Resposta integrada ao HIV e SIDA
Progressos e desafios Embora alguns países da África Oriental – Uganda, Quénia, Etiópia – tenham registado redução modesta da infecção do HIV nos últimos anos, só agora a epidemia do SIDA começou a estabilizar em Moçambique. Os últimos dados indicam uma taxa de prevalência de 15 por cento no grupo etário de 15 - 49 anos. Estima-se que 1,6 milhões de pessoas estejam vivendo com o HIV e SIDA. Cerca de 410 pessoas ficam infectadas por dia. Transmissão vertical Em Moçambique, cerca de 85 bebés são infectados pelo HIV diariamente pelas mães. As mães HIV-positivas transmitem o vírus durante a gravidez, parto ou através da amamentação. Provou-se que a profilaxia antiretroviral dada à mulher durante a gravidez e parto – e ao seu bebé logo após o parto – reduz drasticamente a probabilidade da mãe passar o HIV ao seu bebé, constituindo também um tratamento para a mãe. O programa nacional de prevenção da transmissão vertical do HIV (PTV) cresceu rapidamente desde a sua introdução. O número de postos de PTV em todo o país aumentou para 744 em Outubro de 2009, de cerca de 500 em 2008. Em 2007 existiam 386, em 2006 cerca de 222 e em 2002 apenas 8. Como resultado, o número de mulheres recebendo aconselhamento e teste através dos serviços de PTV aumentou de 4.641 em 2002 para 194.117 em 2006 e para 366.281 em 2007 – de um total médio de 800.000 gravidezes por ano. Causa principal de morte de crianças As doenças associadas ao SIDA estão cada vez mais a tornar-se numa das principais causas da mortalidade de crianças em Moçambique. Uma proporção cada vez mais crescente de mortes de crianças é resultado de doenças associadas ao HIV. Em 2010, estima-se que 19 mil crianças menores de 5 anos morrerão como resultado da doença. O número de crianças recebendo o tratamento antiretroviral (TARV) aumentou significativamente nos últimos cinco anos, de 500 em 2004 para 12647 crianças em 2009. Isto representa 27 por cento das crianças elegíveis que precisam de tratamento. As crianças têm uma taxa de evolução mais rápida de infecção do HIV para SIDA do que os adultos – meses em comparação com o tempo de evolução de anos para os adultos. Mais de 50 por cento das crianças infectadas com o HIV morrem antes de completar um ano de vida. Impacto nas crianças e jovens As crianças e adolescentes são particularmente vulneráveis ao HIV e SIDA. Em 2010, estima-se que mais de 95.000 jovens com idades compreendidas entre os 15 e 19 anos viviam com o HIV em Moçambique. As meninas e raparigas são mais vulneráveis à infecção porque muitas vezes não têm o poder de recusar o sexo nao protegido, a escolher os seus parceiros, a influenciar em geral o comportamento sexual e porque são biologicamente mais vulneráveise à infecção. Por outro lado, os rapazes poderão nao ter capacidade de ignorar a pressão dos pares de iniciar o sexo numa idade precoce e ter parceiros múltiplos e encontros sexuais frequentes. Impacto nas crianças órfãs e vulneráveis Cerca de 350 mil crianças em Moçambique perderam o seu pai, mãe ou ambos devido ao SIDA. As crianças tornadas órfãs devido ao SIDA são especialmente vulneráveis ao abuso e exploração devido ao estigma e falta de apoio e cuidados de adultos. Grande proporção das crianças órfãs vivem em agregados familiares chefiados por mulheres ou velhos. As crianças que são órfãs – especialmente as que perderam a sua mãe – são mais susceptíveis de serem desnutridas ou ter saúde precária.
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