Vidas reais

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"Estamos sozinhos, mas queremos nós ainda terminar a escola"

Silvino convida-nos para sua casa onde conhecemos Orfa, fora da modesta palhota da família.
© UNICEF Mozambique/2012/C.Bach
Com a prevalência de HIV mais elevada em Moçambique, a província de Gaza alberga muitas crianças órfãs cujos pais morreram com SIDA. Devido à sua proximidade com a África do Sul, uma em cada quatro pessoas vive com HIV.

As crianças dançavam e cantavam na Escola EPC Chaimite Bairro 2 no Chibuto. Mostrando as danças tradicionais da sua província, Gaza. Uma delas, Silvino Masinge de 14 anos, continua a dançar depois do espectáculo formal terminar e não há dúvida que o rapaz tem talento, põe toda a multidão a rir. A directora da escola sorri.

"Nós temos muitas crianças órfãs na escola." explica a directora da escola, Lígia Mateus Chongo. "Estamos a trabalhar arduamente para as apoiar para que possam continuar a estudar. O Conselho da Escola procura garantir que sejam identificadas e apoiadas, e com o apoio que estamos a receber, podemos fornecer-lhes material escolar e uniformes. Fazemos o nosso melhor para as apoiar."

Os Conselho das Escolas são um elo fundamental de ligação entre as comunidades e as escolas, sendo eles os que advogam e promovem os direitos das crianças à educação nas suas comunidades, especialmente os direitos das raparigas, órfãos, crianças afectadas pelo SIDA e crianças com deficiências. Os Conselhos de Escolas contribuem e participam activamente no desenvolvimento e gestão da escola.

Mais tarde no mesmo dia, encontramo-nos com o Silvino e com o seu amigo, Agostinho Alberto Manjane, que estão ambos na 7ª classe na EPC Chaimite Bairro 2. Os rapazes perderam os pais nas minas da África do Sul, para onde vão trabalhar muitos homens de Gaza. "O meu pai voltou doente e morreu no ano passado. Agora vivo só com a minha mãe, ela trabalha nas machambas dos outros para nos sustentar." diz Agostinho de 15 anos.

Não há dúvida de que ir à escola os irá ajudar no futuro. "Quando estudas tens mais chances de arranjar trabalho. Estudar é até a única forma de arranjar um bom trabalho." diz Silvino, enquanto Agostinho concorda com a cabeça.

"O meu pai também morreu nas minas." continua Silvino de 14 anos. "A minha mãe ainda está viva mas também trabalha na África do Sul, eu só a vejo no Natal e nas férias da Páscoa. É a minha irmã, Orfa, que toma conta de nós agora, ela é uma rapariga esperta. Deviam conhece-la."

Silvino convida-nos para sua casa onde conhecemos Orfa, fora da modesta palhota da família. Ela tem apenas 16 anos e aparenta ser uma pessoa muito calma e afável. "Eu não tenho nada em particular que me dá força para tomar conta dos meus irmãos, eu só faço." diz ela.

Orfa acorda todos os dias às 5 da manhã para tomar banho, depois vai à escola e volta para casa ao meio dia para cozinhar e tomar conta da casa. O facto de continuar a estudar apesar da sua situação é impressionante. É muito difícil para as crianças órfãs continuarem na escola.

 

 

 

 

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