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Promovendo a universalização da iodização do sal em Moçambique

© UNICEF Moçambique/E.Machiana
Mulheres trabalhando na extracção do sal nas Salinas Zacarias, foz do rio Matola, distrito de Boane, Província de Maputo. Outubro 2010.

Distrito de Boane, Província de Maputo, Novembro 2010 – Apesar dos enormes desafios enfrentados na produção e promoção do consumo de sal iodado, alguns produtores têm demonstrado que com cometimento, apropriada capacitação e monitoria, cada vez mais crianças e suas famílias podem ter acesso a sal de qualidade no país.

Inocência Vasco Cuco, gerente da Salinas Zacarias, refere-se com orgulho ao papel da sua empresa, estabelecida na foz do rio Matola, no distrito de Boane, província de Maputo. A Salinas Zacarias emprega cerca duzentos trabalhadores – maioritariamente mulheres da comunidade local – e produz até 15 mil toneladas de sal por ano para os mercados locais, hospitais e vários ramos da indústria. 

“Desde que fomos sensibilizados sobre a importância do sal iodado para a saúde pública, temos seguido todas as recomendações para garantir que o nosso sal tenha sempre os níveis apropriados de iodo”, afirma Inocência Cuco enquanto nos guia por uma extensa área de evaporação e cristalização do sal da Salinas Zacarias.

Naquele mesmo instante, uma vasta equipa de homens e mulheres em grupos procedia incansavelmente à extracção e transporte do sal em sacos para as áreas de trânsito, formando grandes montes brancos nas bermas da salina. Mas antes do ensacamento, um passo fundamental nunca é esquecido, pois tem sido parte do processo de produção há quase uma década. Inocência Cuco leva-nos para junto do armazém e explica.

“Nesta máquina”, indica apontando para um engenho artesanal funcionando com um pequeno motor, “é onde procedemos à iodização do sal por gotejamento. Nós é que a construímos”, afirma. À medida que o sal já iodado sai da máquina directamente para os sacos, estes são pesados, selados com uma costura e armazenados para posterior distribuição.

“Regularmente usamos o laboratório portátil e o kit rápido que nos foi providenciado pelas autoridades para testar os níveis de iodo no sal” esclarece mostrando-nos um dos sacos prontos para a comercialização, que levava já a certificação de ser sal devidamente iodado. “Temos uma funcionária treinada para monitorar este processo”. 

No âmbito do Programa Nacional de Iodização do Sal, implementado pelo Governo com o apoio do UNICEF e parceiros, os produtores nacionais têm sido capacitados através de formações sobre a importância e as técnicas de iodização. Esta intervenção inclui também apoio na aquisição de iodato de potássio e fornecimento de laboratórios portáteis para testarem eles próprios os níveis de iodo. Um laboratório nacional está também disponível em Maputo. 

Alguns produtores de maior porte como a empresa Salinas Zacarias têm sido proactivos e constroem eles próprios as suas máquinas de iodização. Mas o programa apoiou também na aquisição de equipamento, como os pulverizadores manuais usados por salinas mais pequenas.  A empresa Salinas Wane Pone, localizada também na foz do rio Matola e empregando 10 trabalhadores, é uma das pequenas salinas beneficiando deste apoio.

Apesar das suas limitações, que incluem a falta de electricidade, de um armazém adequado e de equipamento moderno para a produção do sal, a Salinas Wane Pone tem iodozado o seu sal desde o ano 2000, quando a lei foi promulgada impondo a iodização a todos os produtores.

“Para nós iodizar o sal é um processo simples. Usamos um pulverizador manual e controlamos o nível com o laboratório móvel e o kit que nos foi providenciado aquando da formação. Todos os produtores deveriam fazer o mesmo”, afirma Wane Pone Jr, gerente da salina. Com toda a eficiência, um trabalhador da empresa prepara o pulverizador e demonstra-nos como tem sido o processo na empresa.

Salinas como estas – que são centenas ao longo do país – têm sido cruciais no abastecimento dos mercados e comunidades locais, distribuindo sal também para armazenistas de outras províncias. No entanto, muitas salinas  – particularmente as de pequeno porte – não têm cumprido com a iodização do sal. Por isso a  a fiscalização é um aspecto fundamental a ser reforçado,  segundo o coordenador do Programa Nacional de Iodização do Sal, António Dambi.

© UNICEF Moçambique/E.Machiana
Sal iodado e lavado produzido pela Afrisal do Mar, província de Maputo. 2010.

Por outro lado, a consciencialização dos consumidores para a importância do sal iodado tem sido um dos grandes desafios. Crenças culturais e desconhecimento das vantagens do iodo para a saúde são por vezes uma barreira.

“As vezes aparecem aqui as senhoras que vendem nos mercados a pedir para que não iodizemos o sal, pois alguns clientes não gostam ” observa Inocência Cuco, gerente da Salinas Zacarias. “Muitas vezes temos de fazer sensibilização nos mercados, da mesma forma que fazemos junto dos nossos trabalhadores”.    

Comunidades vivendo nas zonas de produção de sal são geralmente as grandes consumidoras de sal não iodado.

“O problema é que elas próprias extraem o seu sal para consumo doméstico sem o devido tratamento, ou mesmo procuram ter acesso ao sal das salinas antes de ser ensacado, portanto antes de introduzirmos o iodo” explica Wane Pone jr. “A sensibilização é fundamental!”, conclui.

O Programa Nacional de Iodização do Sal tem estado a desenvolver uma campanha de comunicação e sensibilização em colaboração com parceiros. A organização Population Services International (PSI Moçambique) tem apoiado o programa  na capacitação e sensibilização em quatro províncias do país.

“Temos estado a trabalhar na promoção de sal iodado com grupos de mulheres, líderes comunitários e promotores de sal iodado nas comunidades, locais de venda e unidades sanitárias, mas também através das rádios comunitárias”, esclarece Rafael Nzucule, Gestor de  Nutrição na PSI.

Todavia, segundo Rafael Nzucule, existe ainda alguma resistência ao uso de sal iodado por haver ainda fraca disponibilidade de sal iodado no mercado. Os dados do recente Inquérito sobre Indicadores Múltiplos (MICS) de 2008, indicam que apenas 58 por centos dos agregados familiares usam sal iodado, dos quais apenas 25 por cento consomem sal devidamente iodado.

Um estudo desenvolvido pela PSI e que abrangeu  cerca de 500 mulheres em idade reprodutiva na província de Nampula, constatou que o conhecimento de que o sal iodado melhora o desempenho escolar aumentou de 9 por cento para 35 por cento num espaço de um ano e meio de intervenções promocionais nesta província.  O uso de sal iodado não aumentou, razão pela qual a PSI tem também como alvo os retalhistas, e está a advogar junto do Ministério da Indústria e Comércio para reforçar a implementação da lei.

“A deficiência de iodo no organismo é uma das causas principais de atraso no desenvolvimento mental e psicomotor em crianças pequenas, e aumenta também os riscos de nado-mortos e abortos nas mulheres grávidas. Por isso damos bastante ênfase à expansão e fortalecimento do programa de iodização do sal”, afirma Maaike Arts, especialista de Nutrição do UNICEF.

Alguns dos grandes produtores estão a investir tanto na melhoria da qualidade do sal como na expansão do mercado. A companhia Afrisal do Mar, por exemplo, tem estado a abastecer o mercado com sal fino iodado e lavado. Para tornar o uso do sal iodado ainda mais atraente, a Afrisal do Mar – estabelecida na província de Maputo e uma das maiores produtoras de sal no país – tem em vista providenciar o sal fino de mesa em pequenos saleiros e recipientes de plástico de vários tamanhos.

"Não há ainda grande demanda de sal iodado no país. Mas como parte nas nossas responsabilidades nós iodizados e procuramos sempre formas inovadoras de satisfazer as necessidades dos consumidores com sal de qualidade”, diz Rajat Tray, Director Executivo da empresa Afrisal do Mar.

O Programa Nacional de Iodização do Sal, apoiado pelo UNICEF e parceiros, prevê um incremento da promoção da iodização do sal através da contínua capacitação dos produtores, aquisição de equipamento básico, promoção de uma maior colaboração entre os produtores maiores e pequenos, e estabelecimento de mecanismos mais eficazes de monitoria da implementação da lei.

 

 

 

 

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