Vidas reais

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Mudança de atitudes visto que a unidade móvel de saúde chega à cidade

unidades moveis
© UNICEF Moçambique/2013/Alexandre Marques
As pessoas estão com os olhos grudados na tela, como se estivessem hipnotizadas. Está escuro, mas lá no alto, as estrelas já cintilam no céu. O filme está prestes a começar.

Por Aida Mahomed

As pessoas estão com os olhos grudados na tela, como se estivessem hipnotizadas. Está escuro,  mas lá no alto, as estrelas  cintilam no céu. O filme está prestes a começar.

Alguns metros adiante o Enfermeiro Orlando Sapolae presta os seus serviços numa tenda de aconselhamento e testagem voluntária do HIV. Cerca de dez pessoas formam uma fila para serem atendidas por ele, oito das quais são mulheres, enquanto Olinda Escondida, uma mobilizadora do Instituto de Comunicação Social, conversa com elas sobre a prevenção do HIV, o uso do preservativo, as vantagens de se conhecer o seu estado serológico, e o que fazer se o resultado for positivo ou negativo.

O Instituto de Comunicação Social (ICS), em Moçambique, apoiado pelo UNICEF, desenvolve estas actividades através de unidades móveis, como esta em Matambo, uma aldeia na província de Tete, no noroeste de Moçambique. A unidade móvel percorre áreas rurais, exibindo filmes educativos em telas gigantes, seguido de debates com o público.  A testagem e o aconselhamento são prestados por profissionais qualificados do sector de saúde  ou ONGs locais, em tendas erguidas nas proximidades.

João José Nangololo, de 23 anos de idade, está na fila, calmamente à espera, da sua vez, de ser recebido pelo enfermeiro. Casado e pai de três filhos, João diz que quem lhe falou sobre o teste de HIV foi a esposa.. Ela havia sido testada numa unidade de saúde, quando estava grávida de seu filho mais novo.

Dado que o aconselhamento e a testagem do HIV estão sendo oferecidos hoje, ele diz que quis aproveitar a oportunidade para poder ser testado. Em sua mente, como o chefe da família, ele deveria ter sido o primeiro a ser testado, para dar um bom exemplo.

"Como é possível que a minha esposa  tenha sido testada em primeiro lugar, e eu, como chefe da família, não fui testado ainda? Eu também tenho que fazer o teste. É importante saber se tenho a doença. Tenho medo da SIDA, por isso prefiro saber. Se eu tiver HIV, e se for diagnosticado cedo, eu posso ir ao hospital para receber tratamento", diz João.

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© UNICEF Moçambique/2013/Alexandre Marques
As unidades móveis atingem mais de 6 milhões de pessoas em Moçambique disseminando com mensagens educativas sobre saúde, higiene, educação e protecção da criança.

Mais para trás na fila está Júlia Luísa, de 46 anos, e mãe de nove filhos. O marido da Júlia trabalha na cidade de Tete e só regressa para casa, na aldeia, aos fins-de-semana. Júlia temconsciência da importância de se conhecer o seu estado serológico.

"Sabe, meu marido passa uma semana na cidade a trabalhar e só volta para casa aos fins-de-semana, e você nunca sabe o que pode acontecer", disse ela.

Júlia nunca conversou sobre o HIV com  o marido antes, mas agora que ela falou com a mobilizadora, ela diz que vai falar com ele e pedir-lhe para fazer o teste. E Júlia Luísa também pensa noutros membros da família.

"As minhas noras estão aqui, esperando para assistir ao filme", diz ela, apontando para a tela. "Quando chegar a casa eu vou falar com elas também sobre a necessidade de fazer o teste. É bom saber se você está saudável ou não. Imagine ter SIDA e não saber sobre isso."

O filme sobre o HIV desenrola-se na tela, o qual transmite mensagens com vista à um comportamento saudável que já atingirammilhões de pessoas em todo o país. Lentamente, atitudes em relação à doença e para aqueles que são seropositivos estão mudando, diz Júlia Luísa. Anteriormente, as pessoas, na sua comunidade, que viviam com SIDA eram completamente evitadas, e apesar de a discriminação ainda ser um grande problema, as coisas são um pouco diferentes hoje.

"Agora, as pessoas tentam convencer alguém que esteja doente a procurar tratamento no hospital, a fim de melhorar".

O UNICEF em Moçambique tem apoiado o Instituto de Comunicação Social, desde 2005, com unidades móveis, que têm operado na maioria das províncias do país, incluindo Cabo Delgado, Nampula, Zambézia, Tete, Manica, Sofala e Gaza, atingindo mais de 6 milhões de pessoas com mensagens educativas  sobre saúde, nutrição, higiene, saneamento, protecção à criança e educação.

Para mais informações, favor contactar: 

Patricia Nakell, UNICEF Moçambique, tel: (+258) 21 481 100; 
email: pnakell@unicef.org;

Gabriel Pereira, UNICEF Moçambique, tel: (+258) 21 481 100; 
e-mail: gpereira@unicef.org

 

 

 

 

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