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Latrina ecológica melhora a saúde familiar e a produção de comida

© UNICEF/MOZA-01412/G.Pirozzi
Nenicha e seu irmão mais novo defronte da sua casa.

Nicoadala (Moçambique) – Nenicha Viega de catorze anos de idade dá uma risada tímida quando a activista comunitária explica que podem utilizar os excrementos da família para fertilizer a sua machamba de mandioca.

Nenicha está sentada com o seu pai, Filipe Viega, no exterior da sua casa em Murua, uma aldeia no distrito de Nicoadala na província da Zambézia. O activista comunitário, António do Rico, diz-lhes que os  excrementos da família estão prontos para uso ao fim de um mês. Tanto Filipe como Nenicha não parecem convencidos. “Não tenho as ferramentas para recolher os excrementos,” diz Filipe.

Para sua grande surpresa, António do Rico, diz “Não, não vai precisar de ferramentas; pode usar as suas mãos. Será como um pó.” Ele explica também que isto é feito de forma segura e complemente higiénica.

Apesar de estarem hesitantes em utilizar o excremento seco como fertilizante, o pai de sete crianças diz que irá  tentar fazer o melhor uso. Por agora, aprecia o facto de a família ter uma latrina pela primeira vez.

Toda a família participou na construção da latrina, que demorou três semanas a concluir. O pai cavou o buraco profundo, os filhos fizeram a casa de caniço para a latrina e Nenicha recolheu água para fazer tijolos.

Nenicha e a sua família também têm, agora, acesso à água potável. Construiu-se um poço perto da escola com apoio do UNICEF. A família costumava recolher água de um poço tradicional, que sabiam não ser seguro.

António, que por vezes anda 25 km para sensibilizar os membros da comunidade sobre como evitar doenças como a diarreia, diz que gradualmente as pessoas estão a ficar mais conscientes da importância de lavar as mãos com água corrente, e estão interessadas em construir latrinas.

“No entanto, a maioria não pode comprar sabão, e utilizar cinzas como substituto ainda não pegou na comunidade,” diz ele.

Apesar dos esforços do governo, os números oficiais indicam que 74 por cento da população nas áreas rurais não tem acesso à água potável e 71 por cento não utiliza uma latrina melhorada. Nas áreas urbanas, a situação é ligeiramente melhor mas cerca de 60 por cento da população ainda não tem acesso à água potável e 64 por cento não tem acesso à latrinas melhoradas.

Lúcia Novidade, uma viúva e mãe de cinco crianças, vive perto da família Viega, mas ela ainda não  beneficiou de uma latrina, apesar de declarar que gostava de ter uma.

© UNICEF/MOZA-01422/G.Pirozzi
Lúcia Novidade e a sua filha mais nova agora têm acesso à água potável.

Os membros da comunidade têm de fazer tijolos para a latrina, mas Lúcia diz que ainda não conseguiu  porque não tem dinheiro. Ela pode já ter pago o preço devido ao saneamento precário quando o seu bebé de 18 meses morreu com diarreia. No entanto, no ano passado, o UNICEF apoiou a construção de uma bomba Afridev na aldeia através de uma organização local.

“Antes usava água de um poço tradicional, mas a água não era limpa,” diz Lúcia. “Na altura não percebia  que não era adequada para beber. Eu não a fervia e sofria regularmente de problemas de estômago,” diz ela.

Agora, ela pode mostrar o seu novo contentor de água amarelo de 20 litros, que o seu cunhado lhe comprou.

“Agora, só tenho de ir à bomba duas vezes por dia e como tem uma tampa posso armazenar água. Utilizo água para tudo, beber, tomar banho e lavar as minhas roupas.”

Normalmente, fica uma hora à espera no poço, mas diz apreciar a oportunidade para conversar com os vizinhos.

António explica que o poço tem uma comissão de manutenção composta por três homens e quatro  mulheres. Para cobrir os custos da manutenção do poço, cada pessoa que utiliza o poço contribui com 1.000 Meticais todos os meses. Este requisito não é aplicado aos membros mais desfavorecidos da comunidade. A comissão já recolheu 500.000 Meticais, que são guardados na casa de um dos membros. Para além das reparações, a comissão certifica-se que o poço está limpo.

“É vital que as comunidades se organizem para melhorar o acesso à água e saneamento seguro,” diz o Responsável pelo programa de água e saneamento no UNICEF, Domingos Chiconela. “Para começar, é importante que os membros da comunidade apreciem a importância de ter uma latrina e também de lavar as mãos com sabão ou cinzas em água corrente e que participem na manutenção do seu abastecimento de água.”

Lúcia está isenta da taxa mensal de 1.000 Meticais. Ela apenas tem uma pequena machamba de mandioca que produz o suficiente para consumo próprio. O activista diz também que ela irá receber uma latrina feita pelos membros da comunidade.

“A nossa tarefa é identificar os agregados mais vulneráveis como o dela onde as crianças são órfãs,” explica António.

 

 
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