Manter as raparigas na escola, uma tarefa com obstáculos
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© UNICEF Mozambique/2012/C.Bach |
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Com uma das taxas mais elevadas de gravidez na adolescência, Moçambique se esforça por fazer face a tarefa muito importante de manter as raparigas na escola. Loveness Denja de Changara ficou grávida quando tinha apenas 16 anos de idade. |
Uma das primeiras coisas que Loveness conta
quando nos encontramos é de como ela sempre gostou
de frequentar a escola. Ela quer sublinhar a importância
de ir para a escola e conta-nos sobre o seu sonho de
vir a ser enfermeira. Perto do seu peito, a sua bebé de
3 meses dorme calmamente. Loveness olha para ela e
diz, sorrindo, "Felicia será professora um dia".
Loveness é uma das muitas raparigas em
Moçambique que ficaram gravidas numa tenra idade e
decidem desistir de frequentar a escola. O país possui
uma das taxas mais elevadas do mundo de fertilidade
adolescente e com 179 partos por 1000 raparigas no
grupo etário compreendido entre 15-19; a gravidez na
adolescência funciona como um dos maiores obstáculos
para a educação contínua da rapariga.
"Quando a minha barriga começou a crescer, eu
senti que já não podia mais estar na mesma sala que os
meus colegas. Apesar de todos dizerem que eu deveria
continuar, eu tinha vergonha do estado em que me
encontrava." explica Loveness.
Como os seus pais tinham fugido para o Zimbabwe
durante a guerra em Moçambique, Loveness nasceu e cresceu do outro lado da fronteira até aos quatro
anos de idade, altura em que os seus pais decidiram
regressar. Eles mudaram-se para a pequena vila de
Changara na Província de Tete, onde Loveness frequentava
a na quarta classe na Escola Primária Completa
(EPC) de Changara Sede. Loveness estava apenas na
6ª Classe quando ficou grávida e tentou esconder-se
dos seus professores e amigos.
"Observei que alguma coisa estava a mudar
em relação a ela e levou algum tempo antes de eu
perceber que ela estava provavelmente grávida. Ela não
foi capaz de contar e até estava a evitar-me. E então
um dia ela de repente parou de frequentar as aulas."
lembra-se Tezinho Njanje, professor de Loveness'.
Loveness não viu qualquer outra opção para além de
desistir. Os seus pais e o pai da criança insistiam que
ela deveria voltar para a escola, para o seu futuro, mas
ela estava demasiado envergonhada e achava que não
poderia ser uma boa estudante quando ela acabava de
se tornar mulher e mãe.
Tezinho Njanje é um dos professores que era
membro do Conselho da Escola e tinha participado em
acções de formação de professores como parte da
iniciativa das Escolas Amigas da Criança. O Conselho
da Escola é composto por professores, pais e representantes
da comunidade. "Reunimo-nos e discutimos,
muitas vezes sobre assuntos relativos a gravidez
na adolescência e desistência escolar e quando há
um problema, o Conselho da Escola tenta falar com
a família. Nos cursos de formação de formadores,
aprendi não só a identificar diferentes condições de
saúde e novos métodos de ensino, mas também sobre
a importância de assegurar que todas as crianças têm
direito a educação." Afirma ele.