Vidas reais

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Órfã com deficiência ganha família de acolhimento

Órfã com deficiência ganha família de acolhimento
© UNICEF Moçambique/2012/Mark Lehn
Só a criança que entrou aqui na condição de abandonada, orfandade, desamparo total é que pode ser adoptada com consentimento dos pais e na falta destes com autorização do judiciário.

Aos 18 anos, a perspectiva de Grace encontrar uma família de acolhimento era quase nula. Sofrendo de deficiência mental, tem um temperamento dócil, mas um comportamento errático. Reside no Infantário Provincial da Beira desde que, aos seis anos de idade, perdeu ambos os progenitores. Tem três irmãos, que foram acolhidos por uma associação.

«É muito raro encontrar alguém que queira acolher, especialmente num caso como a Grace. Ela não faz mal a ninguém, mas tem uma deficência mental», explica Alfredo Laitone, administrador do infantário.

«Até aos seis anos de idade, Grace fazia as necessidades por todo o lado. Nessa altura, pensámos arranjar pessoal só para trabalhar com ela e informámos as senhoras que precisava de cuidados intensivos», continua Laitone. «Para nós é um sucesso, porque deixou de fazer necessidades maiores por todo o lado e tirar a roupa».

O destino de Grace poderia ser igual ao de tantas crianças portadoras de deficiência, que são alvo de discriminação e abusos por parte de terceiros e da própria família, que encara aquela pessoa como um castigo ou maldição. No entanto, a sua sorte mudou no dia em que Armandina foi trabalhar para o infantário.

«Ela habituou-se muito a mim e eu também gosto muito dela. Quando não venho, ela sente a falta», explica com simplicidade. «Basta ver-me, vem a correr e beija-me».

Foi há cinco anos que esta mãe de cinco crianças, entre os 5 e os 18 anos de idade, entrou no Infantário Provincial para trabalhar como auxiliar. Recentemente, com o apoio do infantário, voluntariou-se para acolher Grace na sua família para poder cuidar dela permanentemente.

Neste sentido, foi identificada uma propriedade rural onde Armandina passará a viver com a sua família, continuando a ser considerada como funcionária do Infantário, de modo a poder garantir o sustento de todos.

«É uma quinta com algumas infraestruturas, mas precisa de portas», acrescenta Laitone. «Nós comprometemo-nos a criar condições. Armandina vai viver lá com os seus filhos e Grace. E também pode acolher lá mais uma criança».

Quando questionada sobre a exigência de cuidar de uma pessoa portadora de deficiência, a auxiliar rejeita qualquer ideia de dificuldade: «É só estar com eles, dar carinho, aquele amor todo. Não tem muita coisa difícil».

Sentadas no gabinete da administração do infantário, Armandina pede um beijo à sua protegida. Grace encosta a cabeça no ombro dela e envolve-lhe o rosto com a mão.

Não são precisas palavras para perceber a ligação profunda que une estas duas pessoas. Para efeitos legais, o infantário está a submeter a Secção de Menores do Tribunal Judicial da Província de Sofala um processo, para que a família de Armandina seja reconhecida como a " família de acolhimento" de Grace.

«Só a criança que entrou aqui na condição de abandonada, orfandade, desamparo total é que pode ser adoptada com consentimento dos pais e na falta destes com autorização do judiciário», explica Laitone. «No caso da Armandina, é preciso constituir legalmente família de acolhimento da Grace; sendo que a Grace conservará todos os direitos e deveres em relação à família natural. Caso apareçam familiares, que pretendam cuidar de Grace, ela aceita entregar, havendo processo judicial que determine o afastamento do menor».

 

 

 

 

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