Imprensa

Centro de imprensa

Notícias

Comunicados de imprensa

Discursos oficiais

Vídeos

Fotografias

Rede de jornalistas amigos da criança

Dia Internacional da Criança na Rádio e Televisão

Calendário de eventos

Informação prática

Contacte-nos

Galeria de fotos

 

Mães seropositivas ajudam a prevenir a transmissão do vírus do HIV para as crianças

© UNICEF Moçambique/ Manuela Cau
Membros da associação Kuplumussana na cidade da Beira ajudam na sensibilização para a prevenção da transmissão do HIV da mãe para a criança.

Cidade da Beira, Província de Sofala, Novembro de 2010 – Na cidade da Beira, província de Sofala, um grupo de jovens mães tem estado a liderar acções de sensibilização para a prevenção da transmissão do HIV da mãe para a criança. Elas têm diferentes histórias de vida, diferentes aspirações e sonhos, mas partilham um mesmo desafio. Elas lutam para que cada vez mais mulheres grávidas e mães de crianças vivendo com o HIV adiram ao programa de prevenção e tratamento.

A maioria das mulheres deste grupo descobriu ser seropositiva depois de doenças prolongadas ou durante a consulta pré-natal, que prevê a administração do teste do HIV para todas as mulheres grávidas no âmbito do aconselhamento e testagem iniciada pelo provedor (ATIP).

“Eu fiz o teste na consulta pré-natal quando estava grávida. Lá estavam a aconselhar todas as mães a fazer o teste. Então eu fiz!”, lembra Isabel Domingos Alexo, de 27 anos de idade.

Conforme o programa de Prevenção da Transmissão Vertical (PTV) – implementado pelo Ministério da Saúde com apoio técnico e financeiro do UNICEF e parceiros – uma vez detectada seropositiva a mulher é logo encaminhada para o programa de acompanhamento.

Neste programa ela recebe profilaxia, apoio psicológico e aconselhamento em relação aos medicamentos a tomar durante a gravidez e após o parto, incluindo para a criança caso o teste seja positivo. Através destas intervenções elas começam a entender que seguir o tratamento antiretroviral é eficaz e importante para a sua saúde e vida.

“Meu filho de 4 anos está a fazer este tratamento. Está a correr bem. É um milagre que tenha sobrevivido à doença, porque eu já não contava. Se não fosse este tratamento eu já não teria esta criança!”, testemunha Arina Castaneja, de 37 anos.

Mas na realidade nem todas as mulheres conseguem ir a todas as consultas e cumprir com a profilaxia ou tratamento, e com todas as recomendações. Principalmente as que não têm apoio da família, como diz Natália Estêvão Chimoio, de 26 anos.

“Meu marido não acreditou nos resultados do teste. Disse que não me acompanharia. Como tive medo de me perder fiquei em casa e não segui o tratamento durante cerca de três anos”, confessa Natália.

A falta do apoio familiar é muitas vezes agravada pelo medo de sofrer discriminação, o que leva muitas das mulheres seropositivas a ocultar a sua situação e a negligenciar os tratamentos.

“Eu sentia-me mal porque as vizinhas do bairro me discriminavam. Então ficava sempre a chorar por causa das pessoas, das vizinhas”, lembra tristemente Joana Manuel, de 30 anos.

Foi assim que em 2005, como resultado das sessões de sensibilização no Hospital Central da Beira, este grupo de mulheres não só aderiu ao programa de tratamento antiretroviral como também iniciou a “busca activa” de outras crianças que faltavam às consultas de seguimento e não cumpriam com os cuidados e o tratamento.

Com o apoio do projecto “Médicos com África” do CUAMM (Colégio Universitário Aspirantes Médicos e Missionários) – financiado pelo UNICEF no âmbito do programa do Ministério da Saúde de Apoio à Desnutrição e Integração do Tratamento Antiretroviral Pediátrico na Beira” – o grupo começou a reunir-se todas as sextas-feiras. Durante as reuniões elas partilhavam as suas experiências e ofereciam apoio psicológico umas às outras, para enfrentar dificuldades relacionadas com o tratamento e as relações com a família, parceiros e sociedade. Nestas reuniões elas também analisavam os resultados das suas intervenções e planificavam as actividades seguintes.

Em poucos anos, os membros deste grupo melhoraram a sua saúde e auto-estima, e a consciência das suas capacidades aumentou. Hoje elas estão já constituídas em associação por elas fundada com o nome Kuplumussana – que significa salvar um ao outro em língua Sena – e que é actualmente presidida por Afua Assane, de 26 anos. Para além das sessões no Hospital Central da Beira, a voz destas mulheres passou a ser ouvida também nos bairros. Este ano, o grupo começou a fazer palestras e “buscas activas” também para mais dois centros de saúde na cidade da Beira, conseguindo alcançar as comunidades mais pobres e carentes.

“Estou muito orgulhosa por fazer parte desta associação, porque ela é a minha vida, a minha família. As pessoas que se riam de mim agora já ficam admiradas com o meu progresso. Vou levar a minha vida para a frente, mostrar que somos capazes, que ser seropositiva não significa morte. Estou viva, estou a fazer tudo o que gosto de fazer!” declara com coragem Rosa Meque, de 26 anos de idade.

A expansão de grupos de apoio de mães seropositivas é parte integrante do programa de Prevenção da Transmissão Vertical desenvolvido pelo Ministério da Saúde desde 2004, com o apoio do UNICEF e parceiros. O objectivo é providenciar apoio psico-social às mulheres grávidas e mães vivendo com HIV e SIDA, ajudando-as a enfrentar as barreiras sócio-culturais, o estigma e a discriminação, e a seguir o tratamento antiretroviral.

 

 
Search:

 Email this article

unite for children