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Entrevista com o Especialista do UNICEF para a Área do Programa Alargado de Vacinação, Onei Uetela, sobre a introdução de uma importante nova vacina

nova vacina pneumocócica
© UNICEF Moçambique/2010
"Podemos não ser capazes de eliminar todos esses factores de risco, mas assegurarmo-nos que as crianças são vacinadas e estão imunes à doença é a variável que nós podemos mudar."

Maputo, 5 de Abril de 2013 − A vacinação está entre as intervenções de saúde pública mais bem-sucedidas e de baixo custo. Em menos de 15 anos (1997-2011), a imunização das crianças contribuiu para a redução pela metade a taxa de mortalidade infantil em Moçambique. Mas muito mais será necessário fazer-se para que o país cumpra a sua meta de Desenvolvimento do Milénio de reduzir em dois terços a mortalidade infantil chegando a 73 mortes por 1000 nados-vivos em 2015. A tarefa de Onei Uetela, Especialista do UNICEF para a Área do PAV (Programa Alargado de Vacinação) é apoiar o Ministério de Saúde em assegurar que se alcance cada e todas as crianças em Moçambique com vacinas que salvam vidas. Nós conversamos com ele numa semana movimentada de preparação para a introdução de uma importante nova vacina.

Q: A 10 de Abril vamos lançar uma nova vacina pneumocócica em conjunto com o Ministério da Saúde e outros parceiros. Porque é que esta vacina é tão importante para as crianças em Moçambique?

Onei Uetela: Globalmente, a pneumonia é causa de 18% de todas as mortes de crianças menores de 5 anos de idade. Em Moçambique, este número é de 10%. Em termos reais, isto significa que aproximadamente 10 mil crianças no país morrem de pneumonia a cada ano. Há várias razões para esta enorme perda de vida, diferentes factores de risco a que uma criança moçambicana média está exposta. Por exemplo, ter a idade inferior a 5 anos é, em si, um factor de risco devido a um sistema imunológico em desenvolvimento, porquanto a pneumonia é mais fatal nessa faixa etária, e ainda mais mortal para os menores de 2 anos de idade. Este cenário agrava-se quando o sistema imunológico está comprometido, por desnutrição e HIV. Crianças em Moçambique também são muitas vezes expostas a gases perigosos a partir do carvão ou lenha utilizados para cozinhar ou aquecimento, o que aumenta a probabilidade de pneumonia, e geralmente vivem em espaços lotados onde a doença se espalha facilmente. Crianças em Moçambique são, portanto, muito propensas a pneumonia, por estas várias razões. A falta de acesso a cuidados de saúde e de tratamento também é um grande problema. Podemos não ser capazes de eliminar todos esses factores de risco, mas assegurarmo-nos que as crianças são vacinadas e estão imunes à doença é a variável que nós podemos mudar.

Q: O que pode dizer-nos sobre a vacina em si? Como é que é dada, e a quem se destina?

OU: A vacina pneumocócica ou PCV é destinada especificamente para o principal tipo de bactéria que causa pneumonia. É injectada em três doses a crianças de idade inferior a 12 meses, e pode dar até 80% de protecção até 4 a 6 anos, por conseguinte, por um período realmente crítico na vida de uma criança. A vacina PCV vai integrar-se no calendário de vacinação de rotina, e não vai alterar o número de vezes que os pais precisam levar seus filhos a uma unidade sanitária. A vacina estará disponível em locais de vacinação a partir 10 de Abril e vai salvar muitas vidas.

Q: Nós sabemos que, nos últimos 15 anos, a taxa de mortalidade de crianças menores de cinco anos diminuiu em Moçambique. O que mais deve fazer-se para termos a certeza que erradicamos as mortes evitáveis ​​de crianças?

OU: Desde 1997, a taxa de mortalidade de menores de 5 anos diminuiu em mais de 50%. Ela situa-se em 97 mortes por 1000 nascidos vivos. Este é um desenvolvimento muito bom, mas ele precisa ser sustentado. Programas de vacinação são, definitivamente, uma das razões para esta diminuição, como é a prevenção da malária, uma doença que continua a ser a causa principal de mortalidade de menores de 5 anos em Moçambique. Temos realizado semanas nacionais de saúde duas vezes por ano que têm o objectivo de alcançar as crianças nessa faixa etária vulnerável, oferecendo-lhes uma gama de serviços de salvar vidas, e isso é importante, também. Mas precisamos fazer mais.

Q: Como o quê?

OU: Para que a taxa de mortalidade continue a diminuir, o número de unidades sanitárias que oferecem a vacinação de rotina deve aumentar e se espalhar mais amplamente em todo o país. Hoje, temos apenas 1.372 dessas instalações, e com uma população infantil de um milhão de crianças a serem vacinadas, isto é claramente demasiado pouco. A qualidade dos cuidados de saúde tem que melhorar também. O sistema de fornecimento de transporte e estoque de vacinas, a chamada cadeia de frio, precisa de ser reforçada para garantir que as vacinas em si ainda estão boas, no momento em que se aplicam no braço ou coxa da criança. O Ministério da Saúde (MISAU) tem uma estratégia adequada para isso, que temos ajudado a desenvolver, por isso estamos avançando na direcção certa. Em última análise, melhorando o desenvolvimento humano e as taxas de alfabetização, as mortes evitáveis ​​de crianças com menos de 5 anos de idade também vai cair. Temos uma boa dinâmica agora globalmente e no país. Com a introdução da nova vacina pneumocócica, temos uma grande probabilidade de salvar a vida de 10 mil crianças em Moçambique a cada ano. O MISAU está a planificar introduzir uma outra vacina no próximo ano, 2014, ou em 2015, desta vez visando o rotavírus, a principal culpada das diarreias, uma das três principais causas de mortalidade de crianças menores de 5 anos no país, sendo a malária e pneumonia as outras duas causas principais. Eu acho que vamos continuar a ver um progresso muito notável nos próximos 3 a 4 anos.

Q: O que é que o UNICEF está fazendo para ajudar Moçambique a alcançar o Objectivo de Desenvolvimento do Milénio 4 até 2015: redução da mortalidade infantil?

OU: O UNICEF é um parceiro do Ministério da Saúde, e contribuímos na formulação de políticas que afectam o bem-estar das crianças, tais como nutrição, prevenção e tratamento da malária, vacinação, prevenção da transmissão do HIV da mãe para o filho e tratamento de crianças com SIDA. Todas essas questões são relevantes para a mortalidade infantil. Um dos nossos programas, por exemplo, capacita e trabalha com os agentes polivalentes elementares de saúdes (APEs) os quais levam o diagnóstico, o tratamento e o encaminhamento de casos mais complicados para mais perto da comunidade. Em suma, nós oferecemos apoio técnico e financeiro, e ajudamos a garantir que as políticas se tornem acções ou intervenções, e que estas, por sua vez ajudem a salvar e melhorar a vida de crianças.

Assista a entrevista aqui

 

 

 

 

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