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Mães seropositivas encorajam os seus pares a proteger os seus bebés da infecção

© UNICEF/MOZA-01640/G.Pirozzi
Os serviços de PTV incluem aconselhamento e testagem para mulheres grávidas.

Chimoio (Moçambique) – Regina chamou o seu filho Musamura, que significa “aprecia-o mas não o leves para longe” em Ndau, uma das línguas locais.

Depois de perder dois dos seus filhos quando ainda eram bebés, a mãe de quatro crianças com 34 anos admite que tem ainda mais medo de perder Musamura porque descobriu que era seropositiva quando ainda estava grávida dele.

“Ambos os meus filhos morreram com diarreia,” diz Regina suavemente. “Não fizeram o teste do HIV, mas penso que teria sido positivo. Estavam sempre doentes.”

Desde a sua perda trágica, Regina tem-se esforçado não só para assegurar a sobrevivência de Musamura mas também para ajudar outras mães seropositivas e mulheres grávidas a proteger os seus bebés da infecção.

Regina tem sido a chefe de um Grupo de Mães Seropositivas, que é um grupo de apoio e de partilha de informações no âmbito do programa de Prevenção da Transmissão de Mãe para Filho (PTV) realizado pelo Governo. Neste programa, uma mulher grávida seropositiva recebe uma dose do medicamento antiretroviral Nevirapine durante o parto, e o seu bebé recebe o medicamento sob a forma de xarope 72 horas após o parto.

Sem qualquer serviço de PTV, uma mulher grávida tem um risco de 30 por cento de passar o vírus para o seu bebé. Para além do risco de infecção durante a gravidez e o parto, o bebé pode também ser infectado através da amamentação. Assim sendo, é fundamental que a mãe receba apoio para tomar decisões críticas relacionadas com a alimentação para assegurar que um bebé que tenha evitado a infecção permaneça assim.

A Política Nacional de PTV, desenvolvida com o apoio do UNICEF, recomenda que as mulheres grávidas seropositivas recebam aconselhamento sobre os prós e os contras das diferentes opções de alimentação das crianças.

Existem 113 locais de PTV em todo o país. Desde o início do programa em 2002, um total de 249,908 mulheres grávidas recebeu aconselhamento e testagem.

© UNICEF/MOZA-01646/G.Pirozzi
Uma mulher medindo a sua pressão sanguínea durante uma consulta pré-natal na província de Manica. UNICEF e parceiros estão a apoiar o estabelecimento de novos serviços de PTV nas províncias com maiores índices de prevalência de HIV.

Regina consegiu aderir com êxito ao programa de PTV e está prestes a despedir-se do Grupo de Mães Seropositivas porque Musamura, que tem mais de 18 meses, fez o teste que deu negativo para HIV. Todas as mães no programa podem fazer o teste ao seu bebé nas últimas semanas para dar apoio às mães que ainda estão no programa de PTV.

“Conto-lhes a minha experiência e procuro encorajá-las, dizendo-lhes como o meu filho fez o teste e deu  negativo,” diz Regina. “Também dou conselhos às mães sobre alimentação e sobre o que devem dar aos seus bebés depois de serem desmamados para que cresçam saudáveis.”

A Representante do UNICEF Leila Pakkala diz que este pacote holístico de apoio é essencial para o sucesso do programa de PTV, mas que o estigma é um grande fardo. Grande parte das mulheres grávidas receia fazer o teste ou seguir o programa porque receia que os seus maridos descubram e as abandonem.

“O Grupo de Mães Seropositivas é uma fonte de apoio importante para as mulheres,” diz Pakkala.

Os dados oficiais indicam que o estigma é um factor que leva as mulheres a desistir do programa. Em 2005, cerca de 65 por cento das mulheres em clínicas pré-natais fizeram o teste do HIV – 10 por cento delas testaram positivo. No entanto, apenas 54 por cento das mulheres grávidas que testaram positivo tomaram Nevirapine.

Através do programa de PTV, Regina foi referida para um hospital para realizar mais testes.
Descobriu-se que ela precisava de tratamento antiretroviral e foi inscrita num programa de tratamento. Regina persuadiu o seu marido a fazer o teste de HIV. Ela levou também os seus outros dois filhos, com 18 e 12 anos respectivamente, para fazerem o teste. O teste do marido foi positivo e tal como ela, ele agora beneficia de tratamento antiretroviral. Os seus filhos testaram negativo.

 “Eu digo às mulheres no Grupo de Mães Seropositivas que devem revelar o seu estado aos familiares em quem confiam,” diz Regina. “No nosso grupo elas começam a abrir-se mais.”

Ela acrescenta que confiar no seu marido e nos seus filhos foi uma fonte de apoio importante para ela. “Os meus filhos dizem-me sempre para tomar os meus comprimidos; e encorajam-me com os meus estudos – eu regressei à escola e a minha vida está a melhorar.”

 

 
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