Intervenções aceleradas alcançam mais crianças com serviços básicos de saúde
Maputo, Abril de 2008 – As manhãs iniciam sempre bem cedo para os habitantes de Djabula, uma comunidade rural do distrito de Matutuine, na província de Maputo. A maioria das mulheres, geralmente transportando os seus filhos menores às costas, começam o dia a realizar tarefas como cartar água e apanhar lenha. Outras rumam para as suas machambas ou vão para os mercados vender as suas hortícolas e comida caseira. Mas hoje um acontecimento de grande importância para a comunidade alterou a rotina diária. Uma unidade móvel de saúde vinha trazer serviços básicos de saúde para as crianças menores de cinco anos. Os que não tinham recebido a informação nos dias anteriores, foram interpelados no caminho pela agente de saúde Fatima Jonasse. Com a ajuda do líder da comunidade, Fátima ia mobilizando as mães de casa em casa e onde quer que as encontrasse no seu percurso. Quando a unidade móvel chega finalmente ao seio da comunidade de Djabula, já uma longa fila de mulheres aguarda ansiosamente com as suas crianças ao colo. Cecília, de 23 anos, é uma delas. Ela trouxe o seu filho Siyabonga, que tem um ano e um mês de idade. “A esta hora costumo estar em casa a preparar carvão para vender, mas hoje decidi vir aproveitar esta oportunidade para dar vitamina A, vacinar e desparasitar Siyabonga”, diz Cecília. Conforme explica, estas intervenções são muito importantes para a saúde do pequeno Siyabonga, perante a dificuldade de acesso a serviços de saúde de rotina na sua comunidade. “Minha casa fica a dois quilómetros do posto de saúde local. Mas frequentemente este não tem vacinas e medicamentos para as crianças. Muitas vezes a única opção é caminhar doze quilómetros até ao Centro de Saúde”, diz Cecília. “A dificuldade é grande porque o caminho é arenoso e não há transporte. Houve dias que tive de ficar em casa com a criança doente, sem assistência ou medicamentos. Mas hoje foi possível trazer Siyabonga com facilidade porque não tive de caminhar muito nem de interromper a venda de carvão por muito tempo.”conclui Cecíla.
Para responder às necessidades de crianças como Syabonga, as autoridades de saúde têm vindo a desenvolver um programa de extensão com vista a alcançar comunidades remotas. Agentes de saúde como Fátima Jonasse, por exemplo, são bem conhecidas nas comunidades porque trazem serviços básicos de saúde uma vez por mês. Mas desta vez a unidade móvel de saúde trouxe um pacote mais completo de intervenções para as crianças menores de 5 anos, no âmbito da Semana Nacional de Saúde da Criança. A Semana Nacional de Saúde da Criança é uma iniciativa chave do Governo de Moçambique, apoiada pelo UNICEF outros parceiros, com vista a acelerar os progressos na redução da mortalidade materna, neonatal e infantil. A primeira fase teve lugar de 31 de Março a 4 de Abril corrente. A segunda fase está programada para Agosto desde ano. “Durante esta semana nós intensificamos a nossa assistância às comunidades através das unidades móveis e nos centros de saúde, providenciado serviços de saúde de forma ainda mais integrada”, esclarece Fátima Jonasse. “As crianças têm acesso à vacinação de rotina, suplemento de vitamina A, desparasitação e triagem nutricional”, acrescenta enquanto administra vitaminas a uma das crianças na fila. A suplementação com iodo estava também a ser implementada em algumas províncias do país. Os dados mais recentes disponíveis sobre a deficiência em vitamina A em Moçambique indicam que 69 por cento das crianças menores de 5 anos estão afectadas no país, com um impacto tremendo na morbilidade e mortalidade das crianças e mulheres. No entanto, a cobertura da suplementação de rotina é ainda baixa. Por outro lado, apesar de comprovado que a desparasitação contribui para o aumento da sobrevivência da criança, esta intervenção não é ainda implementada na maior parte das unidades sanitárias de forma rotineira. Para além disso, a desnutrição aguda grave é uma das principais causas de mortalidade infanto-juvenil no país, estando associada a quase metade de todas as mortes de crianças menores de cinco anos. “Com esta iniciativa nós pretendemos acelerar as intervenções de saúde, levando-as até aonde as crianças se encontram” diz Stélio Alfredo Dimande, Médico-Chefe da Província de Maputo, que acompanhou os trabalho de Fátima Jonasse durante a sua visita a Djabula. “Significa que levamos as unidades móveis às escolas, creches, infantários, e aonde as mães se encontram a trabalhar, como por exemplo nos mercados. Para isso foi necessário uma grande mobilização de meios financeiros, logísticos e humanos”, afirma o Médico-Chefe Stélio Dimande. As rondas subsequentes, a terem lugar este ano, deverão incluir também vacinação contra o sarampo e pólio, e distribuição de redes mosquiteiras. Mediante os resultados positivos esperados desta iniciativa, a Semana Nacional de Saúde da Criança poderá ser implementada de forma rotineira a partir de 2009, pelo menos duas vezes por ano, expandindo os cuidados de saúde oferecidos também para as mães e mulheres em idade fértil.
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