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Músico Stewart Sukuma apela para tolerância zero à violência e abuso sexual da rapariga

© UNICEF Moçambique/T.Delvigne-Jean
Stewart Sukuma sensibiliza para o fim da violência e abuso sexual da rapariga.

Província de Maputo, Novembro de 2010 – A sala já estava lotada, mas mais gente continuava a chegar. Sentadas, de pé, esgueiradas na porta e onde quer que houvesse espaço, dezenas de vozes se misturavam em diferentes tons cantando em coro as mais emblemáticas composições de Stewart Sukuma. Era já o terceiro de uma série de concertos que o popular músico agendara nas zonas urbanas e nos subúrbios, para que ninguém fosse deixado de fora. E a audiência parecia aumentar cada vez mais, em total êxtase. 

Mas de repente, quando menos se espera, Stewart interrompe o delírio colectivo, silenciando de uma só vez todos os instrumentos da banda. Em seguida a sua voz ecoa firme por toda a sala, com uma intervenção que a todos surpreendeu. 

“Estou feliz por ver que estamos todos a divertir-nos aqui! Mas ao voltarmos para casa, temos também as nossas responsabilidades” disse encarando cada um dos presentes. Estavam ainda embalados pela música que acabaram de ouvir, sussurrando elogios e comentários sobre a performance do cantor e da banda, e sobre a mensagem das músicas cantadas em várias línguas locais de diferentes províncias. 

“No nosso país a rapariga continua a ser vítima de violência e de abuso sexual em casa, nas escolas, na comunidade, o que é uma vergonha para todos nós!” continuou Stewart com expressão desoladora. “Será que sabemos todos quais as consequências para a rapariga?” 

A audiência ficou subitamente silenciosa, tentando ainda perceber a razão deste assunto ser trazido para ali, para aquele momento. A dúvida durou apenas alguns segundos, pois logo a seguir o microfone foi disputado por várias pessoas querendo falar sobre o problema. Sem saber a quem escolher – eram tantos os pedidos – Stewart acaba então por dar a voz a uma insistente rapariga sentada à sua frente.

“A violência e o abuso sexual contra a mulher pode causar traumas físicos e psicológicos, gravidez precoce, transmissão do HIV e…” dizia ainda ela quando a sua voz deixou de se ouvir perante uma ruidosa salva de palmas da audiência, que concordava com a resposta.

O debate prosseguiu, com jovens e adultos esgrimindo cada um por sua vez os seus argumentos. Mas a conclusão no fim foi inequívoca: a violência e o abuso sexual da rapariga devem ser prevenidos a todo o custo, combatidos com tolerância zero!

E a música voltou a encher a abarrotada sala de alegria e dança.

Esta tem sido uma das formas que Stewart Sukuma tem usado para sensibilizar o seu vasto público, um compromisso que considera que deveria ser assumido por todos.

“Os artistas e personalidades públicas têm uma grande influência sobre a sociedade, que deve ser aproveitada para promover uma mudança de comportamento. O nosso papel é fundamental nesse sentido” diz Stewart categórico.

A sensibilização não é feita apenas nos seus shows, mas através de todos os canais de que dispõe como o Facebook, Myspace e outros blogs na internet – que estima atingirem no conjunto mais de 10 mil admiradores e amigos virtualmente interligados – e em intervenções públicas para as quais tem sido convidado.

A violência e o abuso sexual da rapariga são fenómenos de cada vez maior preocupação no país. Num estudo conduzido pelo Ministério da Educação em 2008, cerca de 70 por cento dos alunos afirmaram haver professores que condicionam a passagem de classe com a relação sexual. Metade das alunas denunciou que o abuso sexual é praticado também por alunos. Mas não é apenas na escola que a rapariga pode estar vulnerável.

Em 2009, mais de 3.500 casos de violência contra crianças – incluindo abuso sexual – foram reportados à polícia. No entanto, o número real é provavelmente muito maior pois a tolerância da sociedade tem inibido a denúncia, dificultado assim o combate a este crime.

Como parte da resposta, o Governo e vários parceiros, com o apoio técnico do UNICEF, têm estado a mobilizar-se para uma campanha massiva de comunicação para a promoção de uma cultura de tolerância zero à violência e o abuso sexual da rapariga em Moçambique. Várias acções de formação têm sido realizadas com os profissionais de comunicação social e activistas, tendo já iniciado a intensificação da difusão da mensagem em todo o país através da rádio e televisão, unidades móveis multimédia e teatro comunitário. Não há tempo a perder!

“Espero que todos os artistas, a imprensa, os professores, os pais, as comunidades, todos nós nos juntemos para por fim à violência e ao abuso sexual da rapariga. Temos de agir agora!” enfatiza Stewart Sukuma.

Desde o início do presente ano, Stewart Sukuma tem vindo a colaborar formalmente com o UNICEF em iniciativas de sensibilização e na mobilização de outros artistas, parceiros do sector privado e sociedade em geral para a realização dos direitos da criança no país.

 

 
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