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Entrevista com o Especialista de Emergência do UNICEF, Hanoch Barlevi sobre a situação de emergência deste ano

UNICEF Moçambique Emergencia
© UNICEF Mozambique/2013/Emidio Machiana
No final de Janeiro deste ano, cheias no rio Limpopo devastaram a província de Gaza, no sul de Moçambique.

Maputo, 28 de Março de 2013 − No final de Janeiro deste ano, cheias no rio Limpopo devastaram a província de Gaza, no sul de Moçambique, tendo ocasionado a deslocação de 200 mil pessoas para fora de suas casas, e deixando grandes áreas da província sob a água. Sentamos com o Especialista de Emergência do UNICEF, Hanoch Barlevi para saber mais sobre como a situação de emergência se desenrolou, e qual é a situação agora.

Q: As inundações são eventos mais ou menos recorrentes em Moçambique, o que foi diferente desta vez?

Hanoch Barlevi: A principal diferença desta vez foi, obviamente, a escala da emergência, em termos de pessoas afectadas e o impacto da área atingida. A última vez que vi uma enchente nesta escala massiva aconteceu durante as cheias do ano 2000, quando centenas de pessoas perderam a vida e centenas de milhares ficaram deslocadas. Desta vez, felizmente, não tivemos muitas vítimas humanas, mas de outro modo foi algo comparável.

As águas das inundações que devastaram a Província de Gaza pode ter diminuído, mas as comunidades afectadas ainda precisam de toda a ajuda possível para voltar ao normal.

Q: Em que fase você começou a sentir que uma emergência de larga escala estava a acontecer?

HB: Eu lembro-me disso muito bem. Durante o nosso encontro regular com o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), no final de Janeiro, era uma segunda-feira, eu acho, representantes da Direcção Nacional de Águas alertaram que as chuvas contínuas nos países a montante, especialmente África do Sul e Zimbabwe, estavam atingindo tais níveis que o rio Limpopo estava na iminência de transbordar. Até então, a preocupação era realmente em relação ao rio Zambeze mais a norte. Mas depois desse encontro, todos entrámos em acção e fizemos activar os planos de contingência para Gaza.

Q: Quais os tipos de planos de preparação existiam e como eles serviram às equipas de emergência?

HB: A parte técnica do sistema de alerta precoce funcionou bem. Técnicos responsáveis pela previsão meteorológica e da gestão da água fizeram o seu trabalho. Portanto, este é um desenvolvimento muito positivo. Os planos de contingência existentes previam diferentes cenários os quais foram implementados no período que antecedeu à inundação. Constitui padrão, o uso de diferentes cenários, quando se implementa a redução do risco de desastres, e os mesmos são ferramentas úteis que ajudam a prever o impacto, planificar medidas que devem ser postas em acção, os recursos que seriam necessários e assim por diante. Este foi um bom trabalho que o Governo de Moçambique e o INGC fizeram ao desenvolver estas ferramentas, e vemos muito concretamente os resultados quando se compara o número de baixas deste ano com as baixas do 2000. Muitas vidas foram poupadas, porque o sistema funcionou.

Q: Quais são algumas das lições que você aprendeu a lidar com esta situação?

HB: Há sempre espaço para melhorias, e tentamos ter certeza de que nós aprendemos com os nossos erros para que menos crianças e suas famílias sofram no futuro. Uma coisa que teremos de resolver é como se certificar de que a comunicação sobre a situação na verdade atinge todo o caminho até ao nível de base, para as pessoas que estão em risco. Precisamos verificar se as comunidades em risco estão sendo informadas da eminência das enchentes e que estão a ser evacuadas. Do nosso ponto de vista, precisamos de nos deslocar para essas áreas em conjunto com o governo, em estágios ainda mais precoces para apoiar os esforços locais, comunicando imediatamente mensagens sobre a situação no terreno. Em segundo lugar, os suprimentos podem ser preposicionados, carregados em camiões e transportados com antecedência à chegada de populações deslocadas. Isso vai encurtar o nosso tempo de resposta e reduzir o sofrimento. Não houve surto de doenças nos centros de acomodação e a distribuição de materiais e provisão de serviços foram relativamente bem-feitas, na minha opinião, mas sempre podemos fazer melhor.

Q: Qual é a situação no terreno agora?

HB: Praticamente as águas das cheias já passaram e todos os centros de acomodação, já estão encerrados. As pessoas já regressaram para as suas comunidades de origem, começando a reconstruir suas vidas e casas. Cerca de 700 famílias foram reassentadas em outras áreas mais seguras. Elas receberam parcelas de terra e irão reconstruir suas vidas lá. Há muito trabalho a fazer em termos de recuperação, o que pode vir a levar até um ano para se completar.

Q: O que está fazendo o UNICEF para ajudar as famílias retornadas?

HB: Em termos de água, saneamento e higiene, estamos limpando e ajudando reparar os pontos de água, especialmente em áreas rurais. Estamos também ajudando as comunidades na reparação e reconstrução das suas latrinas. Em relação à nutrição, o UNICEF apoia o restabelecimento de serviços de triagem de desnutrição e reposição de suprimentos de alimentação terapêutica. Nós também estamos fazendo um trabalho de prevenção da malária, que é um grande problema na província, através da distribuição de redes mosquiteiras. Escolas estão sendo limpas e reformadas com kits escolares e kits dos alunos para as crianças. Enfoque especial vai para o sector de água, saneamento e higiene nas escolas para garantir que as alunas e os alunos tenham acesso à água segura. Em termos de protecção, um número considerável de documentos de registo foram perdidos nas inundações em toda a província. Nalgumas áreas, como Guijá, perderam-se realmente todos os arquivos de registo, por isso, estamos apoiando o trabalho que precisa ser feito para voltar a registar todos. O UNICEF está também ajudando a fornecer apoio psicossocial, na sequência da situação de emergência, bem como a distribuição de kits de família para as famílias mais vulneráveis. Todo o nosso trabalho de recuperação é implementado em coordenação com os parceiros do governo e nossos parceiros na Equipe Nacional Humanitária, e levará cerca de um ano ou mais para ser concluído. As águas das inundações que devastaram a Província de Gaza pode ter diminuído, mas as comunidades afectadas ainda precisam de toda a ajuda possível para voltar ao normal.

 

 
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