Escassez de água exige maior colaboração entre parceiros e paísesMoçambique entre os três países da Africa Oriental e Austral com melhor desempenho na expansão do acesso à àgua e saneamento Maputo, 21 de Março de 2007 – ‘Enfrentando a escassez de Água’ é o lema do Dia Mundial da Água 2007, que se celebra anualmente a 22 de Março. Este ano pretende-se sublinhar a importância crescente da escassez de água à nível mundial e à necessidade de uma maior cooperação entre parceiros e países que permitam garantir uma gestão sustentável, eficiente e equitativa dos escassos recursos hídricos, à escala internacional. Ao se debater o tema de recursos hídricos limitados deve levar-se em conta os desequilíbrios entre a disponibilidade e a procura, a degradação da qualidade das águas subterrâneas e as águas superficiais, as disputas inter-regionais e internacionais à volta da problemática de como viver com escassos recursos hídricos. Moçambique depende em grande parte de recursos hídricos com origem nos países vizinhos, de onde provém cerca de 54 por cento do escoamento superficial anual. O país é ainda caracterizado por uma grande diversidade climática com precipitações anuais que variam de 400 mm (sul) até 1.800 mm (norte) e uma complexa rede hidrológica com nove rios partilhados. “O tema deste ano é mais do que uma simples forma de concentrar a atenção nesta questão. É uma chamada específica e enfática para a acção” disse o Director Geral da FAO Jacques Diouf na sua mensagem por ocasião desta efeméride. “Como maior utilizador de água no mundo inteiro, o sector agrícola deve estar à cabeça da luta para se fazer frente à procura crescente de àgua a nível global.” A agricultura é responsável por 70 por cento das capturas de água doce em todo o mundo, pois sem água não haveria agricultura. Esse número está mais perto dos 95 por cento nos vários países em desenvolvimento, onde se localizam cerca de três quartos dos campos irrigados de todo o mundo. Mais de 1 bilião de pessoas em todo o mundo (cerca de 20 por cento da população mundial) não tem acesso à água potável, e cerca de 2.6 biliões estão sem saneamento básico. A crise mundial de água é uma questão global. Um terço da população mundial vive em países com deficiente acesso de água, e estima-se que esses dados aumentem drasticamente ao longo das próximas décadas. A crise é pior em nações em desenvolvimento, especialmente nos países Africanos ao sul do Sahara e países do sul da Ásia. A região da África Oriental e Austral (de que Moçambique faz parte) enfrenta uma das mais baixas coberturas de água e saneamento do mundo. Em 2004, apenas 56 por cento das pessoas na região tinham acesso à fontes melhoradas de água potável (de cerca de 48 por cento em 1990) e 38 por cento tinham acesso à instalações melhoradas de saneamento (pouco acima dos 35 por cento em 1990). (cif. UNICEF Progress for Children, A report card on water and sanitation, September 2006). A situação em Moçambique Apesar dos progressos verificados em Moçambique na expansão do acesso à água e saneamento, estes não são ainda suficientes para que se atinjam os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Dados de 2004, retirados desse relatório, indicam que apenas 26 por cento da população nas zonas rurais tinha acesso à fontes melhoradas de água potável (comparado com 72 por cento nas zonas urbanas), sendo a cobertura total de apenas 43 por cento em todo o país. A meta dos ODMs estabelecida para Moçambique é de 68 por cento de cobertura de fontes melhoradas de água potável até 2015. Apesar das notáveis melhorias no acesso às instalações melhoradas de saneamento, em relação a outros países da região, indica o relatório que em 2004 apenas 19 por cento da população nas zonas rurais em Moçambique tinha acesso a instalações melhoradas de saneamento, comparado com 53 por cento nas zonas urbanas, totalizando apenas 32 por cento. A meta dos ODMs estabelecida para Moçambique é de 60 por cento de acesso a instalações melhoradas de saneamento até 2015. Dados do Inquérito Demográfico e de Saúde (IDS) de 2003, apontam que o baixo acesso ao abastecimento de água e ao saneamento básico é o factor-chave que contribui para a prevalência elevada de doenças diarreicas em Moçambique, que tem ainda uma das taxas mais elevadas de mortalidade infantil no mundo. Cento e setenta e oito crianças (178) de 1.000 de nados vivos morrem no país antes de atingir os 5 anos de idade devido à malária, infecções respiratórias agudas, SIDA, malnutrição, doenças diarreicas e sarampo, sendo muitas destas situações preveníveis por vacinação ou por outras medidas profilácticas simples. Para mais informação queira contactar: Carlos Noa Laísse, Departamento de Água Rural/DNA, Maputo: (+258) 82 312 8110; depaguarural@tvcabo.co.mz, Eugénio Macamo, Programas, FAO Maputo: (+258) 82 326 4750; eugenio.macamo@fao.org Manuel Freitas, Águas e Saneamento, UNICEF Maputo: (+258) 82 317 9170; mfreitas@unicef.org Gabriel Pinho Pereira, Comunicação, UNICEF Maputo: (+258) 82 316 5390; gpereira@unicef.org
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