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Unidades multimédia móveis agitam a comunidade

© UNICEF/MOZA-01622/G.Pirozzi
Activista comunitária Gressi Meia fala à multidão sobre a prevenção do HIV.

Vandúzi (Moçambique) – Levanta-se pó dos pés de homens, mulheres e crianças que estão a dançar animadamente ao som da percussão tradicional à luz do pôr do sol. Estão todos unidos, a cantar na língua local sobre como prevenir o HIV e o SIDA.

Após uma breve pausa, Gressi Meia de 17 anos de idade interrompe para divulgar mais mensagens sobre a prevenção do HIV e SIDA. Ela chama a atenção de todos com um microfone, pedindo a opinião da multidão de centenas de pessoas reunidas num espaço aberto na localidade remota de Vandúzi, na província de Manica.

A multidão necessita de pouco encorajamento. Uma mãe agarra ansiosamente o microfone de Meia: “Homens mais velhos estão a vir para a nossa comunidade para destruir as nossas jovens; fazem com que desistam da escola, engravidamnas e infectam-nas com HIV e SIDA.” Outros na multidão seguem-se – homens e mulheres, velhos e novos, funcionários do governo local e membros da comunidade local – para expressar os seus pontos de vista.

A multidão está a aumentar em número e as pessoas amontoam-se para ver melhor. Eles souberam através dos líderes comunitários há alguns dias que haveria uma noite recheada de actividades.

Acompanhando a música e a dança tradicional no teatro comunitário, todos estão ansiosos pelos filmes – uma novidade na sua comunidade, uma vez que muitas pessoas não têm energia. Quando o sol se põe, projectam-se três filmes num ecrã branco gigante com o tema HIV e SIDA entrelaçado num enredo envolvente. Os filmes desta noite abrangem o estigma, a prevenção e viver de forma positiva. O público tem depois oportunidade para fazer comentários.

O evento é organizado pela GESOM, uma organização local apoiada pelo UNICEF que utiliza uma unidade multimédia móvel – um veículo equipado com um projector de vídeo, um ecrã gigante e equipamento de rádio – para aumentar a consciencialização sobre questões relacionadas com a vida nas comunidades rurais com elevadas taxas de analfabetismo e acesso restrito a meios electrónicos.

Sérgio Silva, o coordenador da GESOM, explica que o foco é o HIV e SIDA e a educação e que os jovens são encorajados a visitar os Serviços de Saúde Amigos dos Adolescentes e Jovens (SAAJ), onde podem receber aconselhamento e fazer testes de HIV.

“Utilizamos métodos locais de comunicação, tais como instrumentos e danças tradicionais, teatro de rua e línguas locais, misturando com as nossas tecnologias modernas, tais como iluminação, som, filmes e ecrã gigante,” diz Sérgio.

© UNICEF/MOZA-01771/G.Pirozzi
A unidade móvel consiste de um veículo equipado com um projector de vídeo, uma tela gigante e equipamento de rádio, assim como uma tenda de campismo para aconselhamento privado e discussões de grupos focais.

A unidade móvel também tem tendas para aconselhamento privado sobre HIV e SIDA, discussões de grupo focal e projecção de vídeos sensíveis para grupos específicos. Silva diz que a unidade móvel e a sua equipa normalmente ficam entre 3 a 4 dias na comunidade e que regressam à mesma comunidade duas vezes ao longo do ano para reforçar as suas mensagens.

Os elevados números de pessoas de todas as idades e ambos os sexos que aparecem e participam de forma entusiástica nos eventos, encorajam-no. Ele acrescenta que os Gabinetes de Aconselhamento e Testagem Voluntária (GATV) e os Serviços de Saúde Amigos dos Adolescentes e Jovens relatam um aumento significativo no número de clientes depois das suas visitas. A jovem activista Gressi Meia também confirma isto. Ela trabalha como voluntária no seu SAAJ local das 8  às 11.30 da manhã, antes de ir para a escola à tarde.

António Moisés, de dezanove anos de idade, um membro do público, diz que é a segunda vez que tem a oportunidade de participar neste evento multimédia. “Aprendi muito, em particular sobre o que está a acontecer no mundo,” diz. 

António vive com a tia desde que a mãe morreu vítima de uma mina anti-pessoal em 1992. O pai morreu antes, no início da guerra. “Aprendi como prevenir o HIV e SIDA e posso também dizer aos meus amigos que não tiveram oportunidade de ver o que aprendi.”

António diz que um dia depois da unidade móvel ter visitado pela primeira vez, ele visitou os serviços do GATV local pela primeira vez e fez o teste do HIV. “Eu aprendi nessa ocasião que era melhor conhecer o meu estado.” Ele foi também ao SAAJ local pouco depois. “Queria aprender mais sobre a minha saúde,” diz ele.

 

 
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