Vidas reais

Vidas reais

 

Como a transferência de escola pode dar acesso aos direitos

Como a transferência de escola pode dar acesso aos direitos
© UNICEF Mozambique/2012/C.Bach
Todas as crianças têm o direito de participar numa educação inclusiva e não discriminatória. Todavia, existem locais onde o preconceito e o estigma ainda representam obstáculos para muitos alunos, por vezes até por iniciativa dos seus próprios pais.

Quando Ana Paulino, de 14 anos, começou a escola na EPC Armando Guebuza, ela não esperava participar em muitas actividades, especialmente na aula de ginástica. "Eu estava habituada a ficar sentada num canto e a esperar até a aula terminar. Eu não podia tocar nas outras crianças." explica ela.

Ana veio directamente para a 6ª classe na EPC Armando Guebuza quando ela e os pais se mudaram para Changara na província de Tete há pouco menos de um ano atrás. Quando os pais a vieram matricular na escola, não mencionaram que ela e uma das suas irmãs mais novas sofriam de albinismo. Eles também não sabiam que a nova escola era uma escola ao abrigo da Iniciativa Escolas Amigas da Criança, onde um dos princípios é que o direito à educação aplica-se igualmente a todas as crianças – principalmente a raparigas, crianças com deficiências, crianças órfãs e vulneráveis.

"Nós não sabíamos e não estavamos preparados por ela ser albina." explica a ponto focal de saúde da escola, Frasia João Baptista. "Mas quando ela começou a vir à escola, eu soube que tinha de fazer um esforço para garantir que ela participasse nas actividades, foi muito difícil."

Na sua escola antiga, Ana não podia fazer desporto nem fazer nada que a pusesse em contacto próximo com as outras crianças. "Tinham medo de mim," diz ela, "então o professor dizia-me para sentar e esperar." Ana habitou-se a ficar separada das outras crianças e continuou a fazer isso na escola nova. A Sra. Baptista teve de a convencer a participar. "Eu arranjava actividades mais leves para ela fazer, ela também tem que se mexer como as outras crianças e fazer parte do grupo."

As outras crianças tinham um pouco de medo, ou talvez era curiosidade, no início quando a Ana começou a participar nas suas aulas. "Eu não senti nada de especial, quando comecei a fazer desporto senti que estava a fazer algo normal." diz Ana, indicando o quão natural foi para ela passar a fazer parte do grupo das outras crianças. "Muitos dos meus colegas gostam de mim agora, já não têm medo."

Fomos convidados para ir a casa da Ana, onde ela mora com os pais e os irmãos. Ana mostra-nos as suas tarefas diárias. De manhã ela vai buscar água e mostranos como pila e prepara a farinha de milho. "Ela ajuda muito em casa," diz o pai. "A Ana é uma boa filha." Há uns dias atrás, o pai da Ana foi à escola ver a filha fazer desporto. "Sempre tivemos cuidado com a pele dela, e acreditámos nos professores que nos disseram que ela não podia estar com outras crianças. Agora vemos que não era verdade e que ela pode fazer quase tudo. E ela é boa a jogar futebol!" diz o pai orgulhoso.

Ana admite que se sente mais integrada na turma agora, e as crianças chamam por ela quando regressamos à sala. "Ana, vem cá!" grita um rapaz na primeira fila. E Ana vai sentar-se ao lado dele.

 

 

 

 

Escolas Amigas da Criança: Histórias de Moçambique

Redes sociais

Search:

 Email this article

unite for children