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Moçambique acelera luta contra a malária

© UNICEF Moçambique/T.Delvigne-Jean
Bonita Gomes, de 3 anos de idade, está em coma no Hospital Provincial de Tete padecendo de malária.

Moçambique, 2010 - Depois de uma viagem de 30 quilómetros numa motorizada e de um teste de sangue de vinte minutos numa unidade sanitária rural ter confirmado o pior –malária grave com complicações – Bonita Gomes, de três anos de idade, foi transportada à meia-noite por mais uns 10 quilómetros até ao hospital provincial de Tete, onde agora se encontra em estado de coma. Apesar da transfusão de sangue e do tratamento com quinino, neste momento, a sobrevivência de Bonita depende da sorte.

“Bonita teve a sorte de os seus pais não terem perdido tempo,” explica a pediatra Dra Juliana Anibal Malichocha. “É demasiado cedo para dizer se ela vai sobreviver ou não; ela ainda está em estado muito grave. Mas quando as crianças chegam cedo, temos mais possibilidades de as salvar.”

A malária é a principal causa de morte entre crianças com menos de cinco de idade em Moçambique – Um terço de todas as crianças morrem de malária. À semelhança de outros países africanos, ela não é apenas uma das principais causas de morte, mas afecta também a produtividade e contribui para a pobreza.

“Não há dúvida de que a malária representa um encargo significativo para a saúde na província, pois continua a ser a primeira causa de consultas, a primeira causa de internamentos e a primeira causa de mortalidade, particularmente entre as crianças entre os zero e os cinco anos’, afirma Luisa Cumba, a Directora Provincial de Saúde de Tete.

Nos últimos três anos, o Ministério da Saúde de Moçambique tem liderado uma resposta agressiva mas estratégica com vista a reduzir e, em última instância, evitar esta doença mortal, com o apoio de parceiros como a União Europeia, o UNICEF e o Fundo Global.

A erradicação do vector – os mosquitos que se reproduzem em poças de água estagnada – pode ser extremamente difícil nas províncias pobres e quentes do centro do país, mas um conjunto de medidas está a conseguir mitigar o impacto.

Mulheres participam numa sessão sobre a prevenção da malária conduzida por uma agente de saúde na clínica São José Mavuzi Ponte, no distrito de Chiuta.

A expansão dos testes rápidos de sangue para todos os distritos e o reforço da gestão de casos significa que crianças como a Bonita podem receber tratamento mais cedo, o que é fundamental para se evitarem complicações que podem rapidamente matar uma criança cujo sistema imunológico ainda não está totalmente desenvolvido. O enfoque agora é como trazer os serviços para a comunidade ao invés de esperar que os doentes se desloquem para as unidades sanitárias.

Além de melhorar o tratamento de casos, o desafio é, acima de tudo, garantir que as pessoas não fiquem doentes. A stratégia tem tido sucessos graças ao seu enfoque na prevenção e principalmente na expansão das redes mosquiteiras tratadas com insecticidas de longa duração. Desde 2000, 7.2 milhões de redes mosquiteiras foram distribuídas em Moçambique, das quais 2.7 milhões foram distribuídas com o apoio do UNICEF. A prioridade tem sido as mulheres grávidas e crianças com menos de cinco 5 anos de idade, que continuam a ser as mais vulneráveis.

Áida Olimpio, de 22 anos de idade, está grávida há seis meses e veio para a consulta pré-natal – uma viagem de um dia para o Centro de Saúde da Ponte São José Mavuzi, um posto médico rural no distrito de Chiuta. Enquanto espera, um trabalhador de saúde explica a importância de dormir debaixo de uma rede mosquiteira tratada com insecticida. Tendo perdido o seu primeiro filho por causa da febre, ela presta muita atenção.

Após o exame, a Áida recebe Fansidar™, um tratamento profilático que ajuda a afastar a malária, comprimidos de ferro para ajudar a prevenir a anemia e uma nova rede mosquiteira para levar para casa.

No período de um ano, os resultados foram quase totais, segundo a Dr. Cumba, que dirige a campanha provincial em Tete. “Tivemos uma redução de 68% do número de casos e de 895 do número de mortes.”

Usando as lições do sucesso de um projeto-piloto na província de Gaza, agora a estratégia nacional prevê a distribuição de redes à toda a população. Um projecto ambicioso, que irá exigir um compromisso massivo ao nível nacional para garantir que haja redes suficientes para todos.

No distrito de Kaunda, o calor abrasador não impede milhares de pessoas de esperar por uma rede mosquiteira. Desde manhã cedo, equipas da saúde têm abordado uma aldeia de cada vez para distribuir de três a cinco redes mosquiteiras por família. Durante dez dias, 30.000 redes mosquiterias serão distribuídas. O custo da viagem para comprar uma rede na cidade, cerca de 100 kms para algumas famílias, seria proibitivo. O Ministério da Saúde passou meses planificando esta distribuição, tendo ido de porta-a-porta para calcular o número de redes necessárias.

A distribuição de redes mosquiteiras será realmente fundamental. Mas há um obstáculo ainda maior, o de conseguir que as pessoas realmente as montem.

“Distribuir essas redes é uma coisa, especialmente para as pessoas mais difíceis de alcançar, mas levar as pessoas a usá-las é outra coisa”, diz Paul Ngwakum, do UNICEF Moçambique. “A educação não é fácil pois temos que convencer as pessoas a mudarem o seu comportamento. E algumas pessoas vão vender as suas redes. Mas a boa nova é que ao longo dos anos, o número de pessoas dormindo sob uma rede tem aumentado.”

De acordo com um inquérito do governo realizado em 2008, o número de pessoas dormindo sob redes mosquiteiras aumentou de 16% para 48% desde 2003.

 

 
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