação, o PASP abrange indivíduos em situação de pobreza extrema, mas com capacidade de trabalho, enquadrando-os em actividades de geração de renda, que incluem um programa de trabalho público com recurso a mão-de-obra intensiva.

Angelina é um dos 1.500 beneficiários do Programa, que foi lançado no distrito de Changara, na província de Tete, em Agosto de 2012. Ela trabalha numa fábrica de tijolos quatro horas por dia, de segunda a quintafeira, recebendo mensalmente um saco de 50kg de arroz.

«Saio às 6h e volto às 10h. Deixo o matabicho pronto e depois venho», relata durante uma conversa junto à sua casa.

A intervenção da Acção Social incluiu também uma habitação melhorada, roupa, utensílios e redes mosquiteiras. Os documentos de identificação já existiam, mas foram queimados e há necessidade de se emitir uma segunda via.

Apesar da inserção no PASP ajudar a minimizar a vulnerabilidade deste agregado, ainda persistem outros desafios. O principal prende-se com a necessidade de acompanhar os cinco irmãos.

«Aquela está a dar-me muitos problemas, não quer ir à escola», conta Angelina, acrescentando que a menina, de 7 anos, foi para casa de um tio paterno, na cidade de Tete, mas não quer continuar lá.

Rosinha, com 10 anos, está a frequentar a 1ª Classe e aparenta estar bem cuidada.

Agarrada a um cão de peluche, que chama de Bóbi, sorri largamente para a máquina fotográfica. Há ainda uma menina de 14 anos, que frequenta a 4ª Classe, e um irmão de 17 anos, que está na 7ª Classe.

A irmã mais nova, com 4 anos, foi entregue por Angelina no Centro de Recursos para a Educação Inclusiva, na cidade de Tete. Apesar de garantir que a criança ficou contente por estar ali, esta medida contraria a posição do Governo e das organizações multilaterais, que privilegia a manutenção dos vínculos familiares e comunitários – fundamentais para a estruturação das crianças como sujeitos e cidadãos – em detrimento da institucionalização.

O caso de Angelina não teve ainda o desfecho desejável e carece de mais acompanhamento. No entanto, a tarefa é hercúlea, e compreende-se, que os meios disponíveis não permitam dar uma resposta cabal. No distrito de Changara, onde vivem Angelina e os irmãos, há 13.871 crianças órfãs e vulneráveis identificadas, mas apenas 6.000 (cerca de 43%) recebem algum tipo de apoio da Acção Social distrital.

 

 

 

 

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