Imprensa

Centro de imprensa

Notícias

Comunicados de imprensa

Discursos oficiais

Vídeos

Fotografias

Rede de jornalistas amigos da criança

Dia Internacional da Criança na Rádio e Televisão

Calendário de eventos

Informação prática

Contacte-nos

Galeria de fotos

 

Mudando mentalidades com o saneamento total liderado pela comunidade

© UNICEF Moçambique/ T. Delvigne-Jean
Em Chibwe, a tabulação é feita em papel gigante branco (rota fólio) que se levanta para que todos vejam - 84.720 pilhas de fezes anualmente a partir de 93 famílias.

Changara, Moçambique, Maio de 2010 - O rufar dos tambores assinala o início da dança. Uma multidão de adultos e crianças assistem resguardados pela sombra de grandes e frondosas árvores. Depois de longas batidas, os movimentos de dança param, e o círculo se abre para aconchegar os visitantes do UNICEF e da Visão Mundial.

Os visitantes vieram para falar de latrinas e sanitários. Na aldeia rural de Chibwe, na província de Tete, em Moçambique, quase ninguém usa a latrina, e a diarreia e a cólera são doenças comuns. Isto também é verdade para 60 por cento das 20 milhões de pessoas que o país possui.

"Como vocês dizem fezes?", pergunta o especialista de Água e Saneamento do UNICEF, Américo Muianga. Grandes risadas irrompem da multidão, juntamente com a resposta, " matudzi". Muianga está satisfeito. Ele quer que eles se riam. Então pergunta por que eles defecam ao ar livre.

E assim começa a revolução.

Rompendo com uma tradição de construção individual de latrinas por cada família, o UNICEF e a Visão Mundial estão a colaborar para convencer as comunidades da necessidade de trabalharem em conjunto para a mudança da prática nociva de fecalismo a céu aberto para a utilização higiénica de latrinas.

A abordagem é chamada Saneamento Total Liderado pelas Comunidades, e está rapidamente a espalhar-se por todo o continente Africano. É parte de um esquema ambicioso denominado “Iniciativa Um Milhão” que visa proporcionar saneamento básico e água para um milhão de pessoas até 2013. Financiado pelo governo holandês, o UNICEF está a trabalhar com os governos locais e 16 parceiros não-governamentais para alcançar comunidades em 18 distritos.

Mudança de mentalidade

O Saneamento Total Liderado pelas Comunidades enfatiza que a mudança vem da auto-realização, ao invés da aula. E isso envolve humor e um exercício do tipo jogo “de mostrar e contar”.

"Quando se chega à aldeia o desejo é criar primeiro um ambiente acolhedor para que se possa então começar a perguntar-lhes sobre as suas práticas de higiene", explica Muianga.

© UNICEF Moçambique/ T. Delvigne-Jean
Em Chibwe, os moradores usam uma vara para delinear as estradas e casas na areia. A farinha de milho define a escola, o ponto de água, a estrada para o posto de saúde mais próximo, a igreja local.

Voluntários são escolhidos a partir da multidão para desenhar um mapa da sua aldeia. Em Chibwe, os moradores usam uma vara para delinear as estradas e casas na areia. A farinha de milho define os principais marcos da aldeia: a escola, o ponto de água, a estrada para o posto de saúde mais próximo, a igreja local. Mais voluntários são convidados a se posicionar onde eles vivem. Lá é-lhes dada cinza e se lhes pede para marcar o local onde eles defecam. Seguem-se risinhos embaraçados à medida que montinhos de cinza aparecem no mapa.

"É então calculada a quantidade de fezes para cada semana, mês e ano, para cada agregado familiar", diz Muianga. "Então começa-se a discutir a quantidade e para onde é que ela vai".

A tabulação é feita em papel gigante branco (rota fólio) que se levanta para que todos vejam - 84.720 pilhas de fezes anualmente a partir de 93 famílias. Os risinhos tornam-se risos.

Então começa a "caminhada da vergonha", na qual os membros da comunidade da aldeia são convidados a ir fisicamente ao local onde as fezes se encontram e ver como é que poderia contaminar o abastecimento de água local ou contribuir como viveiros para as moscas e mosquitos.

A moeda cai

Eles retornam à sombra das árvores para uma demonstração de alimentos. Um prato de comida fresca é dado a um voluntário para comer. Depois de alguns bocados, o prato é colocado no centro da multidão, juntamente com alguns fezes recém-colhidas. Não demorou muito no calor, para que as moscas se movessem para trás e para frente, entre os dois. Convidado a voltar a comer do mesmo prato, o voluntário da comunidade rapidamente recusa-se, balançando a cabeça de horror.

Ninguém se ri. Eles entenderam.

Muianga, em seguida, solicita à comunidade a criar um comité de saneamento de 12 membros da aldeia. A mudança de atitude tem de ser rapidamente seguida pela acção, caso contrário, a dinâmica da experiência é susceptível de se perder, explica mais tarde.

A participação da comunidade

O comité de saneamento deve ajudar a conceber uma latrina que pode ser feita usando materiais disponíveis, para que todas as famílias possam construir uma. Quando os membros da comunidade projectam as suas próprias latrinas, tornam-se mais ligados à sua necessidade, explica Muianga. "É uma auto-realização do problema em cada uma das aldeias."

Auto-concepção também incentiva a inovação. Numa outra aldeia próxima de Chibwe, por exemplo, 170 famílias instalaram cada uma delas uma casinha quadrada de madeira com telhado de colmo que o comité de saneamento havia projectado. Os projectistas colocaram uma pequena porta para a privacidade e um lugar para lavar as mãos na frente. Uma garrafa de plástico é cortada na metade e presa em cada extremidade de duas varas, com uma corda amarrada. Enche-se de água. Quando a corda é puxada, eles lavam as mãos levando para longe os agentes patogénicos perigosos.

O processo utilizado na comunidade de Chibwe para convencer todas as famílias a construir e usar seu próprio sanitário está a ser replicado em três províncias da região central de Moçambique. Comunidades que alcançaram a situação de livres do fecalismo a céu aberto são recompensadas - cada aldeia recebe um certificado e uma bicicleta – o que incentiva a pressão dos colegas do grupo e a competição entre as aldeias para manter a sua situação de livres do fecalismo a céu aberto.

"A participação da comunidade é muito importante porque quando desenvolvemos programas em que os beneficiários não participam, acabam por não ser sustentável", diz Cadmiel Muthemba, Ministro Moçambicano das Obras Públicas e Habitação. "A participação da comunidade assegura a propriedade do programa."

Agora em seu terceiro ano, a Iniciativa Um Milhão atingiu quase 600 mil pessoas com saneamento e acesso à água potável. Os auditores independentes encontraram apenas uma casa sem latrina, entre todas as aldeias certificadas como livres do fecalismo a céu aberto em 2009. Tal família havia se mudado apenas recentemente para a aldeia.

 

 
Search:

 Email this article

unite for children