Violência e abuso
Progresso e desafios Embora passos importantes tenham sido tomados com vista a melhorar o quadro legal para a protecção dos direitos da criança em Moçambique, as violações dos direitos da criança constituem uma preocupação cada vez crescente em várias áreas. Tráfico de menores O tráfico de menores para explorá-los como trabalhadores de sexo e trabalhadores domésticos na região constitui uma preocupação crescente. Um relatório elaborado pela Organização Internacional da Migração estima que, anualmente, 1.000 crianças e mulheres são traficadas de Moçambique para a África do Sul para efeitos de exploração laboral e exploração sexual comercialViolência, exploração e abuso A exploração e abuso sexual da criança e mulher também ocorrem em casa, no local de trabalho e na escola. Num estudo realizado pelo Ministério da Mulher e da Acção Social, cerca de 34% das mulheres inquiridas reportaram ter sido espancadas e 10% das inquiridas afirmaram ter sido sujeitas a algum tipo de abuso sexual.O abuso e assédio sexual é também um problema nas escolas. Estudos de caso indicam que 8% das crianças-alunas do ensino primário foram vítimas de abuso sexual e outras 35% foram vítimas de assédio sexual. Casamento prematuro Moçambique tem uma das mais altas taxas de casamento prematuro do mundo. O casamento prematuro compromete o direito da rapariga à educação e à saúde. Em Moçambique, cerca de 36 das raparigas casadas dos 15 aos 19 anos de idade não têm qualquer educação. A gravidez e parto entre as adolescentes estão associados aos maus resultados da saúde quer para a mãe como para a criança. Crianças em conflito com a lei Um estudo realizado sobre as crianças em conflito com a lei constatou que pelo menos 25% de todos os reclusos inquiridos tinham menos de 18 anos de idade, e que 18% tinham menos de 16. As crianças em conflito com a lei são principalmente do sexo masculino, pobres, órfãs ou separadas das suas famílias e vivendo na rua. As condições prisionais em que vivem estão em violação directa dos seus direitos. Estas crianças em situação de reclusão muitas vezes partilham as celas com os adultos, expondo-as ao abuso e à violência. Para as crianças em contacto com a lei, quer porque condenadas por ter cometido algum tipo de ofensa ou como testemunhas arroladas pelos tribunais, há uma grande lacuna de protecção adequada dos seus direitos humanos básicos. O sistema de justiça tem muitas lacunas de cobertura, falta de pessoal com formação adequada e as infra-estruturas dos tribunais são mínimas. A observância das leis de justiça juvenil e mecanismos de protecção da criança continuam ambíguos. De acordo com a legislação moçambicana, as crianças abaixo dos 16 anos de idade não devem ser criminalmente responsabilizadas e devem ser tiradas do sistema de justiça criminal. Todavia, um estudo realizado sobre crianças em conflito com a lei demonstrou que pelo menos 25% de todos os reclusos entrevistados tinham menos de 18 anos de idade, e que 18% tinham menos de 16.
O que está sendo feito Apesar destes dados estatísticos alarmantes, foram registados importantes progressos na protecção dos direitos da criança e melhoria da situação da criança e mulher vítimas da violência, abuso e exploração Quadro legal Uma grande realização foi a aprovação da Lei da Criança em 2008. A nova lei reflecte o cometimento do Governo em estabelecer um quadro legal para a protecção da criança, de acordo com os princípios preconizados na Convenção sobre os Direitos da Criança. Outra área chave do trabalho do UNICEF é o apoio prestado ao Ministério do Interior na criação de mais de 200 Gabinetes de Atendimento da Mulher e da Criança Vítimas de Violência, Abuso e Exploração ao nível das esquadras de todo o país. Estes gabinetes proporcionam um espaço seguro para as vítimas para reportar incidentes de violência na polícia e aceder aos serviços sociais. O UNICEF trabalha igualmente com o Ministério da Justiça para melhorar a resposta do sistema de justiça juvenil às crianças em conflito com a lei, o que levou à criação de seis secções do Tribunal da Criança desde 2007. Os tribunais pretendem reduzir a acumulação de casos pendentes e melhorar as capacidades do sistema judicial para lidar efectivamente com casos de crianças em conflito com a lei. Passos a seguir De 2009 a 2011, o UNICEF continuará a apoiar o Governo e outros parceiros a reforçar o ambiente de protecção da criança, focalizando em cinco áreas principais: Reforma legal – O UNICEF apoia o Ministério da Mulher e da Acção Social e parceiros da sociedade civil a melhorar o quadro legal da criança, incluindo:
Justiça para Crianças – O UNICEF apoia o sistema judicial para a adopção de procedimentos mais amigos da criança e sensíveis ao género, incluindo:
Sistemas de protecção da criança – o UNICEF trabalha com vários parceiros governamentais para reforçar as capacidades dos sectores de acção social e justiça, incluindo:
Sistemas de pesquisa, recolha de dados e monitoria – Nesta área, o apoio do UNICEF ao Governo e parceiros da sociedade civil inclui:
Na área de comunicação para o desenvolvimento, o UNICEF apoia várias actividades viradas para as normas sociais e comportamentos, incluindo:
|