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Nutrição

© UNICEF/MOZA-01568/G.Pirozzi

Impacto da malnutrição

A malnutrição contribui em grande medida para a proporção de mortes de crianças em Moçambique. A malnutrição – estado de estar mal nutrido – não é simplesmente o resultado de a comida ser insuficiente (demasiado pouca), mas é o resultado de uma combinação de factores: insuficiência de proteínas, energia e micronutrientes, infecções ou doenças frequentes, práticas de cuidados e alimentação inadequadas, serviços de saúde inadequados e água e saneamento não seguros.

A malnutrição compromete o sistema imunitário da criança, tornando-a mais susceptível à doenças como a pneumonia, malária e HIV.

Deficiência de macronutrientes

Em Moçambique, mais de 40 por cento das crianças abaixo dos cinco anos são raquíticas devido à doenças crónicas e dieta inadequada. E cerca de 24 por cento das crianças têm baixo peso, tendo que as crianças das zonas rurais duas vezes baixo peso que as que vivem nas zonas urbanas.

A malnutrição severa, também conhecida como a debilitação (wasting), não chega ao nível do raquitismo e baixo peso, mas constitui um problema de saúde pública em Moçambique.

Cerca de 4 por cento das crianças em Moçambique estão debilitadas, com os mais altos níveis de debilitação nas zonas afectadas pela seca. À semelhança das outras formas de malnutrição severa, a debilitação está também intimamente associado ao HIV e SIDA. É um sintoma clínico comum da infecção do HIV nas crianças.

Deficiência de micronutrientes 

As deficiências de micronutrientes, especialmente a falta de dois minerais (iodo e ferro) e uma vitamina (a vitamina A) são outra grande manifestação da malnutrição.
A deficiência de iodo pode levar à problemas mentais e físicos severos. De acordo com os últimos dados disponíveis, em Moçambique, 14,5 por cento das crianças com idades compreendidas entre os 6 e 12 sofrem de deficiência de iodo e 42 por cento sofrem de deficiência moderada de iodo.

A deficiência de ferro, ou anemia, afecta 75 por cento das crianças, sendo as mais novas mais propensas a ter esta condição dos que as mais velhas. As crianças anémicas crescem mais lentamente e são apáticas, anoréxicas e não têm energia.

A deficiência da vitamina A, que afecta cerca de 69 por cento das crianças moçambicanas abaixo dos cinco anos de idade, enfraquece a imunidade da criança contra as infecções.

© UNICEF/MOZA-01554/G.Pirozzi

Embora uma grande percentagem de crianças moçambicanas sejam amamentadas, apenas 30 por cento delas são exclusivamente amamentadas entre as crianças abaixo dos seis meses de vida. A amamentação imediata e exclusiva pelo menos durante os primeiros seis meses de vida é a melhor fonte de nutrição para uma criança, e contém micronutrientes vitais.

O que está sendo feito

O UNICEF trabalha com o Ministério da Saúde na expansão de intervenções nutricionais integradas em todo o país. Nos últimos dois anos, foram registados progressos significativos nas seguintes áreas:

  • 1.000 unidades sanitárias estão a implementar o pacote de alimentação básica

  • 100 unidades estão a oferecer alimentação suplementar

  • 132 unidades estão a oferecer alimentação suplementar e terapéutica

Passos a seguir

A partir de 2009 até 2011, o UNICEF continuará a prestar apoio ao Ministério da Saúde em três áreas principais: expansão de um Pacote de Nutrição Básica nas unidades sanitárias; promoção da alimentação de lactentes e crianças nas comunidades; e expansão de intervenções alimentares selectivas para crianças malnutridas.

Pacote de Nutrição Básica nas unidades sanitárias

Um Pacote de Nutrição Básica destinado a evitar que as crianças fiquem malnutridas nas várias fases de vida é implementado nas unidades sanitárias em todo o país.

O pacote de nutrição básica inclui actividades sobre a alimentação de lactentes e crianças, nutrição materna, suplementação de micronutrientes, desparasitação e monitoria do crescimento. O objectivo é de fazer chegar o Pacote de Nutrição Básica a mais de 1200 unidades sanitárias em todas as províncias.

Intervenções alimentares baseadas na comunidade

Várias actividades nutricionais baseadas na comunidade, incluindo a promoção de boas práticas alimentares entre as famílias e cuidadores estão a ser  implementadas com vista a promover práticas correctas de alimentação de lactentes e crianças.

As actividades incluem a suplementação da vitamina A, triagem e tratamento de crianças malnutridas, educação nutricional, promoção da amamentação e formação de trabalhadores comunitários de saúde. O objectivo é de expandir a promoção de práticas alimentares correctas para 90 distritos.

As actividades de comunicação e mobilização social são aspectos importantes desta abordagem comunitária, focalizadas no empoderamento das mães, famílias, comunidades e provedores de serviços com vista a reforçar comportamentos positivos.

Alimentação das crianças malnutridas

Para lidar com a malnutrição encontrada em crianças vivendo nas zonas de seca, a insegurança alimentar e altas taxas de seroprevalência, intervenções de alimentação suplementar são expandidas para ajudar a salvar as vidas de crianças e mulheres cronicamente vulneráveis.

As crianças malnutridas vivendo com HIV e SIDA estão a ser tratadas com alimentos terapéuticos prontos para usar, também designadas por plumpy-nut. O objectivo é de expandir até 150 postos para a alimentação terapéutica e 150 postos para a alimentação suplementar.

 

 
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