Crianças afectadas pelas cheias regressam às aulas
Província de Sofala, Moçambique, 06 de Março de 2007 – Até esta semana, Joana Minete, de sete anos de idade, nunca tinha ido à escola. Nunca tivera um livro, e nunca usara um lápis. Hoje, ela tem as três coisas e está muito satisfeita. Este é um dos resultados de uma emergência que deixou 80.000 crianças sem abrigo, após semanas de chuvas intensas que causaram inundações ao longo do rio Zambeze e seus afluentes, destruindo pontes e habitações, dizimando gado e culturas. As 160 000 pessoas afectadas gostariam de regressar à sua situação anterior às cheias o mais rápido possível, todavia, o UNICEF está a tomar providências para que a situação seja a mais construtiva possível para as crianças como a Joana. Depois de ter sido obrigada a fugir da sua casa devido às cheias, a Joana chegou no centro de acomodação de Chupanga – 80 quilómetros de Caia, no centro de Moçambique – há uma semana. Vinte e quatro horas mais tarde ela já se encontrava na sala de aulas pela primeira vez na sua vida. Três grandes tendas do UNICEF – que podem acomodar centenas de crianças – encontram-se montadas lado a lado, dando um senso de estabilidade às crianças deslocadas, e para muitas uma rara oportunidade de experimentarem a educação. “Tive medo quando tivemos de nos deslocar para tão longe de casa,” diz Joana, “mas então cá cheguei, e deram-me uma pasta, livros e lápis, e então pensei ”Estou mesmo a gostar disto!” Após isto ela corre para a tenda transformada em sala de aulas, despedindo-se com o seu lindo sorriso. O professor da Joana, Filipe Carvalho, diz que na verdade há muitos desafios com tantos alunos principiantes juntos, mas que “estão com tanta vontade de aprender que é prazer ensinar”. “Dê-me apenas um tempinho com eles e garanto-lhe que estarão preparados para o ensino mais formal,” afirma o Sr. Carvalho. O UNICEF está a responder à emergências simultâneas em Moçambique. Enquanto as cheias continuavam a deixar deslocadas dezenas de milhares de pessoas, um ciclone assolava as cidades e vilas costeiras, destruindo cerca de 220 salas de aulas e deslocando milhares mais crianças da escola. Em resposta, o UNICEF e seus parceiros distribuíram 25.000 kits de educação para crianças, 2.800 kits para professores e usa 30 tendas como espaços provisórios para aulas. “A nossa resposta no terreno foi rápida e eficaz,” afirmou a Representante do UNICEF em Moçambique, Leila Pakkala. “É fundamental ter as crianças novamente na escola no mais curto espaço de tempo possível, e é bastante encorajador quando crianças como a Joana gozam a experiência de ir à escola pela primeira vez.” Enquanto o resto da turma assiste, Joana é chamada ao quadro para resolver um problema. É geometria simples (identificar e desenhar formas), mas seria bastante difícil para ela há poucos dias. Hoje, ela concentra-se, pega no giz e acerta.
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