"Vivendo Juntos” ajuda as comunidades a cuidar das suas crianças vulneráveis
Distrito do Chókwe, Província de Gaza, Junho de 2008 – É já meio da manhã e Rosina, de 16 anos idade, encontra-se ainda em casa. Ela está atarefada a terminar os afazeres domésticos para ir à escola. O seu lar é uma pequena, velha e escura palhota, onde ela vive há cerca de um ano com os seus 3 irmãos mais novos. Rosina é a mais velha, o mais pequeno tem apenas 3 anos. A mãe faleceu há cerca de 2 anos. Nada sabem sobre o paradeiro do pai. “Tomo conta dos meus irmãos como uma mãe”, diz Rosina. “A nossa vida aqui é muito difícil. Todos os dias tenho de ir cartar água num lugar um pouco distante, ir para o mato procurar lenha, cozinhar para os meus irmão e ir também à escola.” Mas apesar das dificuldades, Rosina tem recebido apoio da comunidade, o que a ajuda a sustentar a casa e a continuar a ir estudar. “Dependemos do pouco dinheiro e comida que recebemos pelos pequenos trabalhos que fazemos nas machambas dos vizinhos, e da ajuda que recebemos da Vukoxa”, conta Rosina. Vukoxa é uma associacão baseada na comunidade que apoia agregados familiares chefiados por crianças e idosos que cuidam de crianças tornadas órfãs e vulneráveis, no âmbito do programa “Vivendo Juntos”. Este programa é apoiado pela Help Age International, o UNICEF e outros parceiros, e tem por objectivo assegurar a integração de crianças órfãs e vulneráveis em escolas e assisti-las nas suas necessidades básicas, incluindo geração de rendimento, acesso à terra e crédito agrícola, água e saneamento adequado. “Criamos um comité com membros da comunidade aqui em Chiaquelane porque verificamos existirem muitas crianças órfãs vivendo sozinhas e muitos idosos tomando conta de crianças, que precisavam da nossa ajuda” explica Anita Ussivana, Presidente do Núcleo da Vukoxa da comunidade de Chiaquelane, onde Rosina vive.
“No ano passado os nossos activistas andaram de casa em casa para avaliar a situação da comunidade. Foi assim que encontramos Rosina e seus irmãos”, acrescenta Anita Ussivana. Desde então, estas crianças têm recebido apoio em material escolar, uniforme escolar, roupas, sabão, registo de nascimento e acesso a serviços de saúde. Inclusive uma latrina comunitária foi recentemente construida pela Vukoxa na comunidade. A Vukoxa tem também treinado uma rede de activistas designados “ouvintes” e “paralegais”, que providenciam apoio psico-social e legal às crianças órfãs e vulneráveis e às pessoas idosas em situação de vulnerabilidade. Constância Novela, de 42 anos, activista da Vukoxa, tem providenciado apoio psico-social a Rosina e seus irmãos. “Venho visita-los pelo menos duas vezes por mês, ouvir quais as suas preocupações, aconselha-los e ajuda-los no que precisam”, afirma Constância Novela. Cerca de 146 crianças tornadas órfãs e vulneráveis são actualmente apoiadas pela Vukoxa em Chiaquelane. Alguns dos activistas são também treinados como “contadores de estórias”, e trabalham nas escolas na promoção da história local e educação moral e cívica às crianças e adolescentes. Através de associações como a Vukoxa, em coordenação com as autoridades locais e com o apoio do UNICEF e parceiros, crianças em situação de vulnerabilidade como Rosina e seus irmãos são referenciados para serviços sociais básicos de educação, saúde, nutrição, registo de nascimento, apoio psico-social, entre outros. Estima-se que cerca de 400,000 crianças tornaram-se órfãs devido ao SIDA em Moçambique, um número que está a crescer de forma alarmante. A mobilização das comunidades para apoiarem as crianças órfãs e vulneráveis e para providenciarem serviços essencias, faz parte do apoio prestado pelo UNICEF e parceiros ao Governo de Moçambique para a implementação do Plano de Acção para Crianças Órfãs e Vulneráveis. O Plano visa alcançar cerca de 1.3 milhões de crianças órfãs e vulneráveis com serviços sociais básicos.
Página relacionada Publicações relacionadas |