Inquérito de Indicadores Múltiplos (MICS) 2008: Sumário dos resultados
Moçambique, 30 de Setembro de 2009 – O Instituto Nacional de Estatística (INE) realizou ao longo de 2008, com o apoio do UNICEF, um inquérito nacional conhecido por Inquérito de Indicadores Múltiplos (MICS 2008). Os resultados deste inquérito foram apurados e finalizados este ano, apresentando os dados mais recentes sobre a situação da mulher e da criança no país. O MICS é actualmente a fonte de dados mais actualizados para a monitoria das metas dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODMs), sendo 17 dos indicadores dos ODMs recolhidos através deste inquérito. Metodologia O MICS 2008 inquiriu cerca de 14 mil agregados familiares a nível nacional, empregando métodos de elevado padrão de qualidade, rigor e fiabilidade. Esta pesquisa aplicou três questionários diferentes:
O trabalho de campo foi realizado por 25 equipas de inquiridores e decorreu entre Agosto e Dezembro de 2008. A entrada de dados teve início em Outubro de 2008, dois meses depois do início do trabalho de campo, e foi concluída em Abril de 2009. Sumário dos resultados O MICS 2008 apresenta os seguintes resultados preliminares: Mortalidade de crianças – As taxas de mortalidade entre crianças continuaram a diminuir nos últimos cinco anos. O MICS 2008 estimou a taxa de mortalidade de menores de um ano (mortalidade infantil) em 93 por mil nados vivos entre 2003 e 2008. O Inquérito Demográfico e de Saúde (IDS) de 2003 tinha estimado em 101 por mil para o período de 1998-2003. A taxa de menores de cinco anos foi estimada em 138 por mil, o que representa uma diminuição em 15 por cento em comparação com a estimada pelo IDS 2003, que foi de 153 por mil. Cobertura de vacinação – A imunização de menores de um ano têm aumentado ao longo da década. A taxa de imunização contra a pólio foi a que mais aumentou, passando de 55 por cento em 1997 para 70 por cento em 2008. A taxa de cobertura do BCG registou um aumento de 78 por cento em 1997 para 87 por cento em 2008. Prevalência e tratamento das principais doenças da criança – A malária, a infecção respiratória aguda (IRA) e a diarreia são as três principais causas de morte das crianças em Moçambique. Os dados do MICS mostram que 23 por cento de crianças que estavam com febre receberam medicamentos anti-maláricos no prazo de 24 horas depois de se registar o sintoma. A percentagem de menores de cinco anos dormindo sob uma rede mosquiteira na noite anterior aumentou de 10 por cento em 2003 para 42 por cento em 2008. A percentagem de crianças menores de cinco anos com sintomas de IRA baixou de 10 por cento em 2003 para 5 em 2008, tendo 65 por cento de crianças com sintomas de IRA sido levadas ao um agente provedor de serviços de saúde. A prevalência de doenças diarréicas entre crianças menores de 5 anos é de 18 por cento, enquanto que em 2003 era de 14 por cento. Perto de metade – 47 por cento – das crianças que tiveram diarreias recebeu terapia de rehidratação oral (TRO) e continuou a alimentar-se normalmente.
Estado Nutricional das crianças – O estudo indica que a percentagem de crianças com subnutrição crónica é de 44 por cento, enquanto que em 2003 era de 48 por cento. A percentagem de crianças menores de cinco anos com baixo peso para a sua idade diminuiu para 18 por cento. A prevalência de desnutrição aguda também diminuiu, passando de 5 por cento em 2003 para 4 por cento em 2008. Amamentação – O aleitamento materno registou uma melhoria, tendo cerca de 37 por cento de crianças dos 0-6 meses e 48 por cento de crianças dos 0-3 meses de idade sido exclusivamente amamentadas, contra 30 e 38 por cento respectivamente em 2003. Micronutrientes – Foram alcançados progressos no suplemento da vitamina A. Cerca de 72 por cento de crianças dos 6-59 meses receberam vitamina A nos seis meses que antecederam o inquérito, contra 50 por cento registados em 2003. Cerca de 58 por cento de agregados familiares consomem o sal iodado contra 54 por cento em 2003. No entanto, apenas 25 por cento de agregados familiares usa sal que contém a quantidade mínima necessária de iodo. Acesso à água potável e saneamento seguro – Cerca de 43 por cento dos agregados familiares têm acesso à água potável, em comparação com 36 por cento registados em 2004. Cerca de 30 por cento de agregados familiares rurais têm acesso à água potável, comparativamente a 70 por cento das zonas urbanas. Por outro lado, quase um quinto – 19 por cento – de agregados familiares no país têm acesso ao saneamento seguro, comparado com 12 por cento em 2004. Saúde reprodutiva – Cerca de 89 por cento de mulheres receberam cuidados pré-natais providos por pessoal médico qualificado, constituindo um aumento em relação à 85 por cento em 2003. A melhoria da cobertura nacional é o resultado de progressos nas áreas rurais, onde a percentagem de mulheres atendidas por pessoal especializado subiu de 79 por cento em 2003 para 86 por cento em 2008. Educação – Os dados do MICS revelam que 81 por cento de crianças em idade escolar primária, de 6 a 12 anos, estão a frequentar a escola. A diferença por sexos é de 82 por cento para os rapazes e 80 por cento para as raparigas. As taxas líquidas de frequência são mais baixas nas zonas rurais – 79 por cento – comparativamente às urbanas – 89 por cento. Cerca de 15 por cento de alunos que ingressaram no ensino primário completaram o ciclo da escola primária dentro do número esperado de anos, sendo a taxa de conclusão de 31 por cento nas zonas urbanas e apenas de 7 por cento nas zonas rurais. Registo de nascimento – O MICS mostra que 31 por cento de crianças menores de cinco anos de idade, foram registadas, sendo 39 por cento nas áreas urbanas e 28 por cento nas áreas rurais. Trabalho infantil – Cerca de 22 por cento de crianças com idades compreendidas entre os 5-14 anos estão envolvidas em trabalho infantil. A percentagem de crianças que trabalham é superior nas áreas rurais, com 25 por cento, do que nas urbanas, com 15 por cento. Crianças órfãs e vulneráveis devido ao SIDA – O MICS constata que 12 por cento das crianças são órfãs e 5 por cento estão vulneráveis devido à SIDA. A percentagem de crianças órfãs e vulneráveis é maior nas áreas urbanas – 20 por cento – do que em áreas rurais – 16 por cento – existindo diferenças entre as várias províncias. HIV e SIDA – A percentagem de mulheres que foram aconselhadas e testadas durante as consultas pré-natais aumentou nos últimos cinco anos. Cerca de 57 por cento de mulheres foram aconselhadas em 2008, comparadas com 51 por cento em 2003, tendo a percentagem de mulheres testadas durante as visitas pré-natais aumentado de 3 por cento em 2003 para 46 por cento em 2008.
Comunicado de imprensa Versão resumida do relatório |