Nutrição
Impacto da desnutrição A desnutrição contribui em grande medida para a proporção de mortes de crianças em Moçambique. A desnutrição – estado de estar mal nutrido – não é simplesmente o resultado de a comida ser insuficiente (demasiado pouca), mas é o resultado de uma combinação de factores: insuficiência de proteínas, energia e micronutrientes, infecções ou doenças frequentes, práticas de cuidados e alimentação inadequadas, serviços de saúde inadequados e água e saneamento não seguros. A desnutrição compromete o sistema imunológico da criança, tornando-a mais susceptível à doenças como a pneumonia, malária e HIV. Deficiência de macronutrientes Em Moçambique, mais de 44 por cento das crianças abaixo dos cinco anos são raquíticas devido à inadequada dieta e cuidados de saúde. E cerca de 18 por cento das crianças têm baixo peso, tendo que as crianças das zonas rurais duas vezes baixo peso que as que vivem nas zonas urbanas.A desnutrição aguda, também conhecida como a debilitação, não chega ao nível do raquitismo e baixo peso, mas constitui um problema de saúde pública em Moçambique. A debilitação afecta quatro por cento das crianças em Moçambique. As crianças em zonas afectadas pela seca estão mais em risco de ser desnutridas. À semelhança das outras formas de desnutrição severa, a debilitação está também intimamente associado ao HIV e SIDA. É um sintoma clínico comum da infecção do HIV nas crianças. Deficiência de micronutrientes As deficiências de micronutrientes, especialmente a falta de dois minerais (iodo e ferro) e uma vitamina (a vitamina A) são outra grande manifestação da desnutrição. A deficiência de iodo pode levar à problemas mentais e físicos severos. De acordo com os últimos dados disponíveis, em Moçambique, 15 por cento das crianças com idades compreendidas entre os 6 e 12 sofrem de Bócio. O Uso de sal iodisado aumentou de 54 por cento em 2003 para 58 por cento em 2008. A deficiência de ferro, ou anemia, afecta 75 por cento das crianças e 48 por cento das mulheres. As crianças anémicas crescem mais lentamente e são apáticas, anoréxicas e não têm energia. A deficiência da vitamina A, que afecta cerca de 69 por cento das crianças moçambicanas menores de cinco anos de idade e 11 por cento das mães, enfraquece a imunidade contra as infecções. A cobertura da suplementação de vitamina A aumentou de 50 por cento em 2003 para 72 por cento em 2008.
Embora uma grande percentagem de crianças moçambicanas sejam amamentadas, apenas 38 por cento delas são exclusivamente amamentadas entre as crianças abaixo dos seis meses de vida. A amamentação imediata e exclusiva pelo menos durante os primeiros seis meses de vida é a melhor fonte de nutrição para uma criança, e contém micronutrientes vitais.
O que está sendo feito O UNICEF trabalha com o Ministério da Saúde na expansão de intervenções nutricionais integradas em todo o país. Nos últimos trêss anos, foram registados progressos significativos nas seguintes áreas:
Passos a seguir Entre 2010 e 2011, o UNICEF continuará a prestar apoio ao Ministério da Saúde em três áreas principais: expansão de um Pacote de Nutrição Básica nas unidades sanitárias; promoção da alimentação de lactentes e crianças nas comunidades; e expansão de intervenções alimentares selectivas para crianças desnutridas. Pacote de Nutrição Básica nas unidades sanitárias Um Pacote de Nutrição Básica destinado a evitar que as crianças fiquem malnutridas nas várias fases de vida é implementado nas unidades sanitárias em todo o país. O pacote de nutrição básica inclui actividades sobre a alimentação de lactentes e crianças, nutrição materna, suplementação de micronutrientes, desparasitação e monitoria do crescimento. O objectivo é de fazer chegar o Pacote de Nutrição Básica a mais de 1200 unidades sanitárias em todas as províncias. Intervenções alimentares baseadas na comunidade Várias actividades nutricionais baseadas na comunidade, incluindo a promoção de boas práticas alimentares entre as famílias e cuidadores estão a ser implementadas com vista a promover práticas correctas de alimentação de lactentes e crianças. As actividades incluem a suplementação da vitamina A, triagem e tratamento de crianças desnutridas, educação nutricional, promoção da amamentação e formação de trabalhadores comunitários de saúde. O objectivo é de expandir a promoção de práticas alimentares correctas para 90 distritos. As actividades de comunicação e mobilização social são aspectos importantes desta abordagem comunitária, focalizadas no empoderamento das mães, famílias, comunidades e provedores de serviços com vista a reforçar comportamentos positivos. Alimentação das crianças desnutridas Para lidar com a desnutrição encontrada em crianças vivendo nas zonas de seca, a insegurança alimentar e altas taxas de seroprevalência, intervenções de alimentação suplementar são expandidas para ajudar a salvar as vidas de crianças e mulheres cronicamente vulneráveis. As crianças desnutridas vivendo com HIV e SIDA estão a ser tratadas com alimentos terapeuticos prontos para usar, também designadas por plumpy-nut. O objectivo é de expandir até 150 postos para a alimentação terapéutica e 150 postos para a alimentação suplementar.
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