Cidades costeiras trabalham arduamente após o Ciclone Favio
Maputo, 28 de Fevereiro de 2007 – Cerca de 48 horas após um grande ciclone ter quase arrasado grandes porções desta tranquila cidade moçambicana, a população de Vilanculos estava ocupada – reparando tectos, postes de electricidade, cortando árvores caídas, retirando as chapas de zinco e varrendo os fragmentos. Por toda a cidade, os tectos estão a ser reparados, os postes de electricidade estão a ser lentamente repostos; as populações estão a recuperar as suas vidas. Mas os danos foram vastos – sólidas chapas de zinco embrulhadas como papel em volta dos postes de iluminação, mercado municipal transformadas num monte de pedaços de postes, blocos e quadros de aço em ângulos estranhos; cerca de 130.000 casas precisavam de reparação, no aeroporto um avião parqueado foi esmagado no hangar, a queda de árvores havia destruído os muros, 130 escolas foram destruídas em poucas horas pelo ciclone. Os ventos quase haviam transformado os materiais escolares em oblívio. As crianças, actualmente sem aulas, olham fixamente para o que resta das suas salas de aula. Por enquanto, elas não estão perturbadas, o drama do momento deu-lhes um novo campo de jogos composto por montes de entulho e madeira quebrada. Mas os funcionários da educação estão preocupados com a perda de aulas. A Sandra Alberto, com uma gravidez em estado avançado, trabalha como administradora na secção de advocacia sobre o HIV/SIDA de uma das escolas locais. Ela perdeu todos os seus documentos e processos nas ruínas do seu escritório com pinturas e mensagens sobre o HIV/SIDA. Foi nas primeiras horas da madrugada quando ela e seus filhos fugiram a procura de abrigo. “Chapas de zinco voavam por todo o lado. Tivemos de correr a procura de abrigo, mas era impossível estar lá fora“ afirma a Sandra. “Tivemos que manter as crianças agarradas pois os ventos eram bastante fortes e temíamos que elas fossem arrastadas.” Sem tecto e sem abrigo como milhares de várias outras pessoas, a Sandra está a salvar o que pode, mas os seus documentos de trabalho escolar foram perdidos para sempre. Extraordinariamente, poucas pessoas na zona morreram ou ficaram feridas. Apesar dos ventos mortais, a vida continuou. A secção da maternidade do hospital local foi totalmente destruída. Três bebes nasceram nas primeiras horas do ciclone.
As Nações Unidas, as organizações humanitárias e o Governo de Moçambique reagiram imediatamente ao desastre, evitando o pior. Logo que o ciclone terminou e se tornou seguro deslocar-se, o UNICEF montou tendas para servirem provisoriamente de hospital, recipientes grandes de água foram instaladas em locais chave em toda a cidade. O Ciclone Fávio abateu-se sobre a costa oriental de Moçambique apenas 2 semanas após as inundações mais a norte, no vale do Zambeze, ter destruído habitações de 160 000 pessoas causando uma resposta de emergência. “É raro um país ser assolado por duas grandes emergências simultâneas em tão curto espaço de tempo tão curto,” afirmou a representante do UNICEF em Moçambique, Leila Pakkala. “Moçambique respondeu rapidamente às cheias mas todos os nossos problemas de água e saneamento, abrigo, saúde, e educação são exacerbados por este grave ciclone.” Visitas regulares de mães e crianças às unidades sanitárias já recomeçaram. O exército moçambicano foi também mobilizado, estando de prontidão contra doenças transmitidas pela água, como a diarreia e cólera. As próximas semanas continuarão sendo precárias para as crianças da zona. Mas as pessoas ficaram mais esperançosas quando o Presidente da República lá se deslocou para testemunhar a destruição, encorajar os esforços locais e procurar fazer com que a zona volte a levantar-se.
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