Vidas reais

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O regresso de Carlitos a casa

UNICEF Moçambique
© UNICEF Moçambique/2012/Mark Lehn
Na casa de Carlitos, as mulheres dançam e comemoram com alegria enquanto lágrimas escorrem nos seus rostos. Carlitos encontrava-se desaparecido há já um mês.

Na casa de Carlitos, as mulheres dançam e comemoram com alegria enquanto lágrimas escorrem nos seus rostos. A mesa de jantar está empilhada com frango, batatas, salada e refrigerantes, em humilde gratidão para com aqueles que ajudaram a encontrar a criança de 10 anos de idade. Carlitos encontrava-se desaparecido há já um mês.

"Não há palavras," diz o vizinho que se juntou à família na recepção de Carlitos e do grupo que o trouxe para casa, uma unidade especializada criada pelos serviços sociais, que integra representantes do Tribunal de Menores, do Ministério Público (PGR) e do Instituto Nacional de Acção Social.

Todo mundo está aqui para celebrar o retorno de Carlitos, e no meio da confusão, Carlitos parece surpreso, e fala pouco. Sua prima de 2 anos, Xiluva, recusa-se a deixar o seu colo. Os adultos estão ocupados revendo os formulários de reagrupamento familiar. Carlitos foi viver com a sua tia desde que tinha 2 anos, e agora, finalmente, para marcar o retorno do seu desaparecimento, o Ministério Público ou PGR inicia localmente o processo para tornar a sua tia, o seu guardião legal.

Era uma manhã de domingo, enquanto ele caminhava para a casa de sua avó noutra parte da cidade, quando o Carlitos, que frequenta a quarta classe, desapareceu.

"Nós procuramos por ele nas zonas residenciais, nos hospitais, em todas as esquadras da polícia, em todos os lugares," disse o tio, visivelmente aliviado por ter seu sobrinho de volta.

Felizmente para Carlitos, ele não viveu na rua por muito tempo, já que ele foi imediatamente encontrado pela polícia e levado para um orfanato que abriga crianças abandonadas e perdidas, a única instituição pública do seu género em Maputo. O edifício verde na Avenida Eduardo Mondlane acolhe cerca de 50 crianças, embora o número varie constantemente porque o objectivo é reunir as crianças com suas famílias o mais rápido possível. De lá, ele foi enviado para uma casa de idosos.

UNICEF Moçambique
© UNICEF Moçambique/2012/Mark Lehn
Todo mundo está aqui para celebrar o retorno de Carlitos, e no meio da confusão, Carlitos parece surpreso, e fala pouco. Sua prima de 2 anos, Xiluva, recusa-se a deixar o seu colo

"Nós sabemos que as crianças e adultos devem ser tratados separadamente, mas actualmente não temos alternativa," explica Antonieta Niquice, da Direcção da Mulher e da Acção Social. "O orfanato está superlotado. Precisamos de mais espaço para as crianças com mais de 10 anos."

Foi aqui que o processo de identificação e localização de sua família começou. Muitas vezes, crianças perdidas não sabem o seu endereço de casa, ou simplesmente recusam-se a fornecê-lo. Isso é comum quando a criança está sendo maltratada ou negligenciada em casa, ou vive em extrema pobreza. Normalmente, elas preferem ser levadas para um orfanato ou outra instituição, onde elas recebem comida, roupas, uma cama e um ambiente protector.

Para Carlitos, a solução veio de um importante e surpreendente lugar: um programa de TV. A televisão tornou-se um importante aliado das autoridades que lidam com crianças desaparecidas. O programa de TV que ajudou a salvar Carlitos (Balanço Geral), divulga informações sobre crianças desaparecidas, incluindo fotos e números de contacto para as suas famílias. A Direcção da Mulher e da Acção Social, muitas vezes verifica seus dados sobre crianças desaparecidas com os do programa de TV "Balanço Geral". E às vezes a história tem um final feliz.

De volta à casa, Carlitos está no seio amoroso de sua família, vizinhos e comunidade. No total, ele esteve desaparecido por cerca de um mês. Foram quatro semanas de terrível incerteza, desespero e tristeza. No final, graças aos esforços rápidos e coordenados de várias instituições e indivíduos que trabalharam juntos, Carlitos finalmente encontrou o seu caminho de casa.

Para mais informações, favor contactar:

Patricia Nakell, UNICEF Moçambique, tel: (+258) 21 481 100;
email: pnakell@unicef.org;

Gabriel Pereira, UNICEF Moçambique, tel: (+258) 21 481 100;
e-mail: gpereira@unicef.org

 

 

 

 

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